Benditos sejam

Recebi, hoje, da minha amiga e madrinha Teresa Molina, de autoria desconhecida. Achei tão bonito que quero repartir com vocês: 

Benditos sejam os que chegam em nossa vida em silêncio, com passos leves para não acordar nossas dores, não despertar nossos fantasmas, não ressuscitar nossos medos.

Benditos sejam os que se dirigem a nós com leveza, com gentileza, falando o idioma da paz pra não assustar nossa alma.

Benditos sejam os que tocam nosso coração com carinho, nos olham com respeito e nos aceitam inteiros com todos os erros e imperfeições.

Benditos sejam os que podendo ser qualquer coisa em nossa vida, escolhem ser doação.

Benditos sejam esses seres iluminados que nos chegam como anjo, como flor ou passarinho, que dão asas aos nossos sonhos e tendo a liberdade de ir escolhem ficar e ser ninho.”

Benditos sejam os Amigos…🌹

Canivetes

 

Meu avô era o “homem do canivete” – nunca, nem uma única vez, eu o vi sem estar portando pelo menos um canivete.

Ele dizia que não se pode andar sem canivete. Tinha alguns, bem afiados, e os usava. Para picar fumo e fazer seus cigarrinhos de palha (ah, que saudade, meu avô, quando o senhor me ensinou a fazê-los e me delegava essa função – preparadora de cigarros de palha…), para destravar a porta do carro quando a fechava com a chave dentro. Para abrir a porta da casa quando perdia a chave. Para descascar frutas. Para abrir correspondência. Para usar como chave de fenda. Para cortar pequenos objetos e, às vezes, até mesmo para cortar a comida no prato. Com um canivete meu irmão, orientado por ele, tirou o gesso com que veio para casa, quando teve alta depois de um sério acidente na BR 116, indo para a fazenda. Chamou o neto mais velho, mandou fechar a porta do quarto, entregou-lhe o canivete e o guiou para a retirada do gesso que envolvia seu tronco e um ombro.

Realmente, não há dúvidas quanto à utilidade de se ter à mão um canivete!

Fico fascinada nas vitrinas onde há canivetes. Quando os vejo a saudade de meu avô aperta o peito.

Eu era muito pequena quando ele meu deu meu primeiro canivete. E mandou usar. Sempre. E o mantinha afiado para mim. Descascar laranja com um bom canivete vem amolado é minha especialidade. Até hoje ando com canivete na bolsa.

E já me foi muito útil em muitas ocasiões.

Só não faço cigarros de palha porque não fumo e meu avô partiu para sempre há muitos anos.

Ainda tenho alguns, dentre eles um é muito especial – pertencia ao tio Ary, uma das pessoas que mais amei nessa vida, em forma de caneta, com seu nome gravado, sempre no bolso da camisa – e eu também nunca saio sem um canivete…

Tristeza

Por que sou triste? Não sei…

Como também não sei se deveria ser alegre

Às vezes cansamos da felicidade breve

Porque ela sempre se vai e a tristeza vem

A felicidade sempre traz tristeza

Enquanto a tristeza nunca se torna alegria

Melhor ser triste de uma vez

E não ficar temendo a tristeza

Porque ela, sim, é inevitável.

Há duas certezas nessa vida:

Ser triste e morrer.

Da esperança

 

 Esperança, fio invisível que nos sustenta e nos mantém vivos.

Como aquela sensação de prazer quando comemos tamarindo. Depois da acidez do primeiro bocado, vai ficando saboroso e deixa uma lembrança boa no paladar.

Assim é a esperança: depois da perda, o desespero ácido vai se desfazendo e se tornando a esperança – o gosto bom de se acreditar que tudo voltará um dia a ser como antes. Porque o desespero é desesperar e esperança é exatamente esperar.

A fogueira se apaga, mas brasas vivas ficam lá no fundo, cobertas de cinzas. A função da esperança é manter vivas essas brasas, e, na primeira ocasião, deixá-las tomar conta do coração e reaquecer a vida.

Viver só de esperança, porém, amarga a boca. Mas viver em estado de desesperança é morrer em vida.

Por isso a razão equilibra a emoção – alimentamos algumas esperanças e deixamos as outras, que mais machucam se não se concretizarem, desidratar e morrer.

Esperança são as flores das emoções, precisa ser cultivada, cuidada, para se manter viva. E precisamos dela para nos mantermos vivos.

A cada despertar, é a esperança que nos faz levantar e enfrentar mais um dia – se nada esperarmos, por que continuar vivendo e lutando?

Passos vencidos

Caminante, son tus huellas el camino, y nada más; caminante, no hay camino, se hace camino al andar.

Al andar se hace camino, y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar.

Caminante, no hay camino, sino estelas en la mar. (Antonio Machado)

                             

Nunca li um livro da chamada literatura de autoajuda. Não posso tentar resolver meus problemas pela cabeça de um desconhecido, mesmo que ele tenha conseguido resolver um dos seus próprios e depois resolveu contar para todo mundo por meio de um livro.

Acho que cada um tem de sair das dificuldades pelas próprias pernas, dando os passos possíveis e fazendo seu próprio caminho…

As armadilhas em que caí ao longo da vida ensinaram-me que o grande segredo para ser feliz é se bastar. Não deixar minha felicidade nas mãos de terceiros. Não permitir ser necessária outra pessoa para me fazer feliz.

Dessa forma, ninguém pode me fazer infeliz. Porque eu me basto no quesito felicidade.

Os anzóis das iscas que me iludiram deixaram profundas marcas em minha carne.

Peixe carente, atirei-me com sofreguidão às iscas, sem perceber as ocultas intenções dos anzóis que as exibiam…

E foi assim que aprendi que as iscas mais atraentes trazem os anzóis mais cruéis.