Dia de poesia – Olavo Bilac – Nel mezzo del camin

ACEES – Associação do Consultores do Tesouro do Estado do Espírito Santo

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo
.

(Imagem – banco de imagens Google)

Paz

Papel de parede : 2560x1440 px, anjo, Axwell, Pássaros, Sol eterno da Mente  sem Lembranças, flutuando, geléia, medusa, farol, Luzes, Labirintos,  pirâmide, espaço, Astronauta, Balanços, embaixo da agua 2560x1440 -  wallpaperUp -

Voo cego – solidão não é liberdade

Abismos esperam o passo em falso

Precipícios da alma, escuridão no dia claro

As flores se despetalaram ao vento

A vida se desfez em um breve instante

O que era já não está mais

O que existia não mais acontece

Tudo é nuvem que se desfaz e desaparece

Não é mais preciso remar – viver à deriva

Que a vida não vale a pena ser vivida

Rochedos esperam depois da curva

Fechando de vez o caminho incerto

Já não há para onde ir

A noite cai em uma vida inútil

E então, finalmente, sem sofrimento,

Sem lágrimas, sem dores – em paz,

Alma e corpo irão descansar –

Flutuar na eternidade

(Imagem: banco de imagens Google)

Poesia da casa – Mar e paixão

Roca en el mar

Era um mar

Um grande e sereno mar

Um leve balanço

E uma imensidão

E era um rochedo

Ancorado no meio do mar

À espera de marinheiros incautos

Um porto ou um perigo?

Um descanso ou ameaça?

Um lugar para chegar

Ou de onde se fugir?

E era um amor

Um grande e sereno amor

Uma promessa de calma

E uma esperança

E era uma paixão

Ancorada no meio da vida

À espera de amantes incautos

Um porto ou um perigo?

Um descanso ou ameaça?

Um lugar para chegar

Ou de onde se fugir?

(Imagem: banco de imagens Google)

Poesia da casa – Meu encanto

Grey Love Heart Made Ash Stock Photo (Edit Now) 157030175
Foi um vendaval – um forte e quente vento de verão

Que se aproveitou de uma janela esquecida aberta

E subitamente adentrou neste velho coração

E trouxe dúvidas para a essa vida que estava certa


Não consegui contê-lo, e assim também não me contive

E se anoiteci na rotina de tantas tristezas antigas

Amanheci renovada, na paixão incontida

Reavivada no calor dessas lembranças amigas


Tsunami, temporal, sensações passadas

Desejo, saudade, palavras esquecidas

Torvelinho fatal do que estava resolvido



Fecho hoje com cuidado as janelas – agora já cerradas

E as cinzas, que esvoaçaram doidas, voltam, entristecidas

A cobrir de novo as brasas de um coração adormecido.

Dia de poesia – Cecília Meireles – Canção

Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!


Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!


Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo…