Poesia da casa – Pedido

Sonhar com passarinho na mão: verde, amarelo, vermelho, preto e mais!

A você que me preenche de amor
e traz de volta nesse encanto
meu sorriso, minha alegria
eu peço apenas que me ame...

Nunca me tente prender
ou, assustada, tentarei voar
e, se acaso eu me for
poderei nunca mais voltar.

Não me segure, apenas me ampare
na palma da sua mão aberta:
ali eu pousarei, para sempre
pássaro cativo do seu carinho 

Estarei sempre à sua procura, 
à sua espera, no nosso ninho
meu lugar será sempre a seu lado
e você, meu aconchego de amor

Voaremos juntos pelo céu
nossas asas num mesmo ritmo
um único movimento sereno
buscando um mesmo chegar

E em todo alvorecer
quando a luz romper a noite
nos raios da madrugada
nos amaremos com paixão

E em todo anoitecer
quando a luz não mais se fizer
juntos regressaremos ao ninho
para tantas noites de amor

Seremos, sempre, companheiros,
sem nós, grilhões nem cadeados
apenas juntos, no amor,
no nosso ninho pousados

Vem, meu amor, vem logo
dividir todo esse amor comigo
vem viver essa vida de paixão
vem, meu amor, me fazer feliz

Se em minha alma houver mágoa
se em seus olhos lágrima brotar
nessa hora apenas nos abraçaremos
e nosso amor nos trará de volta a paz

E seus olhos falarão de amor
e amor brotará de suas mãos
e então, sempre, apenas, pedirei:
me ame... me ame... me ame...

(12.06.2021)
(Imagem: banco de imagens Google)


30 de janeiro – Dia da saudade

Republico, aqui, esse texto, de 10.10.2020 – “A dor da saudade” … para ser lido enquanto se ouve essa canção – “Saudade”, de Mario Palmerio

Carrego em mim todas as dores do mundo. As dores do corpo e as dores da alma.

Dores crônicas, agudas, lancinantes…

As dores físicas que já suportei levariam outras pessoas ao desatino. Mas eu sempre aguento. Uma hora a dor vai passar, eu sei.

Difícil aguentar as dores da alma. Doem mais do que prender o dedo na porta, do que cólica de rins, ou quebrar a perna…

Dentre elas as piores são as dores da indiferença e da saudade.

O contrário do amor não é o ódio. Ambos são sentimentos fortes e motivantes. O verdadeiro contrário do amor é a indiferença. Que machuca, marca fundo na alma. Dói intensamente. E não passa.

E a dor da saudade?

Abrir os braços para o vazio e abraçar a ausência de quem se foi?

Voar sozinho em seus sonhos porque o outro desistiu de voar com você?

Acordar de madrugada e não ter mais aquele alguém a seu lado, mas somente o frio e o nada?

Isso é saudade. Isso dói lancinante. De dar vontade de desistir de tudo e morrer. Essa dor eu não aguento. Ela não passa, jamais.

Saudade é tudo o que não há. É o nada. É o vazio. O buraco escuro onde nos debatemos sem a menor possibilidade de sair.

Saudade é a dor conjunta de todas as partes do corpo. Porque dói a alma, dói nossa essência, dói nossa vontade de continuar vivendo.

É sentir o toque de quem já se foi, ouvir a voz que não fala mais, sonhar o impossível que não acontecerá.

É mais que solidão. Porque solidão não é falta. E saudade é feita apenas de ausência.

Dia de Poesia – Carlos Drummond de Andrade – Não se mate

Espelho quebrado: Pôr-do-sol visto através, por fotógrafo Bing Wright
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate

(Imagem: banco de imagens Google)

O infinito da saudade

Paina - ((o))eco

A saudade paira no ar, como a paina depois da floração. É o que resta depois do feitiço da paixão.

Cada pessoa carrega em si sua própria saudade – mas o caminho é igual para todos: construímos, cada qual, nossas memórias de felicidade, para dar origem à saudade.

Plantamos nossa árvore, cuidamos dela com carinho. Um dia, subitamente, ela amanhecerá coberta de flores, inundando nossos olhos com tanta beleza. Como a exuberância de uma paineira florida. E olharemos encantados, o florescer daquele amor cuidadosamente cultivado.

Mas o tempo, cruel, nada perdoa. As flores cairão. No entanto, nossos olhos registraram sua existência e para sempre guardaremos a imagem da explosão de cores e beleza que presenciamos.

Isso é a saudade: a imagem guardada na memória da felicidade que o tempo nos tirou.

Onde era a paisagem exuberante, hoje é apenas um vazio silencioso.

E o vento espalha a paina do lembrar no bailado infinito da leveza do que se vai para nunca mais voltar.

(Imagem: banco de imagens Google)