Poesia da casa – Anoitece

Fases da Lua #moon #night #Lua-cheia | Lindas paisagens ...

Quando o dia se esvai, tudo é silêncio,

e a noite, suave, traz a lua e seu encanto,

na hora em que nada mais se espera,

penso em tudo enquanto penso em nada;

eu me recolho no vazio de minha alma,

para deixar fluir toda essa ternura

e sonhar que não há tristezas na vida

e ter a certeza de que estamos juntos.

Que vontade eu sinto de você,

que saudade eu sinto de nós dois;

venha me tocar do jeito que só você me tocou,

venha me falar as palavras que só você já falou,

venha, meu amor, ser meu ninho e serei seu aconchego,

Venha me amar da forma que nunca ninguém me amou.

(Imagem: Banco de imagens Google)

Haicais – Poesia da natureza

Cintila na noite

Riscando a escuridão

   – Lindo vagalume

                                         Caiu uma gota

                               com força outras vieram

                                     começa a chover

     São fortes as cores

das asas das borboletas

      – flores a voar

Memória – O tempo não passa

Nessa hora morta entre o final da tarde e o anoitecer, o dia já se foi, mas a noite ainda não chegou. Hora de saudade doer, de ansiedade surgir, de fazer um balanço do dia – e sempre o resultado é negativo.

Dizem: “anoiteceu, acabou o dia, o tempo passa rápido…”. Não, isso não é verdade.

Nós passamos e o tempo fica, ainda que os homens acreditem que o tempo é que passa. Não, o tempo fica.

Todos os dias amanhece, entardece e anoitece. Igualmente.

Não há dia nem noite envelhecidos, nem de cabelos brancos, nem alquebrados.

Podem ser chuvosos ou luminosos. Nublados ou ensolarados. Mas com vida. Sempre. O tempo não se cansa. Não se desgasta. Apenas existe.

Enquanto a humanidade envelhece, apodrece, se torna incômoda.

Os homens passam, as gerações se findam, ninguém mais se lembra de quem estava aqui há cinquenta anos atrás.

Mas todos sabem como foi o dia de hoje há cem anos atrás: amanheceu, entardeceu e anoiteceu. Com ou sem sol. Com ou sem lua. Mas estava aí, exatamente como o dia de hoje.

O tempo não é cruel. Cruel é a vida, que nos açoita continuamente. Cruéis são os sonhos, que nos iludem e nos decepcionam porque não se realizam.

Cruel é apaixonar-se e ficar sofrendo em solidão aguda.

Cruel é a fragilidade do corpo humano.

O tempo, ah, o tempo é indiferente às misérias dos homens. Apenas se limita a assistir a batalha diária dessas criaturas insignificantes diante da grandeza da eternidade.

(Imagem: Banco de Imagens do Google)

Memória do blog – Silêncio pelo menino morto

O menino deitado na areia

Adormeceu

Espera por seu pai

De quem se perdeu.

O menino deitado na areia

Fugiu de sua pátria

Fugiu da guerra e do horror

Fugiu da fome e da violência.

No vento frio da noite

Segurava na mão de seu pai

O menino deitado na areia

Tinha pai, tinha mãe e irmão.

No vento da noite o balanço do mar

No frio da noite as ondas imensas

No escuro da noite seu corpo no mar.

Não viu onde foi seu irmão

Não ouviu mais a voz de sua mãe

Não achou mais a mão de seu pai.

E as ondas do mar levaram o menino

E o deixaram na beira da praia.

Adormecido ali ficou o menino.

O pequenino na areia da praia.

Rostinho virado de lado não viu

A cem metros estava seu irmão

Deitado na areia da praia

Dormindo na beira do mar.

Não mais se deram as mãos

Não mais se viram os rostos.

O menino deitado na areia

Deixou um planeta chocado

Sacudiu o conforto de todos

Arrancou lágrimas de dor

Porque não brincava o menino

Não aproveitava a alegria da praia

O menino deitado na areia

Fugindo do horror e da guerra

Não dormia o menino na areia:

Estava morto o menino

Deitado na areia da praia

Morrera nas ondas do mar.