Dia de poesia – Roberto Ferrari – Espera

Amada, aguarda
Fica em silêncio
Escuta meu coração
Deixa que teu desejo
Acalme 
Este meu desejo louco
Da tua boca, do teu corpo
Da tua alma 
Deixa que meu canto
Se esvaia pela noite
Com minha poesia, minha jura 
De paixão 
E nesta noite inebriante
Sob os olhares da Lua
Nos amaremos
E juraremos nosso amor
Sim, nosso amor é bálsamo
Nosso abraço é conforto
Para nossa separação diária
E para nosso eterno esperar
Por mais uma noite
Por mais uma Lua.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Ana Acto – Partiste

Partiste...
Antes mesmo, de teres partido 

Nem sei se alguma vez
Terás realmente ficado 
Como se, em dúvida
Do presente que te oferecia  
Procurasses sempre, 
Por um futuro diferente 

Partiste...
Antes mesmo, de teres partido 

E nem o sentiste em ti
Talvez porque sempre lá tenhas estado
Nesse nada, feito de ilusões 
Ou supostas realidades
Tão incertas e inconstantes
Quanto a tua
Quanto a minha...
Que me o era, 
Não por dúvida ou medo
Mas por ta sentir 
E se por vezes, me permitia ignorar
Me soltava
Acreditava e sabia
Te amava ... 

Noutras, percebia...
E voltava descrente
Ao ponto de partida
Onde em dúvida 
Sempre disse que ficaria 

Já tu...partiste
Sem antes, teres realmente ficado... 

(Imagem: banco de imagens Google)

Em testamento (Memória)

Comigo eu trago mais de 23.000 ontens,

por isso sei que me restam poucos amanhãs

Fiz muitos de meus caminhos – nem sempre segui

aqueles já traçados por outros pés, porque

eu não queria atingir só os mesmos pontos de

chegada que outros, antes, já alcançaram

Viajei países, conheci o céu e, solitária,

atravessei o inferno; a tudo sobrevivi.

Foram tantas vírgulas nesta minha vida

tantos pontos finais e outros de interrogação…

Tive tantas perguntas sem conseguir respostas

Contei tantas estrelas, para esquecer logo depois

Mas sei que chegará, em breve, a hora de partir

para uma última viagem – esta, sem volta

Enfrentarei. Com coragem e sem lamentos.

Passei na vida por todos os ângulos vistos:

Agudos, retos, obtusos e rasos

Aparei muitas arestas pontiagudas

Escalei montanhas feitas de pura areia

Mergulhei em águas gélidas, rodei em tantas

correntezas, feri-me em pedras e sequei ao sol.

Junto de tantas linhas retas e duras que desafiei

também vi as curvas do mar e do infinito

ao se encontrarem no ponto mais distante do olhar

A mim, me foi dado contemplar o belo,

Ouvir os pássaros e o som dos violinos

E me emocionar com a arte, com a perfeição,

Conhecer o amor e viver a paixão infinita,

E, dentre todos – retas, ângulos e curvas,

nada eu amei mais, ou me fez mais feliz

do que o encontro sempre perfeito e ideal

de nossos côncavos e convexos se completando

nas curvas de um abraço tão apaixonado

no aconchego de nossas noites de amor.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – utopia (autoria desconhecida)

haverá  um tempo que não precisaremos medir as
palavras
será um
"eu te amo"
"te quero por perto"
e "que saudade de você" para todo lado.

por todo canto
será um
"há quanto tempo eu não te vejo"
"por onde você esteve?"
"estou apaixonado
".

e sem medir as palavras
conseguiremos aumentá-las
esticá-las
e colocá-las
em pessoas
não em intenções

(Imagem: banco de imagens Google)