Texto de Arnaldo Jabor

É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada. Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps. Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!!

Dia de poesia – Marco Antonio Alvarenga – À Poesia

Te escrevo, como descrevendo a vida, às vezes amarga, ás vezes doce, mas sempre intensa…
Te escrevo com ânsia, como se fora o ar que respiro, como a água que necessito…
Te escrevo, como se eu tocasse a flor, com a carícia de um poeta e a suavidade da brisa…
Te escrevo, com a ira de um vulcão em erupção, na intensidade do ódio, na fúria insana…
Te escrevo, no transcorrer do tempo, quando nasce o dia e morre a noite…
Te escrevo à minha maneira, com a essência da alma e o corpo inteiro…

(Transcrito, com a imagem, da página do poeta no do facebook)

Poesia da casa – Vem me buscar

Vem me buscar!

Traz a paz que já não tenho

E a alegria que eu perdi

Mas vem me buscar

Não conseguirei sair sozinha

Como um barco preso, sem saída

Esquecido em um remanso qualquer

Que anseia pela liberdade de seguir

Que chora pelo rio que já não vê

Vem me buscar!

Traz a confiança que eu preciso

E a fé que eu perdi

Mas vem me buscar

Como um pássaro cativo em uma gaiola

Eu me debato inutilmente neste lugar

E o desespero de meu canto não é notado

Não poderei abrir essa porta trancada

Que me prende sem compaixão

Vem me buscar

Traz a paixão que em mim esfriou

E a vontade de viver que perdi

Como uma mulher abandonada,

Que chora pelo amor perdido

E espera pela redenção

Vem me buscar!

(Imagem: foto de Carlos Eduardo Ferreira)

Canção das mulheres – Lya Luft

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dói a ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ”Olha que estou tendo muita paciência com você!”

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa – uma mulher.

(Imagem: fotomontagem de Maria Alice)

Texto de Franciane Costa

Sei que é estranho, mas sinto saudade de tudo que não vivi com você. Ultimamente ando meio assim, deve ser coisas da idade ou a solidão batendo na porta. Lembro com carinho que você sempre dava um jeito de mandar uma mensagem, estivesse você casado, namorando ou ilhado num templo budista, era como se dissesse sem dizer: “Sei que já faz tempo, mas eu ainda amo você”. Sinto falta do seu abraço e do seu olhar que dizia tudo sem pronunciar uma palavra sequer e hoje me vejo aqui lembrando sozinha trancada no mundo. Você nunca soube, mas eu te amei. Sempre fui assim, as pessoas que realmente mereciam nunca ouviram isso de mim, agora não tenho nem como me arrepender, você já tem alguém para preencher o lugar que sempre foi meu, mas eu nunca quis ocupar. Talvez um dia você ligue para dizer que continuo sendo sua grande e velha amiga, ai sim eu vou dizer: “Sei que é tarde, mas ainda amo você”.