Não deixe que morra em mim
essa vontade de amar
Porque para o amor fomos feitos.
O amor é nossa essência
Nosso alimento e repouso.
Nem deixe que morra em mim
Essa paixão que me consome
Que é a razão de meu viver
E mantém viva a chama do amor
Que também nunca morra em mim
Essa tão imensa saudade
Que me sustenta e me arrasta
Põe-me de pé a cada queda
Motiva todo meu viver
E dá a certeza do futuro
Que eu processo como uma fé
Saudade de amar e ser amada
Mantém viva minha paixão
A marca perene do meu amor.
Dia de poesia – Vinicius de Moraes – A ausente
Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro…
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar…
Poesia da casa – Asas para voar

Hoje quero voar sozinha...
Para voarmos juntos precisei
me desfazer de uma de minhas asas.
Mas agora irei só...
Quero ir a lugares aos quais você não iria
Voar sobre outros mares, conhecer outros lagos
Ver florestas e campos de terras tombadas,
Outros povos, outras realidades
Quero voltar a sentir as nuvens a meu redor
Ver do alto a beleza das curvas dos rios e
Viver de novo a liberdade do voo solo
Cansei de não mais voar alto
De nunca mais voar longe, sem destino
Preciso me sentir livre
Minhas raízes estão em suas mãos
Prometo voltar logo...
Mas, para que eu possa ir, eu peço:
Empreste-me sua asa!
Poesia da casa – Oração à Poesia
Que a poesia esteja entre nós em todos os momentos E venha até nós em cada dia que se inicia Entre em nossa casa e dela faça sua eterna morada Seja o som do canto do pássaro no alvorecer Esteja entre as folhas das árvores onde o vento vem brincar Se mostre no azul do céu e nas nuvens de algodão E na cor de cada pétala de flor que se abre nas manhãs Esquente a Terra desde o amanhecer como se fosse o sol E fulgure depois do anoitecer junto com o claro luar Seja a bebida em cada copo que se ergue para um brinde Apareça no brilho dos olhos dos apaixonados E possa amainar a dor no coração dos abandonados Adoce a lágrima dos que choram por amor Acalme o coração dos que sofrem por desesperança Venha em palavras para ajudar os que querem se declarar Cole as mãos dos que seguem juntos pela vida Vele o sono e filtre os sonhos de todos que adormecem Cure as feridas nas almas lanhadas pela tristeza Seja a música que leva alegria aos que amam E traga o canto na voz dos alegram a existência Nunca falte nas noites frias, chuvosas e solitárias Que a poesia desça sobre nós e permaneça para sempre. Amém.
de esperança
Esperança – sustento dos sonhos, alimento da alma.
Muitas vezes é o único fio que ainda nos prende à vida.
Feita da mesma matéria da espuma do mar e das nuvens, é o mais tenaz dos sentimentos. Resiste. Sua missão, tão difícil, é assoprar continuamente as brasas da existência que ainda restam sob as cinzas das desilusões.
A cargo da esperança está nossa vontade de viver, de lutar, de seguir adiante. Ou já teríamos desistido de tudo.
Um único ponto de luz no nosso futuro é exatamente uma estrelinha brilhante que a esperança ali colocou. Para nos manter vivos.
E vamos em busca de alcançar essa estrelinha, que se afasta sempre que nos aproximamos. Mas a esperança, atenta, não nos deixa esmorecer.
E continuamos.
Mas, às vezes, a esperança se distrai, e desabamos.
Porque viver só de esperança é desanimador.
E isso faz lembrar uma velha trova “espero… pobre esperança / que já me resta tão pouca; / esperança também cansa / e às vezes amarga a boca”.
Texto de Manuel Alegre
