A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Toda a dor que havia em mim,
já não mais cabendo em meu peito,
explodiu em pranto e lágrimas.
Entendi, então, o que era te perder.
Você, entre mudo e comovido,
tocado pelo meu sofrimento
Não sabia mais se partia ou se ficava.
E compreendeu, então, o que era me deixar.
Ah, quem me dera ir-me
Contigo agora
Para um horizonte firme, comum
(comum, embora...)
Ah, que me dera ir-me
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que nem presumes
Ah, quem me dera amar-te!
Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais cuidado....
Ah, quem me dera ver-te!
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te...
Hoje, 30 de janeiro, Dia da Saudade. Saudade, minha essência, razão de minha existência. Vou replicar um texto antigo sobre saudade. Quantos textos escrevi por saudade… Há muitos. Escritos e por escrever. Porque a saudade é uma companheira fiel – chega por último, depois que o amor, a paixão, a alegria, todos já se foram. Mas nunca mais irá embora: ela chega para ficar…
Saudade «É uma mania que a alma tem De ouvir o que não é dito. De sentir o que não se toca, de ver o que não pode ser visto. saudade, é um pedacinho da gente, Que alguém sem pedir permissão, Leva para bem longe.»
(Marcelo Vico)
Quantas vezes eu já escrevi sobre saudade.
E quantas mais sobre saudade eu li…
Saudade, essa presença incômoda de uma ausência que não nos abandona.
Esse sentimento de gosto amargo que adoça a vida com doces lembranças.
Essa presença invisível que nos acompanha dia-a-dia, hora-a-hora.
Esse fio mágico que não conhece distâncias e nos mantêm unidos a quem se foi.
Ah, saudade, eu peço, me deixe em paz. Procure outra alma para fazer seu ninho.
Quero viver sem pensar, sem lembrar, quero viver sem ter saudade.
Mas, imagino, sem saudade, a vida seria um deserto onde somente se avança
Onde não há um velho porto à nossa espera para voltarmos
As portas se trancam à nossa passagem e impedem o regresso
Porque sentir saudade é voltar um pouco e encontrar quem se foi
É trazer de volta sensações, cheiros, toques, abraços que se foram
Viver sem saudade é viver sem lembranças doces
É trilhar o atalho até à morte sem se ter vontade de ficar
Então eu peço: Saudade, fique! Não me deixe nunca!
A quem devo dizer que em tua carne
se sobreleva o tempo e o duradouro,
mancha de óleo no azul, alaga e intensifica
o contratempo a que chamei amor?
A quem devo dizer dos meus perigos
quando, o corcel furioso olhei ao longe
e não vi mais limites que o oceano
nem mais convites que o das ondas frias?
Como antepor o corte nas montanhas
– Liberdade – ao dever que a si mesma impõe a terra
de estender-se conforme o espaço havido?
Malícia do destino, ardil composto outrora...
Arde a grama da noite em que te vais embora,
e essa chama caminha, essa chama, essas vinhas,
essas uvas, cortadas noite afora.