Poesia da casa – Um beijo

Esse beijo tão esperado,
em um desejo sem fim,
Sons de folhas caindo,
perfume de vento calmo.
Raios de brilhos intensos,
nuvens em dia de chuva.
Cores de águas cristalinas,
Tudo o que se contém num olhar
Traz de volta o sentido de uma vida.
Envolto no feitiço da paixão,
Esperança de um futuro feliz,
É o beijo do amor renascido,
É um beijo cheio de encanto,
Nascido da luz de um amor, 
entregue no aconchego do amar.

(Imagem: banco de imagens Google)

Poesia da casa – Meu silêncio (memória)

Não diga nada.
Apenas ouça meu silêncio.
Em silêncio.
Ouça tudo que meu silêncio diz
Mesmo que eu não o possa dizer
Por mim ele diz tudo para você
Mesmo que você não o queira ouvir
Ele irá dizer, tudo dirá por mim
Diz que ainda amo você 
Que a paixão existe e me domina
E também que jamais o esquecerei
E para sempre esperarei sua volta
Ele diz que sua partida me destruiu
E vivo imersa em mágoas e lágrimas
Que a minha vida perdeu todo o encanto
Apenas ouça o que meu silêncio diz
Enquanto pensa no que você
Também gostaria de me dizer 
Mas não, não diga nada
Seu silêncio de todos esses meses
E a forma como você me deixou
Já disseram tudo por você
Não precisa dizer mais nada
Mas não fuja, enfrente:
Ouça, agora, o meu silêncio

(Imagem: foto de Maria Alice)

Colcha de retalhos – Cora Coralina

Sou feito de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.

Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior…

Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.

E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também.

E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.

Portanto, obrigado a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim.

Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.

E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de nós.

(Imagem: banco de imagens Google)

Poesia da casa – Amor estranho

Ah, esse estranho amor que não se mostra

Não se assume, não demonstra

Na paixão explícita ele se esconde

Quer ser vivido sem compartilhar

Recebe com alegria, mas não se dá

Que não busca e não se aceita

Faz chorar, mas não suporta o pranto

Amor estranho como sol entre nuvens

Quando surge brilha forte e muito aquece

Depois se esquiva e simplesmente desaparece

Tão estranho esse amor, como a chuva na praia

Como estrelas na tarde ensolarada

Tal qual um pôr-do-sol que não precede a noite

Um triste rio de água parada

Um pássaro com asas temendo voar

Ou um barco sem leme que não pode atracar

Esse arco-íris interminável de contradições

Esse quero-não-quero do medo de querer

Do medo de se entregar, esse amor assim inseguro

Um amor estranho de tanto medo que tem de amar

(foto: Flaverson Sbardelatti, Rio Madeira)

Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 26 – Júlio Salusse

Júlio Mário Salusse, filho de Júlio Mário Salusse e de Hortência Maria de Queiróz, nasceu na fazenda do Gonguy, em Arraial do Senhor do Bom Jesus, atual município de Bom Jesus do Itabapoana,RJ, no dia 30 de março de 1872 e morreu no Rio de Janeiro, em 30 de janeiro de 1948.

Publicou seus primeiros versos na Gazeta de Notícias.

Estudou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em São Paulo, porém não concluiu o curso. Ao herdar do avô uma grande fortuna, viajou para a Europa, onde levou uma vida entre festas e farras. Gastando grande parte de sua herança.

Voltando ao Brasil, concluiu o curso de direito, passando a advogar e atuar como promotor público em Paraíba do Sul e, mas tarde, em Nova Friburgo, cidades do Estado do Rio de Janeiro.

Publicou Nevrose azul, seu primeiro livro, em 1884. Em seguida publicou Sombras, em 1901, e a novela a Nedra e o rei, em 1927.

Graças ao soneto “O cysne”, ficou conhecido o Poeta dos Cisnes. (Fonte: BNDigital)

Eva

De Eva, a mulher primeira, eis a idéia que faço:
O Senhor a criou de alvura deslumbrante!
Os lábios lhe tingiu no sangue do Levante!
Visando a perfeição, poliu-a traço a traço!

Deu-lhe as formas ideais da Eleonora do Tasso
Deu-lhe a alma virginal da Beatriz do Dante...
No cabelo lhe pôs a Noite e no semblante
Dois dos mais belos Sóis que luziam no Espaço!

Ao vê-la, disse a Terra enlevada: Quem és?
E Eva assim respondeu: A tua Soberana...
E os tigres e os leões rojaram-se a seus pés!

Povoou-se de Riso e Lágrimas a Terra...
Surgira o Amor isto é, toda a Tragédia humana,
Os cânticos da Paz e as fanfarras da Guerra!




Os cisnes

A vida, manso lago azul, algumas
vezes, algumas vezes mar fremente,
tem sido para nós, constantemente,
um lago azul, sem ondas, sem espumas.

E nele, quando, desfazendo brumas
matinais, rompe um sol vermelho e quente,
nós dois vogamos indolentemente
como dois cisnes de alvacentos plumas.

Um dia, um cisne morrerá por certo.
Quando chegar esse momento incerto
no lago, onde talvez a água se tisne,

- que o cisne vivo, cheio de saudade,
nunca mais cante, nem sozinho nade,
nem nade nunca ao lado de outro cisne.