Memória do blog – Alma cativa

O homem é uma prisão em que a alma permanece livre. (Victor Hugo)

290 ideias de Estilhaça me em 2021 | personagens de livros, trilogia  estilhaça-me, série de livros

Uma alma aprisionada sonha com a liberdade de ir. Ir a qualquer lugar, perto, longe, outro país, outro planeta.

Mas ir.

Porque às vezes se chega a um ponto que não dá mais para ficar.

E a alma, livre por natureza e vocação, sofre com as grades que a cercam que a limitam, que a aprisionam.

Aprisionada ela não é mais alma, como um pássaro cativo que perde sua natureza de pássaro e canta de desespero e não de alegria.

Ir a lugares novos, nunca vistos nem visitados, desde a alma de outras pessoas até outros mundos bem distantes.

E voltar aos lugares onde viu a felicidade, onde encontrou o prazer. Rever lugares onde nunca esteve, mas sonhou e sabe que existem.

Ir novamente às melhores paisagens, aos mais caros rincões cuja existência ninguém mais conhece, mas que por ter estado lá nunca pode esquecer.

Voltar a um momento tão distante, tão passado, tão fugaz, mas que ficou vivo na alma como brasa na carne.

E assim, presa, sonha com a liberdade que também nunca teve.

Triste sina das almas que não são livres.

Triste vida das pessoas que se deixam aprisionar.

(Imagem Pinterest)

Navegando

Quando você fez de mim o seu barco

E em mim você navegou por novos mares

Em meio às ondas onde o levei eu fui tão feliz

Mas chegados dias tristes dos temporais

Que a vida então nos trouxe e nos pegou em pleno mar

Naufragamos e nos perdemos de nós mesmos

Então, ao longe, você foi meu farol

E me deu toda a segurança

Guiando meu novo solitário navegar

Para que eu sobrevivesse e

Conseguisse enfim respirar

E pudesse recomeçar

Depois, na sua vez de chegar, eu me tornei o seu cais

Deixei que em mim você atracasse

Colocando um ponto final na sua busca

Quando você enfim chegou a seu velho porto

Dei-lhe, novamente, com alegria minha mão

Para, juntos, à vida retornarmos

Dia de poesia – Vinicius de Moraes – A porta

Sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Não há nada no mundo
Mais viva que uma porta

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado

Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Eu fecho tudo no mundo
Só vivo aberta no céu!

Au 1er mai, à toi je t’offre um muguet de bonheur (em reprise)

RANDO DU MUGUET A St FLORENT DES BOIS | Association ECLA

Flores, os adornos da natureza, são, também, símbolos nas relações humanas.

São ofertadas no dia dos namorados, dia das mães, aniversários, estão nos buquês de noivas, nas coroas dos velórios, ornamentam casamentos, lapelas…

Uma mulher que nunca recebeu uma flor, um buquê de flores ou um arranjo de flores, nunca será uma mulher completa, feliz. As flores dizem mais que joias ou qualquer presente caro.

Rosas, cravos, camélias…

Algumas têm significados especiais. Por exemplo, a pequena e rara edelweiss. Cujo ato de ofertar significa mais que o amor, a coragem do rapaz que escalou escarpas para colhê-la, tradição alpina da região do Tirol, de onde é símbolo.

E, na França, temos a singela muguet-du-bois. A pequenina e delicada florzinha branca. A flor da sorte. E também a flor da felicidade.

Essa flor é oferecida no dia 1º de Maio. Por isso também chamada, lá nas terras de Balzac, de Flor de Maio. De início, diz-se que no século XVI, era colhida para festejar e enfeitar as noivas, no início dos dias mais quentes, depois dos rigorosos invernos europeus.  

Durante o reinado de Charles IX, alguém lhe ofereceu um ramo de muguet-du-bois, em um dia 1º de Maio. Encantado com o gesto, o rei ordenou que todo dia 1º de Maio deveria ser dada essa flor a todas as moças solteiras do reino. Verdade? Lenda?

Não há como saber. Ele ficou conhecido como “maluco”, responsável pelo terrível massacre da Noite de São Bartolomeu, pois é difícil acreditar que se emocionasse com uma singela florzinha branca.

De qualquer forma, seja qual for a origem do gesto, este perdurou e no dia 1º de Maio as delicadas muguets-du-bois são oferecidas entre os franceses.

Por ser também comemorado o Dia do Trabalho no dia 1º de Maio, os trabalhadores adotaram a troca dessas flores como símbolo do trabalho.

Assim, passando de um significado para outro, persiste, ainda, o costume – lindo, diga-se de passagem, de se ofertar um muguet-du-bois, agora chamado muguet de bonheur nesse dia.

Por isso, a todos, franceses e brasileiros que cultivam tradições, ofereço a cada de um de vocês, para esse 1º de Maio, desejando que tenhamos um mês novo, livre, feliz, , um ramo virtual de muguet du bonheur:

Molinard : Tous les produits et les avis consommateurs - Beauté ...

Benditos

Leveza

Benditos sejam, os que chegam em nossa vida em silêncio, com passos leves para não acordar nossas dores, não despertar nossos fantasmas, não ressuscitar nossos medos.

Benditos sejam os que se dirigem a nós com leveza, com gentileza, falando o idioma da paz para não assustar nossa alma.

Benditos sejam os que tocam nosso coração com carinho, nos olham com respeito e nos aceitam inteiros com todos os erros e imperfeições.

Benditos sejam os que podendo ser qualquer coisa em nossa vida, escolhem ser doação.

Benditos sejam esses seres iluminados que nos chegam como anho, como flor ou passarinho, que dão asas aos nossos sonhos e tendo a liberdade de ir, escolhem ficar e ser ninho.

(desconheço a autoria)