
Cintila na noite
Riscando a escuridão
– Lindo vagalume

Caiu uma gota
com força outras vieram
começa a chover

São fortes as cores
das asas das borboletas
– flores a voar
Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Cintila na noite
Riscando a escuridão
– Lindo vagalume

Caiu uma gota
com força outras vieram
começa a chover

São fortes as cores
das asas das borboletas
– flores a voar

Nessa hora morta entre o final da tarde e o anoitecer, o dia já se foi, mas a noite ainda não chegou. Hora de saudade doer, de ansiedade surgir, de fazer um balanço do dia – e sempre o resultado é negativo.
Dizem: “anoiteceu, acabou o dia, o tempo passa rápido…”. Não, isso não é verdade.
Nós passamos e o tempo fica, ainda que os homens acreditem que o tempo é que passa. Não, o tempo fica.
Todos os dias amanhece, entardece e anoitece. Igualmente.
Não há dia nem noite envelhecidos, nem de cabelos brancos, nem alquebrados.
Podem ser chuvosos ou luminosos. Nublados ou ensolarados. Mas com vida. Sempre. O tempo não se cansa. Não se desgasta. Apenas existe.
Enquanto a humanidade envelhece, apodrece, se torna incômoda.
Os homens passam, as gerações se findam, ninguém mais se lembra de quem estava aqui há cinquenta anos atrás.
Mas todos sabem como foi o dia de hoje há cem anos atrás: amanheceu, entardeceu e anoiteceu. Com ou sem sol. Com ou sem lua. Mas estava aí, exatamente como o dia de hoje.
O tempo não é cruel. Cruel é a vida, que nos açoita continuamente. Cruéis são os sonhos, que nos iludem e nos decepcionam porque não se realizam.
Cruel é apaixonar-se e ficar sofrendo em solidão aguda.
Cruel é a fragilidade do corpo humano.
O tempo, ah, o tempo é indiferente às misérias dos homens. Apenas se limita a assistir a batalha diária dessas criaturas insignificantes diante da grandeza da eternidade.
(Imagem: Banco de Imagens do Google)
O menino deitado na areia
Adormeceu
Espera por seu pai
De quem se perdeu.
O menino deitado na areia
Fugiu de sua pátria
Fugiu da guerra e do horror
Fugiu da fome e da violência.
No vento frio da noite
Segurava na mão de seu pai
O menino deitado na areia
Tinha pai, tinha mãe e irmão.
No vento da noite o balanço do mar
No frio da noite as ondas imensas
No escuro da noite seu corpo no mar.
Não viu onde foi seu irmão
Não ouviu mais a voz de sua mãe
Não achou mais a mão de seu pai.
E as ondas do mar levaram o menino
E o deixaram na beira da praia.
Adormecido ali ficou o menino.
O pequenino na areia da praia.
Rostinho virado de lado não viu
A cem metros estava seu irmão
Deitado na areia da praia
Dormindo na beira do mar.
Não mais se deram as mãos
Não mais se viram os rostos.
O menino deitado na areia
Deixou um planeta chocado
Sacudiu o conforto de todos
Arrancou lágrimas de dor
Porque não brincava o menino
Não aproveitava a alegria da praia
O menino deitado na areia
Fugindo do horror e da guerra
Não dormia o menino na areia:
Estava morto o menino
Deitado na areia da praia
Morrera nas ondas do mar.

Não deixe que morra em mim
essa vontade de amar
Porque para o amor fomos feitos.
O amor é nossa essência
Nosso alimento e repouso.
Nem deixe que morra em mim
Essa paixão que me consome
Que é a razão de meu viver
E mantém viva a chama do amor
Que também nunca morra em mim
Essa tão imensa saudade
Que me sustenta e me arrasta
Põe-me de pé a cada queda
Motiva todo meu viver
E dá a certeza do futuro
Que eu processo como uma fé
Saudade de amar e ser amada
Mantém viva minha paixão
A marca perene do meu amor.
(Imagem: CanStock Photo)
