
Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Poesia da casa – Rimance

Dou um passo e outro passo Seguindo nesse caminho Sem começo e sem fim Sem sucesso sem fracasso Só há um mesmo compasso Que bate em meu coração Segue o vento, busca a chuva E a cada dia eu refaço Vivendo no passo-a-passo Da vida sem emoção Às vezes há dor, há pranto e minha história repasso Mas quando tenho esse abraço E a paixão tudo domina Entrego-me sem medidas Nestas mãos que são meu laço Já não sobra mais espaço A alegria tudo invade Quando então me abandono Nesse peito em que me enlaço (Imagem - banco de imagens do Google)
Poesia da casa – Um ponto de luz

Você existe e eu existo.
Isso me basta.
Mantém em mim acesa essa chama
Da paixão e do desejo.
A distância é indiferente
Em algum lugar do cosmo
Dois pontos de luz
se aproximam e se cruzam
Por um instante se tocam
E se tornam um único ponto
No momento sublime
Desse encontro impossível
Em respeito o sol se recolhe
E no escuro da noite
Quando a lua aparece
E cheia de ciúme tenta
Encobrir aquele encontro
Ilumina-se com a luz desse ponto
Instante em que a natureza emudece
Deslumbrada pela luz intensa
Que emana de tanta paixão
Enquanto a distância desaparece
(Imagem – Quasar do banco de imagens Google)
Poesia da casa – Brincadeira
Vamos conjugar o verbo amar
Eu te digo – eu te amo!
Você me responde – eu te amo!
Mas só no presente do indicativo
Não quero as falsas promessas do futuro
Nem as lágrimas do pretérito sempre imperfeito
Depois vamos brincar de abraçar
Eu abro meus braços e vou até você
Você abre seus braços e vem até mim
E nos encontramos no meio do caminho
Assim nos abraçamos fortemente
Em um abraço que não tem mais fim
Depois faremos o ritual de separar
Você me diz “eu te odeio” e então
Eu olho para você com olhos de desprezo
Não precisaremos inventar desculpas
Eu seguirei meu caminho solitário
E no sentido oposto você partirá.
Memória – Relógio
Eu quero hoje um novo relógio,
diferente de todos os outros
que tenho ou que um dia já tive.
Um relógio com sábios ponteiros.
Que não venham apenas para mostrar
e marcar horas, minutos e segundos.
Mas ponteiros que marquem alegrias,
sorrisos e também os encantos.
Que marquem as horas mais felizes,
todos os minutos de espera
e os segundos de paixão ardente.
Quero um relógio que não me desperte
no meio de um sonho que quero sonhar.
Que deixe meu sono fluir quando estou
adormecida no aconchego do amor.
Quero esse relógio especial,
que me ajude a dormir e a sonhar.
Que apague todos os maus ruídos,
e me embale em suave melodia.
Relógio novo que me acorde para a vida,
sem ouro nem prata, apenas simples,
mas seja capaz de me abrir a janela
de um novo horizonte, um novo viver.
De Clarice Lispector – Como você me vê
Sou como você me vê… posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar…
suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato…
tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdoo logo.
Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre… Tenho felicidade o bastante para ser doce, dificuldades para ser forte, tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz.
Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre…
Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só… Sou um ser… a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.