Poesia da casa – As naus

As naus partiram
Uma a uma, deixaram o porto
E se foram para sempre
O grande mar as tragou
E elas sumiram
Num horizonte sem fim
Num balanço sem volta

As naus partiram
Como todos os amores
Que um dia deixam a alma
E se vão, mar da vida afora
Em busca de novos horizontes
Sem se importarem com a dor causada
Vão, felizes, seguindo as ilusões

As naus partiram
E aquele porto, agora vazio,
Guarda apenas o inútil cais
Que vê as naus diminuírem
Na medida que se afastam
As mesmas naus, ingratas,
Que sequer olham para trás

As naus partiram
Ignorando o pranto do cais
Que suporta tanto abandono
Que tanto pedia “leva-me junto,
Nau amada, não me deixes aqui”
E o cais, desesperado, agora vago,
Deixado para sempre no velho porto...
As naus partiram
Para quem parte, a aventura
A conquista, a novidade
E, para quem fica
O vazio do porto onde,
Até então, se abrigavam
Na ternura do cais amoroso

As naus partiram
Deixando um vácuo de amor, de paixão
E de vontade de viver
Um rastro de pranto dolorido
Um cais destroçado e ferido
Onde tudo é saudade
Tudo é angústia, desolação

As naus partiram
Chora o cais o desespero solitário
De se ver sozinho, sem porvir
Tudo ficou triste, vazio, 
Neste cais, coração abandonado, e sabe
Que as naus partiram
E não voltarão jamais

(Imagem: banco de imagens Google)

Para hoje, tudo isso… Desejos vãos… (Florbela Espanca)


Eu queria ser o Mar de altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!

Eu queria ser a Pedra que não pensa,

A pedra do caminho, rude e forte!


Eu queria ser o Sol, a luz imensa,

O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu queria ser a árvore tosca e densa

Que ri do mundo vão e até da morte!


Mas o Mar também chora de tristeza...

As árvores também, como quem reza,

Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!


E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,

Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as Pedras... essas ... pisa-as toda a gente! ...

Dia de Poesia – Pippo Bunorrotri – Ecos

En los ecos

de la noche,

cuando la luna

ilumina ilusiones

y anodinas promesas,

que cuelgan del hilo

de las horas que pasan,

destellos de adrenalina

hostigan la pasión

de la fantasía

de un deseo mortecino

en las brasas de una añoranza

que fue un sueño,

y en el universo apagado

de la razón de la mente

buscas esa lejanía

donde quizás el velero

de la certidumbre

navegue en el rumbo

que conviene

a las estaciones

de un destino

que desconoces.

(Imagem: banco de imagens Google)