Reforço o convite a todos os leitores, para o lançamento de meu livro “120 Poemas”, amanhã, terça-feira…

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Reforço o convite a todos os leitores, para o lançamento de meu livro “120 Poemas”, amanhã, terça-feira…


A história de um dos maiores enigmas da História: onde Édipo amarrou o seu cavalo?
Perguntou a Medusa para Édipo:
— Escuta aqui, você viu bem onde amarrou seu cavalo?
(O cavalo era um Pegasozinho meio de quinta. Mas com asas.)
— Hein? — resmungou Édipo, as rédeas ainda na mão.
— Não faz o distraído comigo que eu te petrifico, viu? — gritou a Medusa, que era muito temperamental. — Te conheço não é de hoje.
— Saco — murmurou Édipo. — Sempre onipotente.
Medusa ficou uma fúria:
— Olha nos meus olhos já! — ordenou. — Direto nos meus olhos, seu panaca. — Ela olhou fundo nos olhos dele. As cobrinhas da cabeça ficaram em pé. — Considere-se petrificado.
— Naja idiota — bocejou Édipo. — Não vê que sou cego?
Medusa bateu na testa:
— É mesmo! Por Juno, eu tinha esquecido.
Sei, sei. O enigma, Tebas, Jocasta, aquela baixaria toda. Cuspiu de lado: — Tarado.
Édipo ia reagir quando chegou Perséfone: percebeu pelo excesso de perfume no ar. Sim, pensou, Perséfone tinha mesmo ficado meio tang demais depois de superada aquela horrível fase dark no Hades.
— Édipo, meu gato! — ela gritou. — Nossa, quanto tempo. Desde aquela tarde em Elêusis, quem diria? — Começou a falar outra abobrinha qualquer, mas interrompeu-se com um grito: — Por Palas-Atena, baby: você viu bem onde amarrou seu cavalo?
— Perua! — interrompeu a Medusa. — Eu já dei o toque pra ele.
Perséfone fez que não ouviu. Já tinham rolado uns lances entre elas no verão passado, em Creta (Medusa calçava 52, bico largo). Super-heavy: Perséfone preferiu tirar o time. Mais ainda depois que conhecera Teseu, na musculação. Insistiu, como se Medusa não existisse:
— Mas me diz, meu bem: você viu onde amarrou seu cavalo?
— Eu não vejo, pô — rosnou Édipo. — E você que vê, por Cronos, poderia me fazer o enorme favor de dizer, Parcas, onde…
Perséfone era muito dispersiva. Nesse momento olhou para cima e viu o inconfundível acrílico da asa-delta de Ícaro. Chamou:
— Ícaro! Ícaro, desça já-já aqui, seu piradinho!
Ícaro desceu. Não porque tivesse ouvido (ao voar, usava sempre headphones com som de Philip Glass: dava o maior clima), mas por coincidência tinha olhado para baixo e visto os três. Quatro com Pégaso.
— E aí, lasanha? Dando banda? — Perséfone era demais galinha.
— Estou procurando Apolo — respondeu Ícaro, muito digno.
Baixo-astral como era, Medusa não perdeu a oportunidade:
— Apolo? Acabei de vê-lo com Narciso, nos Jardins com as Hespérides. Aliás, nunca vi Narciso tão bonito. Herítia apresentou uns pomos pra eles, e você precisava ver, que gracinha, Apolo dando pedacinhos pra ele …
Ícaro ficou lívido. Estava a ponto de rodar a cariátide quando Perséfone, diplomatiquérrima (era Libra), cortou:
— Você conhece Édipo, Ícaro?
— Prazer — disse Ícaro, estendendo a mão. — Ícaro.
— Édipo — disse Édipo, uma mão nas rédeas, outra tateando no ar. — Escuta, você não é o filho de Dédalo?
— Você conhece meu pai? Ele… — Ícaro parecia encantado, mas interrompeu-se com um grito: — Por Vulcano, Édipo! Você viu bem onde amarrou seu cavalo?
Foi então que Édipo sacou que a situação era realmente grave. Soltou as rédeas e disse aquela frase que acabou entrando para a História: — Por Zeus, vocês que veem querem parar com essa galinhagem e me dizer de uma vez por todas: onde foi que eu vim amarrar meu cavalo?

“Lá vai a louca” todos dizem, alguns até com compaixão
Será louca, será sã, será lúcida? Como saber
Segue sem destino, sem ver e sem ouvir e sem falar
Mão crispadas, braços endurecidos, corpo curvado
“É louca”, repetem. Ela vai adiante, sem ter onde chegar.
Ela amou. Amou alguém apaixonadamente, mais que a si
Amou muito mais do que alguém já amou um dia
E esperou e acreditou. Por isso muito sofreu.
Para não ver sua partida, ela arrancou os olhos
E estourou os ouvidos para não ouvir o adeus.
Cortou a própria língua para não implorar que ficasse.
Seus braços e mãos se contraíram, para não mais abraçar
Calou na alma todos os tormentos, morreu por dentro
E desde então anda, a esmo, pelas ruas, calada, cega e surda.
“Ela é louca”, todos dizem. Mas ela não os ouve, sequer os vê
Mal pressente os perigos, escorraçada, por vezes apedrejada
Nada sente, nenhuma dor. Esgotou a capacidade de doer
De sentir, de chorar, de se lamentar. Nada lhe resta.
“É louca”. Não, não é mais louca. Agora é só uma coitada
Foi louca, sim, um dia em seu passado,
Louca quando amou mais do que devia.
(Imagem: banco de imagens Google)

Quero portas abertas Quero janelas destrancadas A alma escancarada A vida sem medida Na hora em que o amor vier Entrará sem mesmo bater E se a paixão transbordar O sorriso a acolherá Quero brisas outonais Que espalhem as folhas secas Com seus ruídos do passado Quero sol de primavera Que me traga um cheiro de flores E as lembranças da infância Com gosto de doces caseiros Feitos em fogão de lenha Quero calor de verão Sobre a areia da praia Um mar de poucas ondas E paz de velas bem rizadas Quero a intensidade do inverno Com frio na medida certa Um bom copo de vinho E aconchego de um abraço Quero ouvir música dos anjos No vento que me acaricia O murmúrio suave da água Na gotas da chuva que cai E sentir a pele se entregar À suavidade do sol da manhã Comungar os dons da natureza Partilhando a beleza de viver Quero o altivo voo das águias Por sobre todas as cordilheiras Quero a paz de um colibri Quando encontra a flor buscada Quero ouvir os sons da música Que a andorinhas compõem nos fios Quero escrever toda a poesia Que só o amor pode construir E, depois de viver tudo isso Se alguém me perguntar Como pude viver tão intensamente, Direi pergunte à paixão, ela que me fez assim Porque ela me fez tanto amar E me fez assim tão feliz, Só ela poderá responder E ela dirá então: encontrei as portas abertas...
(Imagem: Pinterest)

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito.
(Imagem: banco de imagens Google)

Juntos mergulhamos nessas límpidas águas Que se formaram nas nossas nascentes Que surgiram de nossa profunda existência Águas que mataram nossa sede de amar Essas águas nos mantiveram vivos Guardaram nosso doce e imenso segredo Cada qual, por seu lado na invencível distância Desenhando um caminho, um curso frágil e discreto Na mesma direção, em sentidos opostos Essas águas sempre souberam que iriam se encontrar Que seus destinos seria o inevitável encontro Quando então se abraçariam e se fundiriam Para sempre seriam uma só, entrelaçadas A partir desse dia um só passado, um só futuro... Essas águas se juntaram e nos uniram Criando esse remanso no rio de nossa vida
(Imagem: Lola Serrano, banco de imagens Google)