A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Blogueira, escritora, poeta... porque escrever é preciso
Por um momento ela o encarou
Como se ainda estivessem vivos
Viu o mesmo olhar, a mesma intensidade
Mas era tarde demais, o tempo deles se fora
Levantou-se em meio à névoa que se formara
E viu tudo sumir diante de si, se esvaindo na neblina
Agora já estavam definitivamente mortos
Morreram há muito tempo um para o outro
Na distância, na ausência, no abandono
Enquanto dorme em meus braços
após horas de amor saciado
sinto-te tão meu
e te guardo num sonho acordado
Enquanto repousas seu cansaço
em um sono profundo enfim
o desejo do seu corpo
como um guerreiro depondo
suas armas entregues a mim.
Quero tanto sua volta, e sonho...
Sonho que pode ser verdade:
Quando você batesse em minha porta,
e simplesmente me trouxesse você,
com que amor essa porta seria aberta,
com que paixão eu diria para você entrar!
Sonho com a felicidade
que seria ver você voltando
a alegria de saber de sua volta,
ver você se trazendo de volta para mim!
Um sonho que eu sonho acordada
e preenche toda minha alma de ilusão.
Mais que um sonho, um querer,
um desejo constante e obsessivo,
porque eu nunca desistirei de você
e esse meu querer há de trazer você de volta.
E nesse dia, você baterá de novo em minha porta
para, simplesmente, voltar para mim!
Agosto. Mês das pipas. Com tanto vento sempre foi o mês preferido dos pipeiros. Esperávamos ansiosos os dias de vento para então empinarmos nossos papagaios e sonharmos nossos sonhos de altos voos.
Agosto, chamado também de mês do cachorro louco. Até hoje não encontrei nenhuma explicação no mínimo razoável para essa crendice boba.
Agosto, mês do desgosto. Seja por ser a data de partida das caravelas, na época das grandes navegações, seja por uma sucessão de infaustos acontecimentos políticos que se deram coincidentemente nesse mês, seja pela passagem da constelação de Leão, que se tornava visível nessa época e os romanos temiam que fosse um dragão que passeava no céu… mas nada comprovado que esse mês traga mais gosto ou mais desgosto do que os outros onze meses do ano…
Nada tenho a favor ou contra o mês de agosto. Mas, não nego, esse mês me desperta um prazer especial – ver os ipês em flor.
Apaixonada que sou por plantas em geral, o ipê ocupa um lugar especial em minha predileção.
Assim, quando fiz minha primeira casa, plantei dois ipês amarelos marcando o caminho que levava à piscina. E, no fundo da casa, oito ipês, alternando roxos e amarelos, ao longo da calçada.
E esperava, ansiosa, as primeiras floradas de agosto.
Dia 1º de agosto era aniversário de minha mais que querida Maria Hortencia (quanta saudade, quanta tristeza desde aquele trágico dia 21 de maio).
Ela passava na minha casa para o café – servido no balcão da cozinha, seu lugar preferido – e para conferir se o ipê havia florido em homenagem a seu aniversário.
Ainda que uma singela florzinha, no dia 1º de agosto, um dos ipês do jardim amanhecia com seu ponto amarelinho.
Era o presente de aniversário da Maria Hortencia.
Depois de sua precoce partida os ipês amarelos continuaram a homenagem. Todo dia 1º de agosto amanhecia com a primeira flor aberta no ano. E a saudade dela doía mais fundo nesse dia, no abraço que não podia ser dado.
O tempo passou. Primeiro ela se foi para o outro lado do espelho. Depois de algum tempo, fui embora da cidade, passados alguns anos, os ipês também morreram.
Ainda há agosto, ainda há ventos. Mas já não empino pipas nem tenho ipês no quintal.