Eu (texto anônimo)

Eu me amo, por todas as vezes que ninguém me amou…

Eu me respeito, por todas as vezes ninguém me respeitou…

Eu me aceito, por todas as vezes que as pessoas me julgaram…

Eu me abraço, por todos os abraços que eu perdi…

Eu beijo, por todos os beijos que não me deram…

Eu me sustento, por tantos momentos difíceis que passei sozinha…

Levanto, por tantas vezes que caí…

E eu me aplaudo por tantas vezes que me levantei…

E sorrio, pelas tantas vezes que chorei…

Mas, acima de tudo, me perdoo por ter acreditado que tudo o que eu precisava estava fora…

Agora eu sei que não é assim, e que em mim havia aquele amor, aquele respeito, aquela aceitação, aquele abraço e aquele beijo; aquele apoio que sempre me levantou, e aquele aplauso das minhas próprias mãos que o sorriso me devolveu…

Sim, quem eu mais precisava era sempre eu mesma, só demorei anos para perceber isso…

Anos que foram passando e que hoje estão ficando mais leves…

Porque hoje eu voltei para casa…

Hoje estou em mim…

Hoje voltei para mim…

Hoje eu vivo para mim…

Hoje eu acredito em mim…

Hoje eu me amo…

Para hoje e sempre!

(Imagem: banco de imagens google)

Memória, há 02 anos – Dicionário emocional

ADEUS: quando o coração que parte deixa metade com quem fica

AMIGO: alguém que fica para ajudar quando todos já se foram

CIÚME: quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo

CARINHO: quando não encontramos nenhuma palavra para expressar que sentimos e deixamos que as mãos falem por nós      

LEALDADE: quando se prefere morrer a trair o outro

LÁGRIMA:  quando o coração pede aos olhos que falem por ele

MÁGOA: espinho que colocamos no coração e depois esquecemos de retirar

PESSIMISMO: quando perdemos a capacidade de ver em cores

SOLIDÃO – quando estamos cercados de pessoas mas o coração não vê ninguém por perto

(desconheço a autoria)

(Imagem: foto de Carlos Eduardo Ferreira)

Dia de Poesia – Fernando Pessoa – Na véspera de nada

Na véspera de nada

Ninguém me visitou.

Olhei atento a estrada

Durante todo o dia

Mas ninguém vinha ou via,

Ninguém aqui chegou.


Mas talvez não chegar

Queira dizer que há

Outra estrada que achar,

Certa estrada que está,

Como quando da festa

Se esquece quem lá está.

(Imagem: Ilustração de Ilustr. S. Hee – Correia do Sul, 1963)

Momento de poesia – Victor Hugo – Demain, dès l’aube

Quando um pai não supera a morte de uma filha…

Demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,
Je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends.
J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.
Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.

Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,
Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,
Seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées,
Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.

Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe,
Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,
Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe
Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.