Do céu

Quando o cansaço da vida a venceu
Não conseguiu continuar.
Deitou-se e pediu ao céu
Que tivesse misericórdia.
O céu, gentilmente, a cobriu
Com uma chuva de pétalas
Devolvendo com tanto carinho
As tantas flores que oferecera em vida
E então sentiu o frescor
Das gotas que o céu lhe enviava
Devolvendo com todo cuidado
As tantas lágrimas que derramara em vida
Não mais suportando toda a dor
Fechou os olhos, e, docemente, partiu

(Imagem: banco de imagens Google)

Templo sagrado (Memória, 2.9.20)

Quando chegar e quiser entrar
nesse templo que é tão sagrado,
primeiro acalme seus pensamentos,
controle sua respiração,
vista a alma de muita paz e
pense que pisará neste solo
onde poucos já pisaram.
Tire os calçados e a vaidade,
entre sozinho, em paz total.
Não olhe as paredes ao redor
nem pergunte quem lá já esteve,
apenas entre. Como em prece
saudando quem hoje ali habita
sinta-se acolhido no amor;
respire ali toda a ternura,
toda essa profunda emoção.
Deixe todo o peso de fora,
amargura e insatisfação.
Entre com olhos de amante,
coração leve, passos calmos.
Não se apresse nem o afobe:
ele tem seu próprio ritmo.
Pode chorar toda sua dor
porque nunca mais ela doerá.
Solte-se, relaxe as defesas.
Ali você estará seguro
como em nenhum outro lugar,
e ouvirá em benção: “bem-vindo”.
Entre, se aconchegue e fique aqui.
Você estará neste templo sagrado
dentro do peito onde é tão amado.
Aqui é o meu coração:
A sua nova morada.

(Imagem: banco de imagens Google)

Texto de Antonio Feijó


Todos os teus passos
Pequenos que sejam
Gestos teus seguem um só caminho
Um só sentido
Lugar aonde te sentes em paz
Te sentes amada
Aconchegada e segura de ti mesma.
Onde teu coração
todo o teu ser pertence
Adormeces e repousas
Tudo de ti se entrega
E sentes o calor sentido dos meus sentidos que te recebe
Sorri
Abraça e não larga.

(Imagem: banco de imagens Google)

Do vento (Memória, 3 anos)

“O sol e o vento falam apenas de solidão.” (Albert Camus)

O que é, em que consiste, do que é feito o vento?

Não quero definições científicas, que existem nos almanaques. Quero que o vento me diga quem é, de onde vem, o que quer de mim e para onde vai.

Por que em dias mansos ele também vem manso, disfarçado de brisa e apenas levemente balança as folhas da pontas dos galhos das árvores?

Por que em dias atribulados, ele vem rápido, ventando, derrubando e fazendo barulho?

E, nos dias de tormento, ele se avoluma, zune, grita e assovia, leva tudo consigo, desarranja os cabelos de todos, desmancha sonhos e desfaz realidades?

Ah, vento, de onde você vem? O que já viu nos lugares por onde passou?

E essa pressa, vento, para onde você vai que não pode parar um só instante e ficar aqui comigo?

O vento é igual a uma lufada de paixão. Vem sem se saber de onde, arrasta tudo, bagunça nossos cabelos, muda a realidade.

E se vai. Subitamente como veio, segue embora e nos deixa ainda mais solitários e desvalidos.

Vento e paixão são feitos da mesma matéria .

Não se pode prender a paixão, ou deixará de ser paixão. Esse laço não pode ser apertado para não virar nó e estrangular a paixão. Tem de ser livre, vir quando quiser, ir quando bem lhe aprouver. Assim como o vento. Tente prender o vento. Se barrado, instantaneamente desaparecerá. E ele morrerá. Porque, preso, contido, limitado, deixará de ser vento. Sua essência é a liberdade.

(Imagem: banco de imagens Google)