Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Memória do blog – Há dois anos – Dia do abraço

Recebi, hoje, várias mensagens referentes ao “dia do abraço”.
Eu nem sabia que existia um dia do abraço. Sempre pensei que abraços fossem dados diariamente, gratuitamente, por prazer e com alegria.
Mas, descobri que há um “dia do abraço”…
Há pessoas que eu queria tanto abraçar e delas receber um abraço.
Mas aquele tipo de abraço que envolve, acarinha, aconchega, dá paz e vontade de nunca mais sair dali, de tão gostoso que é.
Pessoas que abraço sempre e gosto de abraçar.
Pessoas que nunca mais abracei, mas tenho muita saudade de abraçar e ser abraçada.
Aquele momento único dentro de um abraço, quando os corações se encontram e batem dentro do mesmo compasso, dizendo um ao outro: “ estou aqui, estou com você; pode contar comigo”.
Sempre achei que o abraço foi uma das maiores descobertas – ou invenções? – da humanidade. Nada é tão confortável quanto um abraço de verdade, dado com emoção.
Só uma coisa me preocupa: pode-se abraçar nos outros dias do ano, ou só hoje?
Dicionário emocional
ADEUS: quando o coração que parte deixa metade com quem fica
AMIGO: alguém que fica para ajudar quando todos já se foram
CIÚME: quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo
CARINHO: quando não encontramos nenhuma palavra para expressar que sentimos e deixamos que as mãos falem por nós
LEALDADE: quando se prefere morrer a trair o outro
LÁGRIMA: quando o coração pede aos olhos que falem por ele
MÁGOA: espinho que colocamos no coração e depois esquecemos de retirar
PESSIMISMO: quando perdemos a capacidade de ver em cores
SOLIDÃO – quando estamos cercados de pessoas mas o coração não vê ninguém por perto
(desconheço a autoria)
Dia de poesia – Isabel Machado – Nua

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba…
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura…
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios…
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer…
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua…
Poesia da casa – Folha seca

Arrastada vai a folha, pelo vento, pela brisa Ora para, ora voa, não tem repouso ou guarida Tão queimada pelo sol, tão saudosa de seu galho Segue a folha seu destino, sonha chegar ao regato Depois de tanto sofrer, é sol, é sede, é cansaço Finalmente vem a chuva e a leva a enxurrada Sente a folha muita alegria, ao ser tocada pela água fresca Vai cantando sorridente, encontrar o seu destino. Não sabe, porém, a folha, da força de uma torrente Quando enfim encontra o rio, está muito machucada Folha seca encharcada, toda quebrada e rasgada Já não pode ver o arroio, já não sente a acolhida Assim é meu coração, seco de tanto desamor Buscando o frescor de um querer Sonhando com uma paixão Que nunca irá conhecer
Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Soneto do amor maior

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo