Categoria: DeAlice
Poesia da casa – Remanso

Águas límpidas, nascentes súbitas onde os corações, barcos ansiosos encontram um ponto de chegada e se ancoram, agora sossegados Sem passado nem futuro nada buscam nem esperam apenas se deixam ficar, seguros em um suave balançar Essas águas se fundiram se misturaram e fizeram apenas uma tão límpida, tão fresca, transparente a calma em meio a tanto caos Da mesma forma que esses dois barcos companheiros de chegada e de destino, assim nossos corações se ancoraram no remanso deste amor que nos uniu
(Imagem: Foto de Carlos Eduardo Ferreira)
Tempos de despedida
Quando se vê a emoção desses estudantes da Faculdade de Direito de Coimbra em sua despedida, (além da beleza da canção que essa turma apresentou), dá vontade de voltar aos tempos da velha faculdade, de conviver com os colegas, em um tempo de sonho, quando ainda havia um futuro a nos esperar…
Dia de Poesia – Florbela Espanca – Versos de orgulho

O mundo quer-me mal porque ninguém Tem asas como eu tenho! Porque Deus Me fez nascer Princesa entre plebeus Numa torre de orgulho e de desdém. Porque o meu Reino fica para além ... Porque trago no olhar os vastos céus E os oiros e clarões são todos meus! Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém! O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor? __O jardim dos meus versos todo em flor ... A seara dos teus beijos, pão bendito ... Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ... __São os teus braços dentro dos meus braços, Via Láctea fechando o Infinito
(Imagem: Pinterest)
Texto de Clarice Lispector – Poema inacabado

Eu sou um poema inacabado que ninguém nunca leu.
Eu sou a paisagem daquele quadro que o pintor não terminou.
Eu sou uma tarde quente de verão em que não choveu.
Eu sou aquele rio que secou antes de alcançar o mar.
Eu sou aquele sonho bonito que ninguém realizou.
Eu sou a escultura quase perfeita que caiu da mão e quebrou.
Eu sou aquela paixão gostosa que por medo, alguém sufocou.
Eu sou o amor que alguém esperava mas nunca chegou.
Eu sou metade do que eu desejava ser… o dobro do que eu nunca esperei…
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Eugénio de Andrade – Urgentemente

É urgente o amor. É urgente um barco no mar. é urgente destruir certas palavras. ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer
(Imagem: foto de Maria Alice)