Dia de poesia – Roberto Ferrari – Razão do meu viver

A amanhecer, tudo o que mais quero é sentir seus beijos.
A cada anoitecer o que mais quero é sentir seus braços me abraçando.
Se só a luz e o brilho do teu sorriso e do seu olhar me dão motivação para continuar a viver.
Se a cada dia que acordo me lembro do seu rosto angelical e sei que enquanto você estiver ao meu lado me amando, sempre serei a pessoa mais feliz do mundo.
Se durante minhas noites, só você vive nos meus sonhos.
Se tudo o que eu preciso está na pessoa que eu mais amo neste mundo.
TE AMO!
Então a minha vida não tem mais sentido sem você.
Só você sabe como me fazer feliz e só você me completa.
Se eu pudesse resumir a felicidade em uma só palavra eu daria seu nome.
Sua presença é a única que eu quero sentir por perto e seus lábios são os únicos que quero beijar, pois a eternidade ao seu lado é como um minuto ao lado de qualquer outra pessoa.
Se um dia houver alguma dúvida do que sinto por você basta fechar os olhos e pensar em tudo o que já passamos e tudo o que ainda vamos passar juntos.
Nunca se esqueça do imenso amor que eu sinto por você!
Te amo mais e mais a cada dia que passa.
Tua presença me inspira e me leva a descobrir os segredos do coração.
Toda vez que uma estrela brilhar meu amor por você só vai aumentar.
Escrevo teu nome junto do meu, nas areias do tempo para que nosso amor dure pela eternidade.

Pânico

Se a depressão te visitar | Por Ana Holanda - Vida Simples

Sinto frio. Mesmo não sendo inverno. Muito frio. E aqui está bem escuro, quase treva. Tenho medo, muito medo.

Eu não consigo me segurar, deslizo rumo ao fundo desse abismo que me engole. Estou apavorada, tento me manter à tona, mas tudo é liso, escorregadio.

Caio.

A cada momento caio um pouco mais, não tem fundo esse poço em que me encontro, só frio e escuridão. E pavor. Um pavor brutal.

Não sei onde estou, não posso ver nada, estou indo em direção ao inferno. Novamente terei de atravessá-lo. Sozinha.

Mesmo que eu grite ninguém me ouvirá. O som fica preso em minha garganta, ouço meus soluços e choro. Estendo a mão. Não há outra mão à minha espera. Até mesmo quem prometeu estar sempre a meu lado, cuidar de mim, agora não pega na minha mão, deixa-me cair nesse lugar horrível, afundo mais e mais. E choro.

Quero chamar por meu pai, ele sempre me acudiu, me protegeu. Mas ele partiu em sua viagem sem volta, não está mais aqui. Choro ainda mais pela falta de meu pai, pela saudade torturante que sinto dele. Estou sozinha.

Abandonada. Até por mim mesma eu estou abandonada, já não me tenho. Minha fraqueza me mostra o quanto era falsa minha força.

Ouço vozes, risadas. Em algum lugar há pessoas despreocupadas e alegres. Provavelmente o lugar em que estão é iluminado. Essas pessoas não virão em meu socorro. Estão ocupadas em sua despreocupação. Não têm tempo nem vontade de ver que há pessoas sofrendo em volta.

Eu me encolho, começo a sentir dores. Não consigo respirar direito. Facas se movem dentro de mim e as dores são terríveis. Já não consigo mais me mexer. Ainda choro, mas até os soluços provocam dores intensas.

Até quando aguentarei viver imersa nesse pesadelo? Peço a Deus que tenha misericórdia. Estou no final de minhas forças.

O ar acaba. Meus pulmões queimam em busca de oxigênio. Preciso respirar. Estou me afogando nesse fundo lamacento em que tento me levantar. Estou com sede, preciso de água. Tateio em busca de algum objeto. Minha mão encontra algo.

Não consigo enxergar o que peguei. Parece um comprimido, um medicamento. Não tenho como identificar o que é no meio dessa escuridão, mesmo assim, em desespero total, coloco na boca e engulo a seco.

Sinto mais sede.

Não sei onde tem água.

Continuo a procurar água ou alguma coisa para beber. Encontro um rosário. Avidamente me ponho a rezar. As palavras me acalmam. O medicamento me acalma. Está frio e muito escuro. Ainda choro, já não sei quem eu sou.

A oração e o remédio fazem efeito.

Adormeço.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Cândido Arouca – Nesta distância pequenina

Vem.
Senta-te ao meu lado.
Dá-me a tua mão mantendo-a afastada de mim.
Fala-me sem usares palavras.
Mostra-me o teu corpo sem te despires.
Dança para mim sem te mexeres.
Beija-me sem que os nossos lábios se toquem.
Ama-me nesta distância pequenina que nos separa.
E sabes que o podemos fazer,
que o fazemos,
que nos amamos assim também.
Olha-me apenas e deseja-me como te desejo.
E posso ficar horas assim contigo,
a amar-te desta forma,
a amar-te com o olhar,
a amar-te sem te tocar,
sem te possuir.
Assim entro em ti de outra forma.
Entro em ti pelo olhar e penetro-te até à alma.
Possuo-te para lá das tuas entranhas.
Revolvo-te o sentir e os sentidos.
Leio os teus pensamentos.
Desbravo o que de mais secreto há em ti.
Abro os compartimentos do teu coração até aqui encerrados.
E conheço-te melhor.
Sei-te melhor.
Amo-te melhor.
Porque te amo igualmente sem te tocar,
para que te possa amar,
sempre.”

O quadro da vida

À medida que diminuem os amanhãs, começamos a analisar todos os ontens. E sopesar as alegrias, as tristezas, os prazeres, as mágoas.

Vamos montando um quadro da nossa existência, posicionando as pedrinhas do que se viveu, dos sonhos não realizados, dos planos abandonados, lado a lado, de acordo com a importância, a forma, a cor…

As lágrimas molham o cimento das dores e fazem a massa para fixar essas memórias… de forma harmônica, agradável e suportável.

Olhamos para o passado com saudade e com vontade. Ah, se pudéssemos viver de novo, se na vida houvesse uma segunda chance… Quanta dor, quanta paixão…

O passado se torna imenso, enquanto o futuro encolhe a cada dia e vemos que pouco nos resta.

Chegamos no tempo das perdas – amigos, familiares, ídolos, todos partindo na última viagem, o que deixa claro que estamos aqui por pouco tempo.

Paira uma tristeza indizível no ar. Sorrimos, seguimos, mas dentro de nós há destroços. Quantas recordações que não queríamos ter acumulado. Mas é inevitável. E essa montagem do que trazemos é a catarse final e necessária para que possamos partir em paz.

Que haja tempo para que cada um de nós consiga montar seu quadro.

Com os cacos de minhas lembranças vou montando o mosaico de minha vida.

(Imagem: Banco de imagens do Google)

Memórias do blog – Naufrágio

La mer / Qu’on voit danser le long des golfes clairs

A des reflets d’argent / La mer

Des reflets changeants / Sous la pluie

La mer / Les a bercés

Le long des golfes clairs / Et d’une chanson d’amour

La mer / A bercé mon cœur pour la vie

(Charles Trenet)

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                                               Era um barco. Um simples e vulnerável barco, cortando as águas em busca de seu porto.

                                               Singrava as águas mansamente, sem pressa, sem querer chegar depressa. Apenas queria chegar.

                                               As águas, tépidas e amigas, o balançavam suavemente, brincando de resistir com sua marola.

                                               O céu a tudo assistia. Tentava clarear o máximo de tempo possível, dourando as águas ao amanhecer, e as prateando antes de jogar sobre elas o marinho noturno.

                                               E o barco, de dia singrava, de noite adormecia. Ao sabor das águas, confiante e sereno. Não receava tempestade, não temia o vento. Ele se bastava, não sentia solidão nem precisava de outro barco a lhe fazer companhia. Esperava as primeiras estrelas de cada anoitecer para conferir o rumo que o sol lhe dava. E, se a lua estivesse bem-humorada, logo surgia rastreando de prata toda a superfície visível.

                                               Tão sereno, tão valente, o pobre barco confiava em seu poder e não temia seu destino.

                                               Até o dia em outro barco, de repente, vier a cruzar sua travessia e desviar sua atenção. É a própria tragédia anunciada. O pobre barco não terá mais paz, buscando encontrar seu igual, e se sentirá só nessa imensidão.

                                               Sem paz, não poderá mais enfrentar ventos e procelas. E conhecerá o sofrimento. A ansiedade de esperar, de querer, de desejar.

                                               E, de repente, soçobrará.

                                               Meu coração, esse mar. Minha paixão, esse barco, que naufragou quando buscou outro barco.

(Imagem: Banco de imagens Google)