Memória do blog – Há dois anos – Dia do abraço

Recebi, hoje, várias mensagens referentes ao “dia do abraço”.

Eu nem sabia que existia um dia do abraço. Sempre pensei que abraços fossem dados diariamente, gratuitamente, por prazer e com alegria.

Mas, descobri que há um “dia do abraço”…

Há pessoas que eu queria tanto abraçar e delas receber um abraço.

Mas aquele tipo de abraço que envolve, acarinha, aconchega, dá paz e vontade de nunca mais sair dali, de tão gostoso que é.

Pessoas que abraço sempre e gosto de abraçar.

Pessoas que nunca mais abracei, mas tenho muita saudade de abraçar e ser abraçada.

Aquele momento único dentro de um abraço, quando os corações se encontram e batem dentro do mesmo compasso, dizendo um ao outro: “ estou aqui, estou com você; pode contar comigo”.

Sempre achei que o abraço foi uma das maiores descobertas – ou invenções? – da humanidade. Nada é tão confortável quanto um abraço de verdade, dado com emoção.

Só uma coisa me preocupa: pode-se abraçar nos outros dias do ano, ou só hoje?

Dicionário emocional

ADEUS: quando o coração que parte deixa metade com quem fica

AMIGO: alguém que fica para ajudar quando todos já se foram

CIÚME: quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo

CARINHO: quando não encontramos nenhuma palavra para expressar que sentimos e deixamos que as mãos falem por nós      

LEALDADE: quando se prefere morrer a trair o outro

LÁGRIMA:  quando o coração pede aos olhos que falem por ele

MÁGOA: espinho que colocamos no coração e depois esquecemos de retirar

PESSIMISMO: quando perdemos a capacidade de ver em cores

SOLIDÃO – quando estamos cercados de pessoas mas o coração não vê ninguém por perto

(desconheço a autoria)

Poesia da casa – Folha seca

Isolado Folha Seca No Chão Fotos do acervo - FreeImages.com
Arrastada vai a folha, pelo vento, pela brisa
Ora para, ora voa, não tem repouso ou guarida
Tão queimada pelo sol, tão saudosa de seu galho
Segue a folha seu destino, sonha chegar ao regato

Depois de tanto sofrer, é sol, é sede, é cansaço
Finalmente vem a chuva e a leva a enxurrada
Sente a folha muita alegria, ao ser tocada pela água fresca
Vai cantando sorridente, encontrar o seu destino.

Não sabe, porém, a folha, da força de uma torrente
Quando enfim encontra o rio, está muito machucada
Folha seca encharcada, toda quebrada e rasgada
Já não pode ver o arroio, já não sente a acolhida

Assim é meu coração, seco de tanto desamor
Buscando o frescor de um querer
Sonhando com uma paixão
Que nunca irá conhecer



Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Soneto do amor maior

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Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo