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Mês: maio 2023
Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 29 – William Butler Yeats
William Butler Yeats, muitas vezes apenas designado por W.B. Yeats (Dublin, 13 de junho de 1865 – Menton, França, 28 de janeiro de 1939), foi um poeta, dramaturgo e místico irlandês. Atuou ativamente no Renascimento Literário Irlandês e foi co-fundador do Abbey Theatre.

Suas obras iniciais eram caracterizadas por tendência romântica exuberante e fantasiosa, que transparece no título da sua colectânea de 1893, The Celtic Twilight (“O Crepúsculo Celta”). Posteriormente, por volta dos seus 40 anos, e em resultado da sua relação com poetas modernistas, como Ezra Pound, e também do seu envolvimento ativo no nacionalismo irlandês seu estilo torna-se mais austero e moderno.

Em 1885, os primeiros poemas de Yeats, bem como um ensaio designado por The Poetry of Sir Samuel Ferguson, são publicados na Dublin University Review. De 1884 a 1886, frequentou a Metropolitan School of Art (hoje designada como National College of Art and Design) em Kildare Street.
Ainda antes de escrever poesia que Yeats associava poesia a ideias e sentimentos religiosos. Descrevendo a sua infância, diria mais tarde que a sua única crença inabalável consistia em acreditar que se houvesse algo na filosofia que tivesse tomado a forma de poesia era a ideia de que se tinha sido “um espírito poderoso e benevolente a dar forma ao destino deste mundo, podemos descobrir melhor esse destino através das palavras que o coração acolheu no seu desejo do mundo”.

O primeiro poema com alguma importância de Yeats foi The Isle of Statues (A Ilha das Estátuas), uma obra de cariz fantástico que foi buscar Edmund Spenser para modelo poético. Depois de ter saído com um número da Dublin University Review nunca mais foi republicado. O seu primeiro livro publicado foi o panfleto Mosada: A Dramatic Poem (1886), que já tinha aparecido na mesma revista – a nova impressão, em formato de livro teve uma edição de 100 cópias pagas pelo seu pai. Seguiu-se The Wanderings of Oisin and Other Poems (As peregrinações de Oisin e outros poemas) (1889). Este longo título da mais antiga obra de Yeats que não foi renegada na sua maturidade baseava-se em poemas do Ciclo Feniano da Mitologia Irlandesa. Este poema, que levou dois anos a ser completado, é ainda marcado pelo estilo de Ferguson e dos pré-Rafaelitas, ao mesmo tempo que inaugurava um dos temas mais presentes na obra de Yeats: o apelo de uma vida de contemplação versus o apelo de uma vida de acção. Depois das Peregrinações de Oisin, Yeats não voltou a escrever poemas longos. Os seus outros poemas inaugurais são canções líricas que versam o amor, além de temas esotéricos e místicos.
A família de Yeats voltou para Londres em 1887, e em 1890, Yeats co-fundou o Rhymer’s Club com Ernest Rhys. Este grupo de poetas, partilhando ideias e convicções, reunia-se regularmente e começou a publicar antologias em 1892 até 1894. Entre outras colectâneas iniciais podemos citar Poems (1895), The Secret Rose (1897) e The Wind Among the Reeds (O vento entre os juncos) (1899).

Nos seus últimos poemas e peças teatrais, Yeats abandonou os temas políticos que caracterizavam o período intermédio da sua obra e começou a inspirar-se no seu universo pessoal, incluindo os filhos e a experiência do envelhecimento.
Depois de sofrer de diversas mazelas, por alguns anos, Yeats morre no Hôtel Idéal Séjour, em Menton, França, a 28 de Janeiro de 1939, oito meses antes da Invasão alemã da Polonia. O seu último poema, The Black Tower refere-se ao mito do Rei Artur. Pouco depois, Yeats era sepultado provisoriamente em Roquebrune, até que, de acordo com o seu desejo, o seu corpo foi levado na corveta Irish Macha até Drumecliff, em Sligo, em Setembro de 1948. A sua sepultura é uma atracção turística importante em Sligo. O seu epitáfio, que repete o final de um dos seus poemas, Under Ben Bulben reza: “Cast a cold eye on life, on death; horseman, pass by!” (“Lança um olhar gélido à vida, à morte; cavaleiro, segue em frente!”). (Fonte: Wikipédia)

Morte
Medo não tem, nem esperança, Um animal a agonizar: Aguarda um homem o seu fim, Tudo a temer, tudo a esperar; Já muitas vezes morreu ele, As muitas vezes retornando. Em seu orgulho, um grande homem, Homens que matam enfrentando, Sobre a substituição da vida Atira um menosprezo forte; Sabe ele a morte até os ossos - Foi o homem quem criou a morte. A canção do delirante Aengus Eu fui para uma floresta de nogueiras, Porque minha mente estava inquieta, Eu colhi e limpei algumas nozes, E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo; E, quando as claras mariposas estavam voando, Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas, Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho E capturei uma pequena truta prateada. Quando eu a coloquei no chão E fui soprar para reativar as chamas, Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir, E, alguém me chamou pelo meu nome: Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente Com flores de maçãs nos cabelos Ela me chamou pelo meu nome e correu E desapareceu no ar, como um brilho mais forte. Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos Por tantas terras cheias de cavernas e colinas, Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi, E beijar seus lábios e segurar suas mãos; Caminharemos entre coloridas folhagens, E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo As prateadas maçãs da lua, As douradas maçãs do sol.
Cenas inesquecíveis – 08
Poesia da casa – De passagem

Veio com brisa tão leve - Uma pluma a flutuar Não tinha nenhum destino Só um desejo: passar E como se fosse um beijo Roubado sem um abraço Deixou o rastro apertado De um nó onde fora laço Se não podia ficar Se era só de passagem Por que ficou tanto tempo Antes de seguir viagem? Não há antes nem depois Só o instante da magia Daquele beijo furtivo Mas dado com maestria Uma passagem tão breve Deixou a fieira de pena Que traz de volta a saudade Ao sentir a brisa serena Passou o tempo cruel E o trinco da madrugada, Chegado o fim do caminho Então não resta mais nada
(Imagem: banco de imagens Google)
Poeira das estrelas – Fernando Martins

Quando olhamos a noite sem lua e sem estrelas, no céu puro do litoral, sentimos alguma coisa se remexendo em nossas entranhas… somos feitos de matéria estelar.
“Cada átomo em nosso corpo veio de uma estrela que explodiu. E os átomos em nossa mão esquerda provavelmente vieram de uma estrela diferente do que os da nossa mão direita.
Na verdade é a coisa mais poética da Física: Somos todos poeira de estrelas.
Não poderíamos estar aqui se as estrelas não tivessem explodido, porque os elementos – carbono, nitrogênio, oxigênio, ferro, todos os elementos que importam para a evolução e a vida – foram criados na fornalha nuclear das estrelas, e a única forma de chegarem até nosso corpo é que as estrelas, gentilmente explodissem.
As estrelas morreram para que pudéssemos estar aqui hoje.” (Lawrence M. Krauss).
Existe algo como uma visão antiga, codificada e incluída em nosso DNA, que reconhece seu ponto de origem, com tanta certeza quanto o salmão reconhece o riacho onde nasceu.
Por isso olhamos para o céu, com saudades de casa…
Os extraterrestres somos nós.
(Imagem: foto de Maria Alice)
Texto de Lia Luft

Às vezes é preciso recolher-se.
O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas.
Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir.
É um começo de sabedoria, e dói.
Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido.
Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico.
Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador.
Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta.
Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar.
Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz.
Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.
(Foto de Maurício Bohac Ferreira da Rosa)