Memória – Um ano atrás – Texto de Kitty O’Meara – No tempo da pandemia

E as pessoas ficaram em casa
E ele leu livros e ouviu
E ele descansou e fez exercícios
E ele fez arte e tocou
E ele aprendeu novas maneiras de ser
E ele parou

E ele ouviu mais profundamente
Alguém meditou
Alguém orou
Alguém estava dançando
Alguém encontrou sua sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente

E pessoas foram curadas.
E na ausência de pessoas que viviam
De maneiras ignorantes
perigosas
sem sentido e sem coração,
Até a terra começou a se curar

E quando o perigo acabou
E as pessoas se viram
Eles lamentaram os mortos
E eles fizeram novas escolhas
E eles sonhavam com novas visões
E eles criaram novas formas de viver
E elas curaram completamente a terra
Assim como elas foram curadas.

(In Time of Pandemic, março de 2020, blog “The Daily Round”)

Outono, hoje

Descubra o que é equinócio de outono

Amanhece outono com sua luz diferente

Foi-se o verão, não um verão vivido

Não um verão alegre, de praia e sol

Mas um triste verão de solidão,

De perdas, mortes e muita aflição

Não, não tivemos um verão dessa vez

Mas o equinócio, cumprindo seu papel,

Chegou para pôr fim a esse verão atípico.

Sentiremos sua falta? Por certo não

Sentiremos saudade? Talvez de nós mesmos

Do que fomos em insegurança nesse tempo

Do que sentimos em solidão nesse isolamento

Sentiremos, sim, saudade, de não termos vivido

Que o outono, com suas manhãs frias,

Com os tons dourados e marrons da natureza

No momento em que a natureza desacelera

Traga nova realidade, devolva a esperança e o sonho

Sejamos a humanidade que resiste, sobrevive

Outono, a estação em que a natureza se recolhe

Estaremos em nosso triste recolhimento

Aguardando melhores tempos, as boas novas

Que há de nos trazer a vida

Antes que venha solstício do inverno…

(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)

Dia de poesia – Roberto Ferrari – Loucura e paixão

O meu coração clama por você
E busca sempre o amor,
Na loucura de tua paixão.

As palavras me fogem,
Ficam pendentes de definição,
Pois na verdade elas não conseguem expressar, 
A linguagem do meu coração…

Vivo intensamente esta paixão,
Do amor maravilhoso,
Dos momentos de prazer,
E de nossa entrega incondicional.

A cada toque teu,
Sinto em meu coração,
O amor clamar pelos teus beijos,
Molhados de tanto querer,

A vontade que não tem fim,

De te amar por todo o sempre.


Assim sigo te amando,
e em tua alma encontro,

Refugio para meu amor,
E calma para minha loucura. 

 

Enfim te quero e te amo sempre,
E nesta loucura de viver e te amar,
É com você que quero partilhar,
Todo o sentido do nosso amor.

Dia de poesia – Adélia Prado – Com licença poética

Mulheres e Literatura. Mulheres e Literatura: verso e prosa

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)

Poesia da casa – Fé

Não deixe que morra em mim 
essa vontade de amar
Porque para o amor fomos feitos.
O amor é nossa essência
Nosso alimento e repouso.
Nem deixe que morra em mim
Essa paixão que me consome
Que é a razão de meu viver
E mantém viva a chama do amor
Que também nunca morra em mim
Essa tão imensa saudade
Que me sustenta e me arrasta
Põe-me de pé a cada queda
Motiva todo meu viver
E dá a certeza do futuro
Que eu processo como uma fé
Saudade de amar e ser amada
Mantém viva minha paixão
A marca perene do meu amor.

Dia de poesia – Vinicius de Moraes – A ausente

Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro…
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar…