Poesia da casa – Um ponto de luz

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 Você existe e eu existo.
 Isso me basta.
 Mantém em mim acesa essa chama
 Da paixão e do desejo.
 A distância é indiferente
 Em algum lugar do cosmo
 Dois pontos de luz
 se aproximam e se cruzam
 Por um momento se tocam
 E se tornam um único ponto
 No momento sublime
 Desse encontro impossível
 Em respeito o sol se recolhe
 E no escuro da noite
 Quando a lua aparece
 E cheia de ciúme tenta
 Encobrir aquele encontro
 Ilumina-se com a luz desse ponto
 Instante em que a natureza emudece
 Deslumbrada pela luz intensa
 Que emana de tanta paixão
 Enquanto a distância desaparece 

Memória – texto publicado há DOIS anos

Da morte

Dans l’Histoire des temps la vie n’est qu’une ivresse, la Verité c’est la Mort.(Lous-Ferdinand Céline)

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Não sou muito de pensar em morte, mas às vezes essa idéia vem e martela… 

Será que se percebe a aproximação da morte, ou só se encara a morte quando não tem mais jeito, quando ela realmente intercepta nossa trajetória por aqui? 

O que será que Jesus pensava enquanto caminhava rumo a seu calvário? Quando andei por lá, sentindo a emoção de pisar as mesmas pedras que meu Deus pisou, olhava para o chão do caminho entre o local do julgamento e da crucificação e essa idéia me martelava: o que Jesus pensava, será que ele realmente sabia da vida, da morte e da vida depois da morte? 

E quem morre de acidente, será que dá tempo de ver a morte chegar? Quem fica preso em um carro que cai no mar, que demora a morrer e não pode se salvar, o que será que pensa? 

Os passageiros dos aviões que caem – quase sempre à noite, em locais ermos, escuro total – será que eles vêem que já estão de frente para o além, que não voltarão mais ao mundo onde viviam até então? 

As vítimas que morrem baleadas, em assaltos, em homicídios, em tiroteios que não participam, o tempo que leva entre o tiro, a entrada da bala e a perda da consciência – será que dá tempo para pensar em alguma coisa? 

E os suicidas? O que eles pensam depois que dão início à execução da própria morte, será que se arrependem, mas já é tarde demais para voltar atrás? 

Estranha a morte, não se encaixa em nada do mundo dos viventes…

(Imagem: banco de imagens Google)

Memória – poema de um ano atrás

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Quando for partir 

 Deixe todo o peso, todo o excesso para trás e parta
 Tudo o que faz mal, tudo o que angustia deve ficar
 Não leve a poeira de antigas paixões já vividas
 Nem a tristeza de tudo que morreu antes de florescer

  
 Não leve nada do que nunca mais usará na vida –
 Sejam amizades vencidas, amores rompidos, roupas apertadas,
 Cadeiras desconfortáveis, louças quebradas, perfumes usados.
 Faça uma nova bagagem, leve e prazerosa, do que é necessário
  

 Leve apenas essa alegria e essa sede infinita de viver que você tem
 Leve ainda as cobertas que sempre afastaram o frio e aqueceram sua alma
 E também as lembranças de todos os momentos felizes que viveu

  
 Se é para uma nova vida, a partida é um verdadeiro rompimento.
 Lembre-se de deixar livre um espaço para um novo amor apaixonado
 E faça, com toda sua força, desse momento um renascimento. 

Dia de Poesia – Clóvys Tôrres

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É violento este mar que navego.

Balança meu coração e derruba catedrais.

Por onde levo meu corpo a memória grita e racha a 
minha musculatura seca de desejos...

É violento demais este vento a passar!

Como fogo encarniça minha pele!

Sozinho, canto um lamento que nem eu aguento
mais ouvir. Mas sorrio e aceno
a cada transeunte que passa...

É violenta esta imagem da paz!

Também sei,
que como o vento,
vai passar!

Poesia da casa – Poesia livre

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 Não quero a estrofe bem rimada
Nem o verso todo arrumadinho
Quero a poesia solta como pedra lançada
Sem regras e sem limites

Quero ouvir o canto de cada alma
Ver o brilho de todos os olhares
Mesmo naqueles olhos que já foram tristes
Ver rodar a ciranda que vida traz

A poesia, livre, está no ar
Na risada alegres das crianças
Nas memórias tristes dos idosos
Na angústia que cada um carrega em si

Nas mãos que um dia se encontraram
Sabendo que teriam de se soltar depois
Na esperança da vida que ainda resta
Na certeza da morte que chegará

Quero a poesia da música dos ventos
Do marulho que embala o adormecer
Da serenata matinal da passarada
Do trovão que anuncia a tempestade

Essa a poesia que eu quero
Que vive solta, leve, a pairar
Que muitas vezes é esquecida
Mas ressurge, linda e forte.

Poesia que não aceita fronteiras
Que rompe as grades, sai da gaiola
Não pode ser domesticada
Vive por si, em plena liberdade

Essa é a poesia que vive em mim
E que me impulsiona, entra na alma,
Traduz meus sonhos e se renova toda
Minha poesia é igual a mim: livre...

Texto de Diego Engenho Novo – Casamento – modo de usar

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Case-se com alguém que adore te escutar contando algo banal como o preço abusivo dos tomates, ou que entenda quando você precisar filosofar sobre os desamores de Nietzsche.


Case-se com alguém que você também adore ouvir. É fácil reconhecer uma voz com quem se deve casar; ela te tranquiliza e ao mesmo tempo te deixa eufórico como em sua infância, quando se ouvia o som do portão abrindo, dos pais finalmente chegando. Observe se não há desespero ou  insegurança no silêncio mútuo, assim sendo, case-se.


Se aquela pessoa não te faz rir, também não serve para casar. Vai chegar a hora em que tudo o que vocês poderão fazer, é rir de si mesmos. E não há nada mais cruel do que estar em apuros com alguém sem espontaneidade, sem vida nos olhos.


Case-se com alguém cheio de defeitos, irritante que seja, mas desconfie dos perfeitinhos que não se despenteiam. Fuja de quem conta pequenas mentiras durante o dia. Observe o caráter, antes de perceber as caspas.


Case-se com alguém por quem tenha tesão. Principalmente tesão de vida. Alguém que não lhe peça para melhorar, que não o critique gratuitamente, alguém que simplesmente seja tão gracioso e admirável que impregne em você a vontade de ser melhor e maior, para si mesmo.


Para se casar, bastam pequenas habilidades. Certifique-se de que um dos dois sabe cumpri-las. É preciso ter quem troque lâmpadas e quem siga uma receita sem atear fogo na cozinha; é preciso ter alguém que saiba fazer massagem nos pés e alguém que saiba escolher verduras no mercado. E assim segue-se: um faz bolinho de chuva, o outro escolhe bons filmes; um pendura o quadro e o outro cuida para que não fique torto. Tem aquele que escolhe os presentes para as festas de criança e aquele que sabe furar uma parede, e só a parede por ora. Essa é uma das grandes graças da coisa toda, ter uma boa equipe de dois.


Passamos tanto tempo observando se nos encaixamos na cama, se sentimos estalinhos no beijo, se nossos signos se complementam no zodíaco, que deixamos de prestar atenção no que realmente importa; os valores. Essa palavra antiga e, hoje assustadora, nunca deveria sair de moda.


Os lábios se buscam, os corpos encontram espaços, mas quando duas pessoas olham em direções diferentes, simplesmente não podem caminhar juntas. É duro, mas é a verdade. Sabendo que caminho quer trilhar, relaxe! A pessoa certa para casar certamente já o anda trilhando. Como reconhecê-la? Vocês estarão rindo. Rindo-se.