Segredos

Mon âme a son secret, ma vie a son mystère.

(A.-Félix Arvers)

Os segredos de cada um. De cada alma. De cada amor…

Pelo menos uma vez na vida cada um de nós guarda um segredo. Quanto mais inconfessável, mais secreto. Quanto mais segredos, mais perigos. Sejam os próprios, sejam os alheios.

Embora se diga que um segredo só existe enquanto apenas uma pessoa o conhece, temos de admitir que algumas pessoas não conseguem manter um segredo. Têm uma necessidade inexplicável de confidenciar.

Outras, no entanto, guardam seus segredos não como mistérios, mas como verdadeiros tesouros, sabendo que baú aberto não se presta a isso. E acabam sendo depositório dos segredos alheios. E, da mesma forma que não revelam os próprios, são capazes de morrer carregando segredos alheios. Jamais traem a confiança de quem foi capaz de se abrir e trazer o que de mais escondido tinha na alma.

Saber guardar segredos e, portanto, uma forma de lealdade.

E, se alguém não é capaz de ser leal consigo mesmo, com quem o será?

Para Racine, não há segredo que não seja o tempo não revele.

Pode ser. Mas não exatamente o tempo. Algumas pistas, algum fio solto no passado…

Ou mesmo uma forma de vingança.

Porque revelar segredos alheios, ou os próprios, mas que envolvam terceira pessoa, é uma forma de vingança. Cruel. Cortante.

Ser traído dessa forma é ser apunhalado.

Não há dúvida que o segredo – ainda que desconhecido, apenas suspeitado – desperta uma curiosidade incontrolável. Especialmente nos fofoqueiros profissionais.

E não revelar é, também, uma forma de vingança contra essas pessoas inconvenientes.

Se eu tenho segredos? Sim. E Muitos. Meus. Alheios. Que envolvem outras pessoas…

Mas nem sob tortura eu os revelo. Nenhum. Não dou pistas. Recolho todas as pontas exatamente para que não possam ser puxadas. São tantos, tantos… mas estão aqui, trancados na minha alma, nos mistérios da minha vida…

Conversa com meu avô n° 12

Aqui estamos, de novo, meu avô, para mais uma de nossas conversas. Mas não me pergunte muito, porque não saberei responder. As coisas aqui estão ruins de uma forma que nem sei o que dizer ao senhor.

É verdade, vô, continuamos em isolamento social. Eu sei – e claro, todos os políticos sabem, que o desemprego, o número de falências, a pobreza, a fome serão quase invencíveis quando isso tudo acabar, mas nada podemos fazer.

Como assim, o Presidente da República não faz nada? Que isso, vô, até o senhor, tão lúcido, está entrando nessa dos comunas???????

Os sinistros do supremo tribunal federal tiraram das mãos do Presidente da República todas as ações que visam controlar o coronavírus. Ou seja, governadores e prefeitos mandam, fazem o que querem, superfaturam compras, enterram caixões vazios, mandam anotar covid 19 (nome oficial do bicho) em TODAS as certidões de óbito, para inflar os relatórios e assim conseguirem extorquir mais verbas da União. E o senhor diz que o Presidente que não age????

Só se ele mandar um jipe com um cabo e dois soldados para fecharem aquele bordel…

Exatamente, ele trocou o ministro da saúde. Quanto a isso, estávamos vendo que o ministro não estava muito à vontade para enfrentar essa crise da pandemia. Mas ele nomeou um cara que aparentemente tem condições de tocar o barco.

O ministro da justiça, que era aquele juiz de direito que todos admiravam, realmente não se saiu bem no cargo. Mais de um ano e nada foi feito. Ele apresentou um projeto de lei que foi desfigurado e completamente “aleijado” no congresso e ficou por isso mesmo. Parece que a autoridade dele como juiz não veio junto para o ministério.

Não, que isso, vô, perda nenhuma. Pense num tabuleiro de xadrez – só o rei não pode cair nem ser substituído. Todos devem dar a vida para protegê-lo até o fim da batalha. Ou da partida. Com o tabuleiro da política ocorre a mesma situação – nós elegemos o Presidente da República. Só ele não pode cair nem ser substituído. Todos os outros são peões. Uns fazem mais falta quando caem (a dama, o bispo, por exemplo), outros fazem um favor quando se vão.

Nos últimos 20 anos já tivemos perto de cem ministros. O país sobreviveu à demissão de todos.

E o imbróglio com o chefe da polícia aconteceu porque o sinistro que acha que é xerife queria um cara da confiança dele para diretor lá. Esquisito, não é mesmo? Quem governa o país (e os Estados e os municípios) atualmente é a justiça. Metem o nariz em tudo mas não entendem nada.

Impeachment? Não sei, vô. Tudo pode ocorrer nesta terra de ninguém chamada Brasil. Aqui tem muito cacique para pouco índio, todo mundo manda e ninguém obedece. Não há ordenamento jurídico fixo, eles vão mudando as leis, os entendimentos, a jurisprudência a cada caso, dependendo do interesse pessoal deles, dos familiares, dos sócios, dos amigos…

Rasguei meu diploma da faculdade e joguei fora, vô. E vou tacar fogo na minha biblioteca jurídica. Não servem para nada. Aqui só os amigos dos reis que mandam e têm direitos.

Concordo, vô, eu estudei muito, sempre fui muito dedicada aos estudos, sempre quis entender para saber. Mas tudo aquilo que o senhor sempre me viu estudar não tem mais serventia. Se eu fosse esposa de um sinistro do stf, daí seria diferente, porque só pegaria causas de lá (até hoje não explicaram como certas pessoas irrelevantes, joão-ninguém, ladrãozinho ordinário, têm foro perante essa corte. São jabuticabas, vô, sabe aquele tipo de coisa que só existe no Brasil?) Pois é…

Ah, sim, agora entendeu mais ou menos o que aconteceu nesses quinze ou vinte dias? Eu não sei, vô, onde está a verdade. Isso é algo que nunca saberemos, se precisa ficar em casa, se trabalhar mata, se o vírus foi feito em laboratório, se apenas um vírus sofreu repentinamente uma mutação terrível e está matando meio mundo… mas se a ordem é ficar em casa, estamos em casa. Manda quem pode, obedece quem tem juízo ou, é amigo do rei, aí faz o que quiser, vai a festas, não tem limite.

Simples assim.

No mais, tudo bem, vô. Vamos aguentando as pancadas e esperando que tudo melhore.

Para Senna, 26 anos depois

 

Hoje, 26 anos de uma das cenas mais tristes que nenhum brasileiro jamais esquecerá – aquele terrível acidente em uma curva em Ímola, GP da Itália, 1994.

Ali se encerrava a notável carreira do piloto Ayrton Senna, brasileiro, paulista, Corinthiano.

Nunca mais as madrugadas com respiração suspensa na frente da TV acompanhando sua coragem, seu desempenho inigualável.

Nunca mais a pequena Bandeira do Brasil tremulando sobre o cockpit na volta de mais uma vitória. E nosso orgulho explodindo ao ver seu sorriso no degrau mais alto do podium, lugar que era seu por direito e destino.

Tudo já se falou. Pouco a falar desse rapaz extraordinário, seja como piloto, profissional, filho, brasileiro…

Senna, nosso piloto maior, “sua” música nos emociona até hoje…

Je t’offre un muguet de bonheur

RANDO DU MUGUET A St FLORENT DES BOIS | Association ECLA

Flores, os adornos da natureza, são, também, símbolos nas relações humanas.

São ofertadas no dia dos namorados, dia das mães, aniversários, estão nos buquês de noivas, nas coroas dos velórios, ornamentam casamentos, lapelas…

Uma mulher que nunca recebeu uma flor, um buquê de flores ou um arranjo de flores, nunca será uma mulher completa, feliz. As flores dizem mais que joias ou qualquer presente caro.

Rosas, cravos, camélias…

Algumas têm significados especiais. Por exemplo, a pequena e rara edelweiss. Cujo ato de ofertar significa mais que o amor, a coragem do rapaz que escalou escarpas para colhê-la, tradição alpina da região do Tirol, de onde é símbolo.

E, na França, temos a singela muguet-du-bois. A pequenina e delicada florzinha branca. A flor da sorte. E também a flor da felicidade.

Essa flor é oferecida no dia 1º de Maio. Por isso também chamada, lá nas terras de Balzac, de Flor de Maio. De início, diz-se que no século XVI, era colhida para festejar e enfeitar as noivas, no início dos dias mais quentes, depois dos rigorosos invernos europeus.  

Durante o reinado de Charles IX, alguém lhe ofereceu um ramo de muguet-du-bois, em um dia 1º de Maio. Encantado com o gesto, o rei ordenou que todo dia 1º de Maio deveria ser dada essa flor a todas as moças solteiras do reino. Verdade? Lenda? Não há como saber. Ele ficou conhecido como “maluco”, responsável pelo terrível massacre da Noite de São Bartolomeu. Difícil acreditar que se emocionasse com uma singela florzinha branca.

De qualquer forma, seja qual for a origem do gesto, este perdurou e no dia 1º de Maio as delicadas muguets-du-bois são oferecidas entre os franceses.

Por ser também comemorado o Dia do Trabalho no dia 1º de Maio, os trabalhadores adotaram a troca dessas flores como símbolo do trabalho.

Assim, passando de um significado para outro, persiste, ainda, o costume – lindo, diga-se de passagem, de se ofertar um muguet-du-bois, agora chamado muguet de bonheur nesse dia.

Por isso, a todos, franceses e brasileiros que cultivam tradições, ofereço a cada de um de vocês, para esse 1º de Maio, desejando que tenhamos um mês novo, livre, feliz, , um ramo virtual de muguet du bonheur:

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39º dia – o tempo e a quarentena

Estamos hoje no trigésimo-nono dia de confinamento, portanto, amanhã serão quarenta dias que a população do país foi posta em isolamento social horizontal. Sem dúvida, uma verdadeira quarentena. Ainda que não tenha atingido 100% dos brasileiros, uma grande parcela dos brasileiros se encontra recolhida em seus lares. Mesmo porque lojas, shoppings, bares, restaurantes, academias etc., se encontram fechados.

Não tenho dados para avaliar se essa política de saúde alcançou a finalidade, de diminuir a incidência de contaminação pelo covid 19, se “achatou a curva”, se teve algum proveito. E não quero esse conhecimento. Estou analisando esse fenômeno do ponto de vista das pessoas confinadas.

E como estão essas pessoas?

A maioria em uma “montanha russa” de emoções.

De início, a maioria não acreditava que isso passaria de dez dias. Portanto, seria fácil acatar a decisão.

Mas não aconteceu. O isolamento virou bandeira política e desafio ao poder federal, e foi sendo prorrogado. O isolamento teve início ainda no verão. Estamos em pleno outono, ainda isolados.

Para a população mais favorecida economicamente ou que continua a receber seus salários, tem despensa e geladeira abastecidas, é servida por delivery quando deseja comida mais diferenciada, o isolamento está sendo período de férias em casa.

Existe, entretanto, o outro lado – todos aqueles que perderam ganhos, perderam empregos, viviam do ganho do dia, estão sem alimentos, sem futuro, e o desespero está batendo.

Mas vejo há traços comuns a todos – jovens, idosos, ricos, pobres… pontos que estão presentes na vida de todos.

Por exemplo, ninguém sabe a data. Ninguém. Nem a hora.

Simplesmente, para todos as pessoas que estão em segregação, o tempo perdeu a importância. Todos os dias são exatamente iguais, e não há mais dia e noite. Interessante se constatar que a maioria mudou inclusive seus hábitos, dormindo muito mais tarde do que o horário de costume e se levantando bem mais tarde.

Não há por que se levantar cedo, a não ser que se queira ter mais tempo de não fazer nada.

Concluo, então, que nossos conceitos de tempo se perderam.

Outro ponto interessante é a falta de interesse, seja lá pelo que for. Pessoas que queriam ficar em casa para realizarem algumas tarefas, não as realizam. Simplesmente, passam o dia em completa inutilidade. Vendo televisão, navegando na internet, sentado olhando para a parede…

Há notícias do aumento no consumo de bebidas alcóolicas. Não duvido. A maioria das pessoas passa muito tempo fora de casa. Chega para jantar, aproveita para um drink ou um vinho e vai dormir. Quando, por qualquer motivo, passa o dia em casa em algum final de semana, geralmente aproveita para comer, beber e dormir.

E agora, todos estão em um verdadeiro fim de semana em casa, portanto a rotina é essa: comer, beber e dormir.

E, fatalmente, o aumento na ingestão de álcool tem gerado aumento na violência doméstica, um círculo vicioso que conhecemos…

Dominados, na verdade, pela preguiça, todos estão se desacostumando de responsabilidades.

Um dia, fatalmente, essa situação vai mudar. Tão de repente como surgiu, o vírus estará dominado. E aí, o que acontecerá?

A realidade do país não será mais a mesma que deixamos do lado de fora da porta de nossa casa quando entramos e trancamos há mais 40 dias…

Quanto do comércio não reabrirá? Quantos empregos não existirão mais? O que acontecerá com a população que “carrega o piano” para os políticos existirem?

Quantos afetos estarão perdidos? Quantas relações rompidas?

Só o tempo dirá, mas, o mais intrigante: o tempo vai voltar? Ou o perdemos para sempre?

E a quarentena continua…

Hoje, 23 de abril de 2020, meu 35º dia de isolamento social em razão da quarentena visando controlar a disseminação do covid19.

23 de abril é um dia especial – foi escolhido, no ano de 1995, pela Unesco, para ser o Dia Mundial do Livro. Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso de la Veja (este último, o “príncipe dos escritores do Novo Mundo”, nascido em Cusco, Peru, em 1539 e faleceu em Córdoba, em 23 de abril de 1616).

Leitora persistente, escritora, poeta, não posso deixar de anotar a importância do livro em minha vida. E, portanto, a difusão dessa importante data.

Mas esse dia ainda traz lembranças de outros anos.

Penso em 23 de abril de 2019 – exatamente há um ano eu me aposentei. Depois de mais de trinta anos, saí e fechei para sempre a porta de meu gabinete de Procuradora de Justiça, no Ministério Público do Estado de São Paulo. Carreira da qual me orgulho e na qual ingressei mediante difícil concurso público. Sem dúvida, segui a profissão para a qual era vocacionada. Se nascesse de novo, voltaria a ser Promotora de Justiça.

Mas agora é passado, não volta mais.

E, volto mais no tempo – em 23 de abril de 2019 chegava em Sorrento, na última vez em que lá estive.

Preciso ir a Sorrento, porque meu coração ficou lá desde a primeira vez, foi paixão à primeira vista . Por mais estranho que seja, quando cheguei em Sorrento, não senti que estava “indo” conhecer uma cidade, mas, sim, que estava “voltando” para um lugar onde já vivera.

Aquele golfo, a vista do Vulcão, tudo já estava indelevelmente tatuado em minha mente.

Não sei se é passado. Não sei se voltará.

E chego nesta data presente, de hoje – 35 dias isolada.

Presenciando, com tristeza e até um pouco de desprezo, a histeria irracional de uma população ávida por desgraças coletivas.

Não bastam os infortúnios pessoais e familiares, agora teremos de assumir coletivamente a desgraça da peste chinesa. Cuja letalidade é equiparada à gripe comum.

Tudo bem que nenhum país do mundo tem leitos de UTI e aparelhos de respiração artificial para mais da metade da população simultaneamente. Isso teria um custo desarrazoado e o investimento ficaria obsoleto em pouco tempo, sem uso.

Porque tudo é feito em cálculos atuariais, na análise de dados que possibilita uma estimativa ou expectativa de quantas pessoas poderiam, em tempos de normalidade, estar doentes ao mesmo tempo e necessitar esses cuidados.

Obviamente que isso não se aplica a uma situação extraordinária. Uma pandemia é uma exceção a todas as regras conhecidas de necessidade de cuidados médicos hospitalares.

Por isso o receio de não ser possível prestar atendimento a todos os habitantes do país ao mesmo tempo.

Mas… lá vem o infalível mas…

O vírus não é letal isoladamente.

Portanto, nem todos os infectados ficarão doentes.

Dos que ficarem, a maioria, sadia, se recuperará em pouco tempo sem mesmo necessidade de assistência médica.

Daí que já diminuímos o total que irá atrás de tais cuidados.

Desses, muitos não serão nem mesmo hospitalizados. Dos hospitalizados, uma minoria terá necessidade de UTI. E, poucos de entubação e respirador. Dentre esses, alguns não resistirão.

Portanto, a equação tem um resultado bem inferior àquele propalado pela mídia-urubu-carniça.

Não se justifica o pânico. Nem a histeria coletiva. Recheada de reportagens de terror explícito. Quase nunca correspondente à verdade real.

Não era necessária essa quarentena burra e danosa. Que está levando a ruína a muitos empreendimentos e a miséria a muitos lares brasileiros. Isso não precisava ter acontecido.

Que se fechasse tudo por cinco dias úteis, para serem tomadas as providências de segurança sanitária para o normal funcionamento do país. Isso seria aconselhável e conveniente.

Mas separaram as cotas: motoboys (especialmente os que entregam comida), cozinheiros e ajudantes de cozinha (de lugares com entrega a domicílio), pessoal da saúde, funcionários de supermercados, quitandas e padarias foram declarados, por decreto dos governos, imunes ao vírus.

O restante da população foi condenado à morte pelo vírus, caso saísse de dentro de casa.

Só faltaram os funcionários trancando as casas por fora com cadeados, à semelhança do que ocorreu em Londres durante a peste negra.

Em absoluto não havia necessidade de levar tantos à falência e ao desemprego. Isso foi criminoso. As projeções não se confirmaram. Em abril não tivemos dezenas de milhares de doentes e mortos. Simplesmente, com raríssimas exceções, nos hospitais houve um vácuo – tudo cancelado, cirurgias adiadas, e enfermarias vazias. Vai haver congestionamento nos centros cirúrgicos e CTIs no dia em que suspenderem a quarentena e todos voltarem a procurar seus médicos.

Isso é revoltante.

Inegável que um vírus, inimigo invisível, está infectando pessoas no mundo todo. Vírus que, aliado a comorbidades, idiossincrasia, baixa imunidade, tem resultados sérios em algumas pessoas.

Porém, a cada dia fica mais difícil acreditar na mídia alarmista e criadora de histeria.

Espero que esse confinamento tenha fim. O mais breve possível.

Não teremos de volta nosso mundo de antes do coronavírus. Isso será impossível.

Teremos pobreza, empresas que nunca mais reabrirão. Empregos que não serão recuperados.

Uma população desconfiada de tudo e de todos e cheia de medos que não existiam antes da pandemia.

Acompanhando o estado mental/emocional de meus amigos, percebo que a maioria está em constante tensão, stress aumentado, desconforto físico pela inação, pensamentos depressivos pela falta de convivência e intensa ansiedade pela insegurança com relação ao futuro.

Destruíram a vontade de viver de muitas pessoas. Que, em sua esmagadora maioria, jamais desenvolveriam doença grave ou risco de morte se contaminadas com o vírus. Quebraram a espinha de um país alegre e com população despreocupada. Como se estivéssemos passando por uma guerra.

Que deixará marcas. Crianças impedidas de irem à escola, conviverem com amigos e familiares “para não morrerem”. Porque brincar mata. Abraço de avó mata…

Podiam ter feito tudo de forma pensada e organizada.

Inclusive se nos avisassem antes, que teríamos de ficar confinados por mais de quarenta dias, teríamos a oportunidade de nos prepararmos para isso. Alguns entrariam em casa, cuidando do abastecimento da despensa, para não sair por 40 dias, entrando em hibernação, tal qual um urso.

Outros, convidariam alguns amigos, iriam para uma casa no campo – sítio, chácara, fazenda – e lá ficariam muito bem, obrigado, longe de pessoas indesejadas.

Alguns casais se refugiariam em lugares isolados, de preferência sem alcance de telefone, televisão e internet, e nem saberiam quando fosse dada autorização de retorno no fim de quarentena.

Mas não, pegaram a todos desprevenidos. Por isso tantos descontentes.

Por favor, acabem com essa palhaçada, quero minha vida de volta!