Para hoje, tudo isso… Desejos vãos… (Florbela Espanca)


Eu queria ser o Mar de altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!

Eu queria ser a Pedra que não pensa,

A pedra do caminho, rude e forte!


Eu queria ser o Sol, a luz imensa,

O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu queria ser a árvore tosca e densa

Que ri do mundo vão e até da morte!


Mas o Mar também chora de tristeza...

As árvores também, como quem reza,

Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!


E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,

Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as Pedras... essas ... pisa-as toda a gente! ...

Dia de Poesia – Pippo Bunorrotri – Ecos

En los ecos

de la noche,

cuando la luna

ilumina ilusiones

y anodinas promesas,

que cuelgan del hilo

de las horas que pasan,

destellos de adrenalina

hostigan la pasión

de la fantasía

de un deseo mortecino

en las brasas de una añoranza

que fue un sueño,

y en el universo apagado

de la razón de la mente

buscas esa lejanía

donde quizás el velero

de la certidumbre

navegue en el rumbo

que conviene

a las estaciones

de un destino

que desconoces.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de Poesia – Virginia Victorino – Renúncia


Fui nova, mas fui triste… Só eu sei
Como passou por mim a mocidade…
Cantar era o dever da minha idade,
Devia ter cantado e não cantei…

Fui bela… Fui amada e desprezei…
Não quis beber o filtro da ansiedade.
Amar era o destino, a claridade…
Devia ter amado e não amei…

Ai de mim!… Nem saudades, nem desejos…
Nem cinzas mortas… Nem calor de beijos…
Eu nada soube, eu nada quis prender…

E o que me resta?! Uma amargura infinda…
Ver que é, para morrer, tão cedo ainda…
E que é tão tarde já, para viver!…

(Imagem: banco de imagens Google)