Memória do blog – Cacos

Vidrio Roto Shattered Cristal - Foto gratis en Pixabay

Não ouviu o ruído do cristal se partindo.

Sentiu o coração apertado ao constatar a perda

Mesmo sendo antigo, mesmo desgastado pelo tempo

Era algo que trazia consigo há algumas décadas,

E não desejava ver tudo destruído tão de repente.

Olhou os pedaços espalhados brilhando sobre o tapete

Abaixou-se e começou a recolher cada brilho, cada fagulha

Alguns, mesmo lindos, mesmo pequenos, feriam seus dedos

Fazendo sangrar as lembranças de tempos idos, distantes

Tantos caquinhos que juntos tinham formado esse todo

Que agora chegava ao fim. Como a própria vida,

Tudo encontra seu fim, de alguma maneira, anunciada

Ou inesperada, mas há um momento em que se acaba.

Tentou, ainda, colocar cada pedacinho em seu lugar

Na frágil esperança que tudo poderia ser reconstruído.

Viu que era irrecuperável. Acabou de ajuntar

Todos os cacos ali espalhados, como lágrimas caídas

Colocou com carinho em um mesmo potinho

E, sentindo os olhos se umedecerem,

Jogou fora o que sobrara daquilo que um dia

Até mesmo chamara de amor. Mas acabou.

(Imagem: banco de imagens Google)

Sem fim

Não querer sentir  pode ser amar
Desistir pode ser continuar
a vida é feita de enigmas
de jogos e muito sofrimento.
A maior de todas as derrotas
não é perder a luta ou batalha
mas a maior derrota é desistir.
O destino põe todos à prova:
passa rasteira, dá golpe baixo,
para testar a capacidade
da resistência de cada um.
Por isso, não desista de nada - 
Nem da vida, de mim, nem de você, 
insista, persista, permaneça
que só vale a pena viver a dois. 
Tenha sempre sua alma aquecida. 
Nunca deixe seu coração esfriar. 
Ou o amor morrerá de frio.
Venha, segure sempre a minha mão.
Sua asa solitária nunca o
levará ao alto ou longe que
sonhou. Use a minha. Vamos juntos.
Vamos voar além da realidade
Vamos voar todos nossos sonhos...
    
(Imagem: banco de imagens Google)












Reticências…

Visualização da imagem
Adoro reticências...
Aqueles três pontos intermitentes
que insistem em dizer que nada
está fechado, que nada acabou,
que algo sempre está por vir!
A vida se faz assim!
Nada pronto, nada definido.
Tudo sempre em construção.
Tudo ainda por se dizer...
Nascendo...
Brotando...
Sublimando...
Vivo assim...
Numa eterna reticência...
Para que continuar ponto final! 
O que seria de nós sem a 
expectativa de continuação...
(autoria desconhecida)

(Imagem: foto de Maria Alice)

Memória do blog – Turbilhão

A vida nada mais é que uma sucessão de emoções – sonhos, desejos, satisfações, frustrações, tristezas, alegrias, esperança e desesperança. Às vezes quando estamos realmente felizes, freamos nosso sentir, por medo da tristeza que virá em seguida para cobrar o preço da felicidade. Como se não tivéssemos o direito de sermos felizes.

E todas essas emoções se sucedem – por vezes se atropelam – em nossa alma e nos deixam sem norte.

Hoje você vai dormir feliz, satisfeita, cheia de esperanças de realizar um sonho. A madrugada, com suas mãos frias e invisíveis, revira tudo e de manhã você desperta imersa em tristeza, frustração, desesperança e sem nenhuma alegria.

O que houve, se você apenas adormeceu? Adormeceu em um mundo e despertou em outro? Que magia é essa que transformou sua vida enquanto você não velava pelo seu destino, pelo seu amor? Ingenuidade, excesso de confiança? Sua certeza de ter as rédeas da vida em suas mãos, e que, portanto, só haverá mudança de acordo com seu querer?

Mas o destino é traiçoeiro, prepara mil armadilhas. E quando você relaxa, acreditando que finalmente atingiu seu nirvana, cruel turbilhão surge arrasando tudo e você percebe que, na verdade, nunca deteve as rédeas da vida, e que suas mãos sempre estiveram – agora estão mais ainda – completamente vazias.

Dia de poesia – Cecília Figueiredo – Solilóquio

File:Francesco Hayez - Rinaldo and Armida - WGA11209.jpg - Wikipedia
Ama-me tonto, e ama-me são.
De ti não almejarei as ansiedades
que botam para fora os animais que te habitam
e não desejarei as falsidades
que o vinho te provoca e que o fumo te acende.
Ama-me como se eu fosse a casta ovelhinha
e tu foste o ladrão,
aquele que deseja acima dos propósitos.
E se tiveres que vender a ovelhinha, vende-me
e se tiveres que matar a ovelhinha para que teu
nome não se suje,
mata-me também,
mas antes, ama-me com saúde, e ama-me alegremente,
enquanto não chegue o desaparecimento
de um de outro na transmutação do nosso amor.

(Imagem: RInaldo e Armida, pintura de Francesco Hayez)