Texto de Emmanuel Evangelos Haji Antoniou

O príncipe e o menino

– Tio, você sabe que lugar é esse?

– Não seja impertinente garoto! Não sou seu tio!

– O que é “ impetinente”?

– É impertinente que se fala. Incômodo, aborrecido, ou como vocês dizem, chato.

– Desculpa, não quis incomodar. O senhor sabe que lugar é esse?

– Não. Parece ser uma sala de espera. Veja, aquele portão grande ali, fechado. Acho que alguém vira abrir e nos explicar como viemos aqui. Só lembro de estar dormindo e acordar aqui.

– Eu também! Fui deitar, estava com dores e cansado e acordei aqui. Já não sinto mais nada. Será que é um hospital? Tudo tão branco, tão limpo… mas o senhor faz o que?

– Eu sou um Príncipe.

– Nossa, eu nunca vi um de verdade. Só nos livros. Meu pai diz que eu sou um príncipe também, mas não de verdade né?

– Sim. O que teu pai diz é verdade! Toda criança é um príncipe ou princesa para seu pai. Então você é o príncipe dele.

– Mas não do meu padrasto. Ele diz que não gosta de mim, ele me bate e diz que se eu falar pra minha mãe ela também não vai gostar de mim.

– Seu pai não te protege?

– Ele não pode, ele e minha mãe são separados. Ele me abraça quando estamos juntos, mas não é sempre. O senhor abraça teus filhos?

– Muito menos do que gostaria. Príncipes tem protocolos, obrigações…

– Deve ser chato né? Mas aqui só estamos nós dois. O Senhor poderia me abraçar? Tenho medo…

– Claro! Venha aqui. Como você se chama?

– Henry.

– Henry? Bonito nome. Tenho um neto com esse nome! Um pouco rebelde, mas um bom homem…

– E o senhor? Como se chama?

– Felipe. Pode me chamar de tio se quiser.

– Olha tio! O portão abriu! Tem uma luz bonita lá dentro! Vamos?

– Vamos menino, vamos lá até a Luz…

Gosto de imaginar que possa ter sido assim, num Reino muito, muito distante; em uma dimensão longe daqui…

Perdão

“Te perdoo por me amares demais” (Chico Buarque)



Fala comigo!

Me acalenta.


Me permite cometer erros gramaticais,


seja em nome da licença poética


ou do meu amor por você.


Me permite chorar alto, te chamar


Me permite te perdoar


Me permite te permitir ser minha.


Por não ter entrado na sua vida antes,


te peço perdão.


Me perdoa por não me perdoar. (
desconheço a autoria)

(Imagem colhida em banco de imagem Google)

Poesia da casa – Encontro

Casal de silhueta, silhueta, amor, animais png | PNGEgg
Por todas as vidas em que estivemos separados

Todos os dias, todas as noites, todas as horas

Nos quais inutilmente tanto nos quisemos

E a distância impediu o nosso encontro, eu amei




Não sei os atalhos por onde você foi, quais seus caminhos

Nunca soube onde procurar você, por isso aqui fiquei

Como cega, seguia meu caminho, sem sonho nem luz

Vivendo apartada do querer, na noite contínua.




Por tudo isso chegará um dia em que

Estaremos novamente frente a frente

Suas mãos ao alcance de minhas mãos

Nossos corpos no espaço de um abraço



E quando esse momento enfim chegar, 

Encantados então nos abraçaremos

E à sua única pergunta responderei:

Não duvide, eu sempre estive aqui!




(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)

Dia de poesia – Thiago de Mello – Cantiga do caboclo

O canto de despedida
vai disfarçado de flor.
É feito para os caboclos
do barranco sofredor.
Pra eles que não vão ler nunca
estas palavras de amor.
Amor dá tudo o que tem:
dou esta rosa verdadeira,
levando a clara certeza
da vida nova que vem.
Canto para os curumins
nascidos iguais a mim,
vida escura, e tanto verde!,
canoa, vento e capim.
Canto para o ribeirinho
que um dia vai ser o dono
do verde daquele chão.
Tempo de amor vai chegar,
tua vida vai mudar.
Vai preparando a farinha,
murupi no matrinchão,
nunca vi verde tão verde
como o do teu coração.


(homenagem ao poeta, em seus 95 anos de vida)

Memórias do blog – Resistir para viver

Ainda que pareça impossível de superar.

Ainda que isso pareça te esmagar todo dia.

Ainda que o desespero tente te fazer parar, aguente mais um pouco.

Não desista de você por nada, por ninguém.

A dor é a onda que passa. Você é o mar que fica.

(A menina e o violão)

Ah, palavrinha mágica essa tal de “superar”.

Quase ninguém se dá conta, mas se olhar de relance para trás, perceberá que ainda vive graças – exclusivamente – à própria capacidade de superação.

Desde quando se foi concebido já aconteceu uma superação. Dos milhares de óvulos e milhões de espermatozoides, a concepção se deu pelo encontro de um único óvulo e um só espermatozoide, que superaram todos os outros.

O nascimento requer uma incrível capacidade de superação. De um ambiente aconchegante, úmido, quente, silencioso e escuro, repentinamente a criança é exposta à luz, barulho, frio, secura e desconforto de um centro cirúrgico. Um choque. Mas superamos e sobrevivemos.

E assim pela vida afora – a separação traumática em relação à mãe nos primeiros dias de escola. As frustrações, o inevitável bullying para a maioria. Provas difíceis, notas baixas, quebras de expectativas. E superamos e sobrevivemos.

A confusa adolescência, as primeiras paixões, sem as quais pensávamos morrer. Tudo passou e nós não morremos.

Vida afora, nos estudos, nos empregos, nos amores, fomos lutando e nos superando para continuar existindo.

Tantos problemas a resolver. Tantos boletos a pagar. Tantos risos seguidos de tantas lágrimas. Tantas perdas pela vida.

E resistimos. E superamos. E sobrevivemos.

Em nenhum momento a vida ficou mais leve nem mais fácil, mas nossa incrível capacidade de superação sempre nos fez cada vez mais fortes e com mais condições de seguir adiante. E se reinventar quantas vezes for preciso. Vencer todas as batalhas possíveis. Triunfar.

Por isso resistimos e insistimos. E, do alto – onde estamos graças a nós mesmos – olhamos em volta e dizemos: “eu venci”.

Isso é viver.

Transtornos tecnológicos

Hoje estou com sérios problemas para postar.

A porcaria da microsoft, sim, aquela empresa monopolista e mercenária, que ainda darei um jeito de escrever sem precisar dela, resolveu me bloquear.

Não é a primeira nem a segunda nem a décima vez que isso acontece.

Só uma empresa muito sem raça, que não se importa com seus usuários é capaz de fazer essas alterações que impedem o livre uso do programa que foi comprado e pago – caro – por quem se serve do computador para trabalhar.

Então estou aqui, digitando de forma improvisada, e me lembrando de meus antigos artigos datilografados, o que era feito sem pagar royalties nem o custo de renovação anual de programa de datilografia.

Como era difícil trabalhar com cópias-carbono, onde não se podia errar para não perder todo o serviço.

Embora atribuam a um religioso brasileiro a invenção da máquina de escrever, ideia esta que teria sido roubada e patenteada por um estrangeiro no século XIX, na verdade há uma patente registrada no século XVIII, embora nada mais conste sobre a efetiva existência dessa máquina.

Histórias, à parte, posso dizer que aprendi datilografia nas antigas Remington & Cia.

Meus dedos finos, de menina, penetravam entre as duras teclas metálicas e viviam machucados.

A história da origem do teclado QWERTY é um pouco diferente do que você  pensa

(Imagem do banco de imagens Google)

Um dia fui apresentada à máquina elétrica. IBM.

Que maravilha!!!!!!

Dedos intactos depois de horas de datilografia.

Aí vieram a esférica, a eletrônica, a minha inseparável Praxis (várias, tive de comprar várias porque eu datilografava tão rápido que a bolsa de 80 caracteres dela estourava e queimava a máquina – precisei aprender a escrever mais devagar que o pensamento…).

E veio o computador.

Que era uma maneira um pouco mais sofisticada de se datilografar. E o nome passou a ser digitar.

De repente, o computador já não nos servia, mas de nós se servia.

E assim ficamos nas mãos de microsofts, apples, e outras empresas que se divertem em nos atrapalhar.

Desde que paguemos bem caro por isso.

A vida não anda para trás.

Então é continuar a usar computador e enfrentar esses transtornos e amanhã contatar o técnico para ver o que está acontecendo, enquanto penso se não seria melhor me tornar hacker (ou ciberpirata em bom português), técnica em informática e expert em recuperação de softwares e, eu mesma, consertar toda essa porcaria da qual dependo para escrever uma simples crônica.

A propósito, esse desabafo já fica valendo como a crônica de hoje.

(foto no alto: minha antiga Underwwod, totalmente recuperada e em plenas condições de uso. Para quem não sabe, ela já vai imprimindo direto, sem necessidade de impressora, à medida que vou digitando. Inovação tencnológica do século XIX)