Categoria: DeAlice
Dia de poesia – Castro Alves – Beijo eterno

Quero um beijo sem fim, Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo, Beija-me assim! O ouvido fecha ao rumor Do mundo, e beija-me, querida! Vive só para mim, só para a minha vida, Só para o meu amor! Fora, repouse em paz Dormindo em calmo sono a calma natureza, Ou se debata, das tormentas presa, Beija inda mais! E, enquanto o brando calor Sinto em meu peito de teu seio, Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio, Com o mesmo ardente amor! Diz tua boca: "Vem!" Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama Todo o meu corpo que o teu corpo chama: "Morde também!" Ai! morde! que doce é a dor Que me entra as carnes, e as tortura! Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura, Morto por teu amor! Quero um beijo sem fim, Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo! Beija-me assim! O ouvido fecha ao rumor Do mundo, e beija-me, querida! Vive só para mim, só para a minha vida, Só para o meu amor!
(Imagem – Foto de Maria Alice)
Dia de poesia – Sol Holanda – Quando te encontrar

Quando te encontrar, não vou falar nada Vou olhar nos seus olhos Vou cair no seu abraço, Vou chorar nos seus braços Quando te encontrar, não vou falar nada , vou deixar você tocar meu rosto, pra enxugar as lágrimas que rolam. Quando te encontrar não vou falar nada, vou deixar que nossas Almas se falem, se toquem Quando te encontrar não vou falar nada, vou segurar sua mão e andar de mãos dadas Quando te encontrar, não vou falar nada, vou rir pra você e me encantar com o seu riso Quando te encontrar, não vou falar nada vou sentir a emoção de estar contigo Quando te encontrar, não vou falar nada, Vou deixar que nossas almas se falem, que Nossas almas finalmente se acalmem, se alegrem, por finalmente estarem juntas Quando te encontrar, não vou falar nada, pois nenhuma palavra será capaz de expressar o que sentimos
Memória do blog – Sonhar acordada
Je voudrais que tu sois là / que tu frappes à la porte et tu me dirais c’est moi / Devine ce que j’apporte Et tu m’apporterais toi. (Boris Vian – Berceuse pour les Ours qui ne sont)

Leio essa estrofe, e sonho. Sonho que pode ser verdade. Quando você batesse em minha porta, e simplesmente me trouxesse você, com que amor essa porta seria aberta, com que paixão eu diria para você entrar... Sonho com a felicidade que seria ver você voltando a alegria de saber de sua volta trazendo você de volta para mim...
Atire a primeira flor quem nunca sonhou com essa cena. Com essa chegada ou com esse retorno.
Vivemos na eterna espera da realização da paixão, essa força vital que nos mantém vivos e respirando.
Quando tudo naufraga, tudo afunda dentro e em redor de nós, a que nos agarramos? À paixão que segura nossa cabeça fora d’água e nos faz querer continuar vivendo. Para que? Para realizar essa mesma paixão.
A mais leve esperança de viver plenamente a paixão é a senha para o sonho, para a realidade, para a motivação vital.
A potência motriz de nossa existência é, simplesmente, a paixão.
Por tudo e por alguém.
E não existe o lado negativo em tudo isso?
Claro que existe.
A paixão nos torna saudosos, fantasiosos, gulosos, impacientes, destemidos, atrevidos, por vezes insones ou angustiados. Tudo bem. Faz parte.
Talvez a pior parte seja, mesmo, a saudade. Porque é a única que não depende exclusivamente de nós para ser aniquilada. E, pela saudade que corta mais do que faca afiada, nos tornamos sonhadores.
Sonhamos acordados com o momento encantado do reencontro.
Apaixonar-se é encantar-se. E encantar-se é ser enfeitiçado. Paixão é feitiço.
Tudo o que se quer é ter, frente a frente, ao alcance do abraço, a pessoa pela qual nos apaixonamos. A distância é a tortura do apaixonado.
Então, a cena modelo da realização de nosso sonho está nas palavras de Boris Vian, “Eu queria que você estivesse ali, que você batesse na porta e você me diria Sou eu. Adivinha o que te trago. E você me traria você”
(Imagem: banco de imagens Google)
Memória do blog – Perdão
“Te perdoo por me amares demais” (Chico Buarque)

Fala comigo!
Me acalenta.
Me permite cometer erros gramaticais,
seja em nome da licença poética
ou do meu amor por você.
Me permite chorar alto, te chamar
Me permite te perdoar
Me permite te permitir ser minha.
Por não ter entrado na sua vida antes,
te peço perdão.
Me perdoa por não me perdoar.
(Desconheço a autoria)
(Imagem: banco de imagens Google)
Texto de Manoel de Barros – Retrato
