
Abro meus braços
para o nada
E abraço essa ausência
tão presente,
tão concreta
E dentro desse meu
dolorido abraço encontro,
sempre e apenas,
esse vazio de você
(Imagem: Pinterest)
Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Abro meus braços
para o nada
E abraço essa ausência
tão presente,
tão concreta
E dentro desse meu
dolorido abraço encontro,
sempre e apenas,
esse vazio de você
(Imagem: Pinterest)
Recomece mesmo se os seus pés cansarem.
Mesmo se o seu coração estiver sem forças, mesmo se os seus olhos lacrimejarem.
Recomece mesmo com medo do futuro e com receios por já terem ferido o seu coração.
Tenha certeza que vai dar tudo certo.
Ame seus detalhes, ame ser você.
Porque ninguém além de você vai entender os seus calos e as suas cicatrizes.
Então, é você por você, não espere nada de ninguém.
Faça sempre por você. Se valorize, se ame.
Porque pra fazer parte da sua vida tem que entender que é preciso profundidade.
Recomece não pelos outros, mas sim, porque você merece que entendam o quanto você é uma pessoa corajosa e extraordinária.
(Desconheço a autoria)

A definição de escritor é banal: escritor é quem escreve.
Hoje, Dia Nacional do Escritor, medito sobre ser escritor. Porque não se está escritor – ou se é ou não se é escritor. Não dá para ser mais ou menos escritor. Não é possível ser escritor apenas às vezes.
Escrever está no sangue. Corre nas veias, invade todos os sentidos, inunda nosso ser e somos praticamente obrigados a deixarmos qualquer outra atividade para escrevermos.
Cada escritor tem uma maneira toda peculiar de colocar no papel – ou na tela – suas palavras. São muitas as histórias dos hábitos – alguns bens esquisitos, como, por exemplo, escrever imerso em um barril de água ou uma banheira; só escrever completamente nu; escrever ouvindo trechos de óperas; escrever sentado no chão… – mas, em comum, todos têm a paixão que leva a escrever.
Inspiração. criatividade, fantasia, seja lá o nome que possa dar ao impulso que leva a transmitir, por escrito, algo que se traz na alma, sem esse ímpeto não existe escritor.
Complicado responder quando nos fazem a clássica pergunta: “de onde você tira inspiração?”, porque não “tiramos” inspiração de nenhum lugar.
Apenas, dentro de nós, surge uma ideia ou uma outra pessoa que pede para sair. Precisamos ajudá-la a ganhar a liberdade. Tornar-se um texto – poesia, crônica, conto, romance, qualquer forma de escrito – e lançar-se ao mundo.
Quando temos um romance começado, por vezes o deixamos de lado. Os personagens surgem em nossos pensamentos, ganham vida própria, reclamam que estão abandonados, e temos de voltar ao texto e dar novo impulso. Escrevemos o nascimento dos personagens, mas eles vivem a própria vida e muitas vezes tomam outro rumo totalmente diverso daquele que a princípio imaginávamos que teriam.
Não há dúvida que ler bastante ajuda a ser escritor, mas não faz o escritor. Ter um bom dicionário também é grande ajuda, mas não basta para ser escritor. Escrever é sair de dentro de si e assumir múltiplas personalidades, é mostrar ao mundo seus mais íntimos pensamentos e sentimentos. Desnudar sua alma.
Não é possível tornar-se um escritor. Já se nasce escritor, ainda que não se escreva ou que se demore a começar a escrever. Não há curso, faculdade, apostila, nada que possa levar uma pessoa a ser um escritor. Porque a escrita nasceu dentro das veias.
O impulso de escrever é irresistível. Há uma necessidade física de escrever, não é possível viver com todas as frases, todos os textos dentro do cérebro.
Não é preciso ritual nem preparação. Necessários uma superfície – qualquer uma – e um objeto que a marque. E 26 letras, alguns sinais e pontos. Está pronto o arsenal do escritor.
Porque a escrita, essa não se aprende em nenhum lugar, não tem para comprar, não tem como vender. Vem do ponto mais fundo das memórias, dos sentimentos acumulados, de algum lugar inacessível de dentro do ser. Quando tudo isso excede a capacidade de armazenamento, é preciso escrever.
Escritor é quem tem a sensibilidade de deixar outros viverem dentro de si.
Escrever é o transbordar das emoções.
(Imagem: banco de imagens Google)

Não prenda, não aperte e não sufoque. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço. (Mário Quintana)
Quantos laços buscamos, desejamos, sonhamos, cavamos nesta caminhada finita… porque somos apenas uma ponta, precisamos encontrar nosso outro lado e dar a laçada do carinho, do amor, da coexistência. Na família, nos amigos, nos amores… e queremos conseguir completar o laço da paixão.
Porém não é fácil, no meio de tantos caminhos paralelos, perpendiculares, cruzados, interrompidos, achar onde está nossa outra ponta. Quantas vezes nos enganamos e tentamos dar um laço com a ponta errada e fazemos confusão, porque a ponta não é nossa, há uma outra ponta nesse embaraço.
Até que um dia cismamos que encontramos nossa ponta. E vamos, aos poucos, chegando nela, tentando laçar, e ela foge, escorrega, desaparece, se mistura com outras pontas, deixamos de ter a certeza de que é a nossa.
Se puxarmos, ela grita que está sufocada.
E não é isso que queremos. Porque também não gostamos quando somos sufocados.
Deixamos correr mais frouxo, damos todos os espaços, sem perdê-la de vista. Vemos quando se enlaça em outras pontas, que não a nossa.
Muitas vezes nos encolhemos, enrolando-nos em nós mesmos, como um bicho ferido que se enrola em si próprio, tentando desistir, mas descobrimos que só conseguiremos ser laço se tocarmos a outra ponta.
Então insistimos. Um dia, por cansaço, desilusão, desesperança, algum motivo não revelado, ela se entrega. E nos enlaçamos. Suavemente, lindamente, como deve ser um laço.
Com todo o cuidado para não virarmos um nó.
(Imagem: banco de imagens Google)

Hoje amanheci saudade, muita saudade E vi que saudade não é ausência É a presença de quem já não está Saudade é a falta de um abraço-aconchego A falta das mãos, dos carinhos, Dos olhos e do olhar, Da boca e dos beijos É a falta brutal do amor em nossa vida Saudade... eu sinto saudade, como Vinicius... “...Por falar em saudade, onde anda esse corpo Que me deixou morto de tanto prazer...” Ou aquela antiga trovinha popular “Saudade é tudo aquilo que ficou Daquilo que não ficou.” Só sei que hoje sou só saudade Não há passar do tempo, não há ácido Não há nada que dissolva essa imensa saudade Que deveria ser catalogada como moléstia, Daquelas de estranha natureza, que se agrava Em todo anoitecer. Isso é saudade. Muita saudade. A verdadeira tortura que um ser pode impor a outro É deixar que seja consumido pela saudade Sem qualquer esperança de se libertar Mas se sabendo eternamente prisioneiro Dessa saudade sem fim.
(Imagem: banco de imagens Google)

Tu sabes como é: se olho a lua de cristal, os galhos vermelhos do outono em minha janela, se toco junto ao fogo as impalpáveis cinzas no corpo retorcido da lenha, tudo me leva a ti, como se tudo o que existe: aromas, luz, metais, fossem pequenos barcos que navegam em direção às ilhas tuas que esperam por mim. Agora, bem, se pouco a pouco tu deixares de me querer pararei de te querer pouco a pouco. Se de repente me esqueceres não me procure, pois já terei te esquecido. Se consideras violento e louco o vento das bandeiras que passa por minha vida e decidires me deixar às margens do coração no qual tenho raízes, lembra-te que nesta dia, a esta hora levantarei os braços e minhas raízes partirão em busca de outra terra. Mas se em cada dia, cada hora, sentires que a mim estás destinado com implacável doçura, se em cada dia levantares uma flor em teus lábios para me buscares, oh meu amor, oh minha vida, em mim todo esse fogo se reacenderá, em mim nada se apaga ou se esquece, meu amor se nutre do seu, amado, e enquanto viveres estará em teus braços sem deixar os meus.
(Imagem: banco de imagens Google)