É carnaval! (5)

E chegamos na terça-feira de carnaval, ou terça-feira gorda…

Quinto e último dia de marchinhas, para tentar dar um som de carnaval a este estranho ano em que não houve carnaval.

Entre exaustos e já saudosos tínhamos a última noite de carnaval.

Na qual se dançava com alegria redobrada, porque demoraria um ano para o próximo, porque, para todo carnaval, sempre há uma quarta-feira de cinzas… 

E as marchinhas rendiam mais uma noite de foliões animadíssimos.    

Oh, jardineira, por que estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Oh, jardineira, por que estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Vem, jardineira! Vem, meu amor!
Não fiques triste que este mundo todo é seu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu

E chegava a hora de o baile se acabar, da despedida daquele carnaval…

Quem parte leva
Saudade de alguém,
Que fica chorando de dor
Por isso, não quero lembrar
Quando partiu meu grande amor

Quem parte leva
Saudade de alguém
Que fica chorando de dor
Por isso, não quero lembrar
Quando partiu meu grande amor

Ai ai ai ai, tá, chegando a hora) a hora
O dia já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir s’imbora
(Ai ai ai ai, tá chegando a hora) a hora
O dia já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir s’imbora

S’imbora
S’imbora
S’imbora
S’imbora
Eu já vou s’imbora

E assim amanhecia mais uma quarta-feira de cinzas, que também foi cantada pelo nosso Poetinha

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz

É carnaval! (4)

Segunda-feira de carnaval. Notícias alarmantes sobre a pandemia. Onde estará a verdade? Quero usar máscara nos olhos, não no nariz…   

Mesmo com o silêncio e a tristeza dominando esses dias, continuo a publicar antigas músicas de carnaval, e hoje será um “clássico” e um mix – porque dentro de nós a alegria não morreu. Vamos sobreviver a essa estranha doença. Seremos livres e felizes novamente!

Evoé, Momo

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

E um mix, lembranças de tantos carnavais

É carnaval! (3)

Seguindo nosso carnaval dos “velhos carnavais”, hoje vou colocar duas músicas. Essas marchinhas seguiam o mesmo esquema: letra curta, com muitas repetições, e um ritmo intenso, o que as “grudava” na cabeça. Era impossível não cantar junto. Era impossível não sair dançando…

Se você fosse sincera
Ô, ô, ô, ô, Aurora
Veja só que bom que era
Ô, ô, ô, ô, Aurora
Se você fosse sincera
Ô, ô, ô, ô, Aurora
Veja só que bom que era
Ô, ô, ô, ô, Aurora
Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô, ô, ô, ô, Aurora

Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto
Ai, ai ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos
Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto
Ai, ai ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos
Eu bebo sem compromisso
Com meu dinheiro, ninguém tem nada com isso
Aonde houver garrafa, aonde houver barril
Presente está a turma do funil

É carnaval! (2)

Hoje, sem dúvida, foi um ótimo sábado de carnaval. Podia ser para sempre assim.

Ouvi de muitas pessoas que este é o melhor carnaval dos últimos vinte anos…

Mas, para aqueles que sentem saudades dos velhos carnavais e que sabem o que é o triângulo Pierrot, Colombina e Arlequin, aqui vai uma recordação:

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

(Nota: Em oposição à pomposa e de linguagem quase inacessível Commedia Erudita, surgiu a popular Commedia dell’Arte, estilo teatral de sátira social. O triângulo amoroso Pierrot-Colombina-Arlequim agradou e se popularizou, compondo o núcleo dos empregados, sendo que Pierrot é apaixonado por Colombina, que ama Arlequim, o qual tem uma certa queda pela Colombina. Essa marchinha de carnaval também caiu no agrado popular no Brasil, tornando-se um “clássico” dos velhos carnavais.)

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É carnaval!

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Aproveitando a maravilha do cancelamento da baderna nojenta daquilo que se tornou o carnaval, vou publicar, por cinco dias, até na chamada “terça-feira gorda” marchinhas de carnaval – ritmo que marcou a vida de mais de uma geração.

Hoje, primeiro dia, começo com Chico Buarque, na magistral Noite dos mascarados, cantado em parceria com a inesquecível Elis Regina… confete, serpentina, máscaras NOS OLHOS e lança-perfume. Ao som de uma velha marchinha. Isso é carnaval!

Quem é você?
Adivinha se gosta de mim
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim
Quem é você?, diga logo
Que eu quero saber o seu jogo
Que eu quero morrer no seu bloco
Que eu quero me arder no seu fogo
Eu sou seresteiro, poeta e cantor
O meu tempo inteiro só penso no amor
Eu tenho um pandeiro
Só quero um violão
Eu nado em dinheiro
Não tenho um tostão
Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte, nasci para sambar
Eu sou tão menina
Meu tempo passou
Eu sou Colombina
Eu sou Pierrot
Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar
Deixa o barco correr
Deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira
Que você quiser
O que você pedir, eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser

Dia de poesia – Chico Buarque de Holanda – Eu te amo

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir