Poesia da casa – As naus

As naus partiram
Uma a uma, deixaram o porto
E se foram para sempre
O grande mar as tragou
E elas sumiram
Num horizonte sem fim
Num balanço sem volta

As naus partiram
Como todos os amores
Que um dia deixam a alma
E se vão, mar da vida afora
Em busca de novos horizontes
Sem se importarem com a dor causada
Vão, felizes, seguindo as ilusões

As naus partiram
E aquele porto, agora vazio,
Guarda apenas o inútil cais
Que vê as naus diminuírem
Na medida que se afastam
As mesmas naus, ingratas,
Que sequer olham para trás

As naus partiram
Ignorando o pranto do cais
Que suporta tanto abandono
Que tanto pedia “leva-me junto,
Nau amada, não me deixes aqui”
E o cais, desesperado, agora vago,
Deixado para sempre no velho porto...
As naus partiram
Para quem parte, a aventura
A conquista, a novidade
E, para quem fica
O vazio do porto onde,
Até então, se abrigavam
Na ternura do cais amoroso

As naus partiram
Deixando um vácuo de amor, de paixão
E de vontade de viver
Um rastro de pranto dolorido
Um cais destroçado e ferido
Onde tudo é saudade
Tudo é angústia, desolação

As naus partiram
Chora o cais o desespero solitário
De se ver sozinho, sem porvir
Tudo ficou triste, vazio, 
Neste cais, coração abandonado, e sabe
Que as naus partiram
E não voltarão jamais

(Imagem: banco de imagens Google)

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