Categoria: DeAlice
Dia de Poesia – Vladimir Maiakovski – O amor
Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
– Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo,
a mãe,
pelo menos a Terra.
(Trad.: Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)
Memórias do Blog – Há dois anos – O tempo… ah, o tempo…
L’homme n’a point de port, le temps n’a point de rive; il coule, et nous passons! (Alphonse de Lamartine)

Há um entediante repetir do tempo.
Sempre.
Depois do sábado, o domingo. Em seguida, a segunda-feira, e assim os dias se sucedem, sem se importar com as necessidades e vontades de cada habitante do planeta.
Por melhor que esteja o dia, por mais que muitos queiram que ele se prolongue, na hora prevista o sol se põe. Encerra o expediente e vai descansar do outro lado do mundo. E a noite chega.
Por mais que você deseje que essa noite se eternize, infalivelmente, amanhecerá.
Não se pergunta ao humano se ele quer mais umas horas no dia ou mais tempo na noite. Tudo ocorre fora de sua previsão.
Amanhece. Anoitece. Amanhece. Anoitece.
Sol e lua se sucedem indefinidamente. No momento em que o sol se retira, surge a lua, imponente, no alto do céu.
Às vezes se confundem, e há um brevíssimo encontro nos eclipses, mas logo retomam suas posições originais.
Cada um que se programe, se adapte e se conforme. Porque o tempo não é nosso.
E, se prestarmos muita atenção, veremos que todos os amanheceres são exatamente iguais. O sol não escurece, não desbota, não muda de posição do ponto de seu nascer e poente, não se adianta e não se atrasa. E assim também a noite. Tudo se repete de forma tão idêntica, que já nem se nota. Apenas se segue vivendo na sucessão de dias e noites.
E o tempo, implacável, a transformar os humanos em monstros, sempre impessoal e alheio.
Então vejo que na verdade, são os homens que passam – nascem, vivem, envelhecem e morrem. Na arrogante ilusão de que quem passa é o tempo…
(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)
A historieta do Capitão Valente

No tempo dos piratas, há muitos anos, existia um comandante de um barco que era chamado de “O Capitão”. Ele era muito valente e não temia nenhum inimigo.
Do alto do mastro o vigia avisava: Piratas! e o Capitão indagava: quantos barcos? “Cinco”, respondia o vigia. E o Capitão logo comandava:
“Homens, às armas. Todos a postos.”, virava para seu imediato e ordenava: “Traga minha camisa vermelha”.
O Capitão vestia a camisa vermelha e enfrentava o corpo-a-corpo com os piratas, sendo sempre vencedor.
De outra feita, vinha o grito “PIRATAS!!!”
“Quantos barcos?”
“Doze”
“Homens, às armas. Todos a postos.”
“Traga minha camisa vermelha”
E a batalha estava vencida. Não havia pirata que derrubasse o Capitão.
Uma noite, comemorando com rum a grande vitória do dia sobre vinte barcos de piratas, um tripulante se atreveu e perguntou:
“Capitão, por que razão o senhor pede a camisa vermelha quando vamos começar uma batalha contra os piratas?”
“Simples, meu menino. Eu preciso liderar e motivar vocês para que não sejamos vencidos pelos piratas. Meu sangue é vermelho. Se eu for atingido e meu sangue correr vermelho, sobre minha camisa vermelha, vocês não verão que estou ferido e continuarão a lutar bravamente.”
Os homens se admiraram ainda mais da coragem e da valentia de seu amado Capitão.
Um dia o vigia gritou: “PIRATAS!!!!!!!!”
“Quantos barcos?”
“Quarenta e oito”
Imediatamente o Capitão ordenou:
“Homens, às armas. Todos a postos.”
Olhou para o o ajudante e gritou:
“Traga minha calça marrom”
(Desconheço a autoria – tradição oral)
Só sei que hoje, no Brasil, alguns parlamentares foram trabalhar de calças marrons…
(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)
Le vent, le cris
Hoje foi um dia um pouco triste. Notícias tristes.
Não vou escrever.
Mas vou postar um vídeo com maravilhosa composição de Ennio Morricone e imagens deslumbrantes.
Para ser visto no modo tela cheia.
Desligue-se da realidade e ligue-se, por alguns minutos, no sonho.
Às vezes precisamos desse momento de repouso…
Dia de poesia – Annibal Augusto Gama – Gerânios no vaso

As coisas que me acontecem por acaso são gerânios no vaso que alguém cultiva sem mim. São flores de espanto num jardim por onde passo alheio de onde vim e sem saber para onde vai o meu passo, que passa ao compasso dos astros. Brotam rosas no canteiro e um deus jardineiro abre um girassol no espaço. (As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)