Dia de Poesia – Luís Lavado – Que seria de mim

Que seria de mim...
Sem esta loucura que carrego...
Sem este mar de sargaço... 
Que percorre o meu corpo...
Sem a espuma salgada... 
Das minhas vontades...
Sem os barcos que dançam!!!
Na bruma do meu horizonte...
Mergulham destemidos!!!
No nevoeiro incerto dos meus sonhos...
Que seria de mim sem os mil sois!!!
Que brilham dentro do nosso Amor...
Sem as melodias das nossas noites invernais...
Sem a estrela cadente...
Que ilumina 
os meus dias mais impuros...
Tenho os pés na terra nua!!!
Adormecido...
vivo neste sonho desfeito...
Entre lumes e vozes...
Entre beijos mudos e pálidas mãos!!!
Caricias sonhadas nas maçãs rosadas do teu rosto...
Porque no meu silencio...
És a luz doce... 
És esta espera...
Que o nosso Amor amadureça...
És o desejo ardente...
De um beijo sôfrego...
Teus lábios vermelhos...
Abraço sentido...
Do vento que trespassa...
Meu rosto ferido...
Na véspera das lágrimas!!!
Mas eu continuo aqui... 
Permanente aqui...
Firmemente aqui...
No teu cheiro...
Ao sabor dos beijos que sonho...
Que tenho...
Que vivo...
Com os olhos "vidrados"!!!
Apreciando a curva tenra do teu dorso...
Neste desejo quase incontrolável...
De ter os teus joelhos no chão encerado...
Das minhas vontades...

...Amo te tanto...
Meu Deus....
como te Amo...

Dia de poesia – Anjo Travesso – Pedaços de mim

Quando não souber o que fazer

Quando não souber o que fazer…

Quando não souber o que fazer, apenas respire e agradeça.

Confie, não ceda ao medo ao medo.

Há sempre outra maneira de ver o que está acontecendo com você.

Não ceda ao medo, ao pânico. Não lhe dê poder. Fique quieto… Solta… Deixe ir…

Qual seria a pior coisa que pode acontecer com você?

O medo é a coisa que mais mata no mundo.

Apenas respire… devagar e profundamente… vá para dentro… ao silêncio… à paz…

Pare de lutar, aceite o que quer que esteja acontecendo com você… mas não resista…

Apenas foque na sua respiração… abandone toda a intenção de querer ter razão… mergulhe na sua paz, na sua calma…

A única coisa que machuca são os pensamentos.

Se pararmos por um instante de pensar em algo.

Já não nos afeta.

Nós lutamos contra as coisas, os conflitos e tudo o que fazemos é engordá-los.

Nossa mente não resolve eles… e pouco a pouco nos sentimos consumidos.

Mude… entregue-o ao universo e desentenda-se…

Entregue-se à verdade, que é…

Reconheça que você não sabe, portanto…
Nada você vai conseguir.

Há em você uma verdade que é e transcende tudo e só te diz… Confie em mim.

Você não precisa confiar em você, nem saber como, quando, onde… Apenas confie.

É tudo.
Há sempre uma saída.
Tudo passa.

  • DESCONHEÇO A AUTORIA

Voem juntos, mas nunca amarrados!

Uma velha lenda conta sobre os índios Sioux, que certa vez vieram visitar o velho feiticeiro da tribo, um jovem casal apaixonado capaz de tudo por seu amor.

Toro Bravo, o guerreiro mais valente e honrado, e Nuvem Alta, filha do chefe e a mais bela da tribo. 

Ambos de mãos dadas, eles se apresentaram ao velho e começaram a falar.

– Nós nos amamos – disse Toro Bravo.

– Estamos nos casando! Nuvem alta complementou..

– Mas estamos com medo.

Queremos um feitiço, um talismã.  Algo!  que nos garante que estaremos juntos por toda a vida.

– Por favor – repetiram os dois – podemos fazer alguma coisa?

O velho olhou para eles tão apaixonados, mas ao mesmo tempo tão desesperados.

 Ele demorou a responder.

– Tem alguma coisa …- mas não sei … é uma tarefa muito difícil.

– Não importa!  – falaram os dois – Faremos o que for preciso, acrescentou Toro Bravo.

E vocês vão! disse o bruxo.

…Nuvem Alta!, você vê a montanha ao norte de nossa aldeia?  Você terá que escalá-lo sozinha e sem outras armas além de uma rede e suas mãos, você terá que caçar o falcão mais belo e vigoroso da montanha. 

Se você pegá-lo, deve trazê-lo vivo no terceiro dia após a lua cheia.

Você entendeu?

Nuvem Alta assentiu silenciosamente.

– E você, Touro Valente – continuou o bruxo,você deve escalar a Montanha do Trovão;  Quando chegar ao topo, você encontrará a mais valente de todas as águias, apenas com suas mãos e uma rede, você deve pegá-la sem ferimentos e trazê-la diante de mim, viva, no mesmo dia em que Nuvem Alta chegará …

Saiam agora!

Os jovens se entreolharam nervosos, mas certos de que o conseguiriam.  E eles correram para cumprir sua missão, cada um por sua conta. Ela ao norte, ele ao sul.

No terceiro dia, em frente à tenda da bruxa, os dois jovens feridos e machucados aguardavam com as redes contendo seus respectivos pássaros.

Tire-os com cuidado – disse o Velho.

Eles eram realmente lindos, sem dúvida os melhores de sua linhagem.

“Eles voaram alto?”, perguntou o bruxo.

– Sim definitivamente.  Como você pediu … disse Toro Bravo

– E agora?  – Vamos matá-los e beber a honra de seu sangue? …

– Nããão!  disse o velho.

– Vamos cozinhá-los e comer o valor de sua carne? Alta Nuvem assim propôs?  

– Nao!  – Claro que não.

– Vocês farão o que eu disser:  Pegue os pássaros e amarre-os pelas patas com estas tiras de couro, depois de amarrá-los, solte-os e deixe-os voar livremente.  

Quando a Águia e o Falcão tentaram voar por conta própria, eles só conseguiram rolar no chão.  

Incapazes de voar, os pássaros começaram a bicar uns aos outros até se machucarem.  

– Nunca se esqueçam do que vocês viram!  

Eu não vou lhes dar nenhum feitiço!  

Vocês são como uma águia e um falcão:  

Se se amarrarem, mesmo que o façam por amor, não só viverão engatinhando, mas também, mais cedo ou mais tarde, começarão a se machucar.

Se você quer que o amor entre vocês dure …

VOEM JUNTOS, MAS NUNCA AMARRADOS!

Lembre-se: o amor não reivindica posses, mas dá liberdade. Nunca acima de você, nunca abaixo de você, sempre….  a teu lado.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Fernando Pessoa – Na véspera de nada (Memória)

Na véspera de nada

Ninguém me visitou.

Olhei atento a estrada

Durante todo o dia

Mas ninguém vinha ou via,

Ninguém aqui chegou.


Mas talvez não chegar

Queira dizer que há

Outra estrada que achar,

Certa estrada que está,

Como quando da festa

Se esquece quem lá está.

(Imagem: Ilustração de Ilustr. S. Hee – Correia do Sul, 1963)