Conversa com meu avô – nª 07

 

Olá, vô, não reclama que demorei, o senhor tem visto tudo o que estamos passando e como o tempo não tem rendido nada aqui. Mas se não venho conversar um pouquinho não significa que não tenha muita vontade de vir ou que esqueci do senhor.

Vamos lá, fazer nossas atualizações políticas…

Então, é isso mesmo, o luis da silva continua preso. Quer dizer, continua ocupando dependências de luxo na superintendência da polícia federal de Curitiba, porque não aparece um corajoso para enviá-lo para o sistema, com calça amarela, cabeça raspada e seguindo regras.

O cara está lá numa boa, com namorada, esteira, internet e tudo o mais e ainda dizem que está preso.

Vamos ver se o TRF-4 solta logo a segunda condenação e vai agravando a situação do crápula.

E lá no congresso, vô, que situação mais nojenta! Estamos no dia 01 de julho e aquele bando de parasitas ganhou salários nababescos e não trabalhou um dia sequer em 2019. Apenas ficam tentando atrapalhar um governo que luta para tirar o país do lamaçal da corrupção.

Agora o Presidente da República esteve na reunião do G20 e conseguiu assinar um acordo que vem sendo tentado, costurado e adiado há uns 20 anos. Nenhum presidente conseguiu celebrar esse acordo entre o mercosul e a união europeia.

Pois é, nosso atual Presidente firmou. A médio prazo será uma alavancada excepcional para a economia – do Brasil e dos outros países integrantes do mercosul.

Claro que o senhor não leu nos jornais que isso é positivo, que foi ótimo para o país. A imprensa é encardida, vô, já falei para o senhor que é perda de tempo ler essas porcarias que se autodenominam jornais, mas não passam de exercício panfletário de elogio à esquerda, ao que há de mais atrasado, radical e violento no mundo.

Agora os empresários brasileiros terão de se virar para se desenvolver. Contratar engenheiros (que lotam as vagas de motoristas de uber, por absoluta falta de emprego no país) para colocarem suas empresas no rumo da competitividade a nível mundial. Acabou a reserva de mercado para produtos mal feitos e inadequados. Como diziam os portugueses, vai vigorar o “quem não tem competência, que não se estabeleça”.

Se tivermos produtos de primeira linha fabricados no Brasil, é óbvio que daremos preferência a eles. E eles terão condições de competir lá fora com produtos de outros países. Essa é a economia verdadeira, todos produzindo, gerando empregos e fazendo circular a riqueza. Comprar papel não será mais tão atraente.

É muito perigoso que esse acordo dê certo e tire o país da rota do atraso, por isso incomodou tanto a esquerda, que precisa de pobreza e ignorância para se sustentar.

E ontem, vô, que dia emocionante! O senhor viu as manifestações em todo o país? Um onda verde-e-amarelo tomou as ruas, avenidas e praças. O povo – milhões de pessoas – cantou o Hino Nacional com lágrimas nos olhos, verdadeiros patriotas, que mostraram apoio ao Presidente da República, ao Ministro da Justiça (aquele Juiz de Direito que teve a coragem de dar partida na maior operação de caça a corruptos já vista no mundo, e que agora é Ministro de Justiça, e um jornalista inglês, marido de um deputado federal não eleito pelo RJ, mas que herdou o cargo pela suplência, é, vô, O jornalista é maridO dO deputadO, ou O deputadO é marido dO jornalista, agora é comum, vô, deixa isso prá lá que esse assunto é bananeira que já deu cacho – esse jornalista tentou dar uma de esperto de derrubar o Ministro, mas o plano não deu certo).

As manifestações também pediram uma faxina no Congresso – os presidentes das duas casas são ignóbeis, assim como a maioria dos parlamentares – e ainda no STF. Não dá mais para o país continuar com essa corte desse jeito.

E, de quebra, apoio às reformas legais – lei da previdência e derrubar o estatuto do desarmamento, que sempre foi contra a vontade da população.

Foi bonito, vô, foi muito bonito. Tudo verde-e-amarelo. Muitas bandeiras do Brasil. Ninguém com bandeiras de partidos políticos nem trapo vermelho do sangue dos inocentes. Era o Brasil nas ruas. Foi lindo…

Se vai dar resultado? Volto aqui para contar, me aguarde!

Mãos

 

Busco suas mãos.

Eu as busco no conhecido e no desconhecido. No finito e no infinito. Na tristeza e na alegria.

Se tenho de atravessar um lindo campo, florido e iluminado, busco suas mãos. Para que você venha comigo, aproveitar desse momento único. Se estou em perigo, sem enxergar, correndo riscos, são elas que procuro para ter força e coragem, pois nelas eu confio.

Ao longo dessa vida busco suas mãos. Para todos os momentos. Para que guiem, sustentem, toquem e acariciem. Da mesma forma as buscarei no infinito, porque a morte não é o fim de um amor. O infinito é logo ali, fica atrás da cortina dessa existência, e lá estaremos juntos – um dará ao outro a mão na hora de atravessar o espelho.

Na tristeza só quero suas mãos. Quero suas mãos me afagando os cabelos, me abraçando e me fazendo acreditar que tudo vai passar. E, quando a alegria dominar novamente, serão suas mãos que buscarei, para nos tocarmos com paixão, e nos completarmos levando à comunhão das almas todo o aconchego que nossas mãos já deram aos corpos.

Por isso busco suas mãos. Hoje, aqui, amanhã, aí, antes, sempre e depois.

Busco suas mãos. Dê-me suas mãos. E vamos juntos conhecer a felicidade de amar.

Maravilhosa Praga

 

 

 

OK, respondo novamente, mas já publico e respondo aqui, de uma vez: 

A foto foi, sim, tirada em um restaurante de Praga, República Tcheca, há alguns bons pares de anos, na verdade, algumas décadas atrás. 

Estava tomando a genuína pilsen, em seu próprio berço – e pedi o copo pequeno, porque não sou muito de cerveja e nem fazia assim tanto calor, cerveja para mim é bebida de praia, de preferência em boa companhia. 

Mas, voltando à foto, foi uma viagem maravilhosa, eu sempre quis ir a Praga. Era um desejo recorrente. 

Eram livros de estórias e histórias que se passavam em Praga, cada vez que me caía um nas mãos sonhava mais e mais ir até lá. Eram filmes feitos na antiga Tchecolosváquia. E os vírus do turista profissional se multiplicando. 

Daí li A Insustentável Leveza do Ser. E quis mais ainda ir a Praga. 

Aí assisti Kolya. E delirei – se não fosse a Praga teria ataques de lombriga, chiliques e piripaques… só esperei a queda do comunismo, o que só veio a ocorrer em 1989, quando a  então Checoslováquia teve de volta a liberdade, através da “Revolução de Veludo“. Era a deixa para eu ir… E não fiz por esperar.

Até que… FUI À PRAGA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

E não me decepcionei em nada. Era até mais do que eu sempre esperei. 

Estive em lugares que só se tornaram real porque fui lá, vi, ao vivo e em cores, esses locais que  povoavam um rico imaginário que é próprio de quem gosta de ler: 

Katedrála svatého Vítaa maravilhosa e antiga igreja; Pražský hrad , o famoso Castelo de Praga; Pražský orloj, o relógio astronômico medieval,em  rua central, diante do qual multidões param  esperando seus movimentos; Obecní dům – o notável prédio da Câmara Municipal, estilo Art Nouveau –  Vltava, o rio que corta Praga e sua Ponte Carlos; Mala Strana e sua roda d’água, bairro incrivelmente típico, peculiar, muito usado para filmagens;   –  Staroměstské náměstí, a velha Torre…, foram tantas as maravilhas que fica difícil enumerar aqui.  

Vi um grau de civilização bem mais elevado que o nosso aqui, do Brasilsão velho de guerra! 

Vi a temida polícia de preto, resquício dos anos de chumbo. 

Um povo que se redescobre a cada dia, mostra sua alegria de viver, seu empenho em ter a Pátria grande e respeitada, em ver a verdadeira democracia reinar absoluta. 

Vi os telhados vermelhos de Praga e constatei que realmente os telhados em Praga são vermelhos. 

Vi, ainda, a imagem original do Menino Jesus de Praga, que lá é chamado de Deus Menino, vi restos de guerra e, acima de tudo, vi os cristais mais lindos que poderia imaginar.

E ouvi a língua mais esquisita que poderia haver, aprendendo o básico para ser gentil e bem aceita pelos nativos. Mas reconheço, essa é difícil de verdade, não tem nenhum nexo com qualquer língua conhecida.

Imagino como se sentiam os navegadores e exploradores quando se deparavam com populações nativas falando línguas e dialetos absurdamente ininteligíveis. Mas, é claro, pequeno detalhe que em nada embaçou o prazer da viagem. 

Quase não voltei, porque lá estava muito bom, muito bom mesmo. Mas chegou a hora e o avião decolou… 

Quem sabe um dia volto para lá…

 

Tempo

Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra. (Mário Lago)

 

Há tantos mistérios na vida…

Por exemplo: em que momento, na noite que antecede o dia do aniversário, que se fica mais velho?

Vai-se dormir com uma idade e se acorda no dia seguinte com outra idade. Quando acontece essa nova idade?

Uma noite se vai dormir adolescente, com dezessete anos, no dia seguinte se acorda adulto, responsável, passível de prisão, podendo tirar a habilitação. Mágica essa noite que antecede o dia do aniversário, certo?

E não tem volta.

Um dia se vai dormir jovem com vinte e nove anos e no dia seguinte se amanhece com trinta anos – terrível para as mulheres.

O mesmo quando se passa dos trinta e nove para os quarenta anos – e parece que todo mundo fica sabendo, porque em todo lugar se começa a ser tratada por senhora…

Em algum lugar o tempo tem de reverter, porque não dá para ir sempre adiante, não existe isso. Será que algum dia alcançaremos esse ângulo que dá o caminho de volta, e os aniversários serão contados para trás – com reversão física, na aparência, recuperando a juventude ida e perdida?

Ou de repente saímos desse círculo então estaremos sempre caminhando em linha reta até atingir um fim?

E o pior é esse seguir adiante, envelhecendo um pouco a cada dia e um ano na fatídica noite que traz o dia do aniversário?

E hoje me pergunto: onde e quando perdi a alegria da véspera do aniversário, e ainda mais aquela do próprio dia, que, se eu pudesse, certamente eu o tiraria do calendário?

Ficou esquecida em algum canto da vida, caída, por certo, do pacote das ilusões, que se foram perdendo ao longo de todos esses anos.

Podemos ser amigos simplesmente

Podemos ser amigos simplesmente, coisas de amor nunca mais. Amores do passado no presente repetem velhos temas tão banais. Ressentimentos passam como o vento, são coisas do momento, são chuvas de verão.         

Trazer uma aflição dentro do peito é da vida um defeito que se cura com a razão.   

Estranha no meu peito, estranha na minh’alma, agora eu vivo em calma: não te desejo mais.     

Podemos ser amigos simplesmente, amigos simplesmente nada mais.  (Chuvas de verão – Fernando Lobo)

Lindas a poesia e a sabedoria da letra dessa música, não é? Principalmente se na voz maravilhosa da insuperável e inigualável Maysa… para quem quiser conferir, essa e outras:

http://www.youtube.com/watch?v=sPrs9P1A1s4&eurl=http://blogdopromotor.zip.net/&feature=player_embedded

 

Atire a primeira pedra quem nunca quis reatar um relacionamento acabado.

E atire a segunda pedra quem nunca foi procurado por em ex para um revival.

Mas não adianta, porque o que acabou está morto, enterrado e não tem volta. Houvesse a mínima chance de dar certo,continuar, e não teria acabado.

É difícil muitas vezes por a pedra final e dizer: FIM, ACABOU.

Mas quando conseguimos dar esse passo, que alívio para a alma, para o coração, para a angústia.

A pior hora de um relacionamento é aquela em que sabemos, em que vemos que a relação precisa acabar e não temos coragem de matá-la.

Depois que ultrapassamos a linha do final, aí tudo fica fácil.

Mas muitos caem na tentação de um retorno, um encontro para lembrar os velhos tempos…

Acontece que o ser humano tem uma estranha capacidade de filtrar ao contrário, isto é, apagar do passado o que foi ruim e reter as lembranças boas. E aí começa o grande problema: um reencontro poderá desencadear não as coisas boas – que não eram tão importantes, não impediram o fim – mas as mágoas, as cobranças, tudo de ruim que levou ao fim do relacionamento.

E o gosto amargo será mais intenso do que na primeira separação, porque ainda por cima haverá o auto-desprezo pela fraqueza de não ter se mantido firme e falado não. Aí você pensa: porque fui aceitar essa volta, como sou fraco, podia passar sem esta, era certeza que não daria certo, se da primeira vez com todo o encanto não deu…

Porque a paixão, aquela paixão desenfreada, pura adrenalina, só acontece uma vez, é como água de rio: só naquele momento, porque depois já é outra água. A paixão só une o casal uma vez, desperdiçou, não tem volta.

É isso aí, fiquemos com o compositor, sem mágoas, sem cobranças: Podemos ser amigos simplesmente, coisas de amor nunca mais. Podemos ser amigos simplesmente, amigos, simplesmente, nada mais.

Viver

Caminante no hay camino, se hace camino al andar…

 

Viver intensamente, seguir adiante…

Mas como seguir se tantas coisas nos prendem e nos fazem permanecer no mesmo lugar na vida por tanto tempo, às vezes quase a vida inteira?

Esse é o truque de viver: seguir!

Não somos vegetais com raízes que têm que ficar sempre no mesmo lugar, nem grandes pedras ou montanhas que não se movem jamais.

Fomos feitos para seguir…

Romper com tudo que nos prende – e geralmente são fios mais finos que teias de aranha, mas nos acomodamos e nos deixamos prender pelo medo de enfrentar o que nos espera fora desse mundinho criado, conhecido e aparentemente inofensivo.

Depois que temos de coragem de ir, pela primeira vez, vemos que o mundo lá fora não é tão ameaçador assim, e – principalmente, oh felicidade! – que podemos ir.

A primeira vez é sempre marcante. Seja o primeiro dia de aula na nova escola, o primeiro dia de aula na faculdade, o primeiro dia do primeiro emprego, o primeiro dia no novo emprego, a primeira viagem sozinha de ônibus, de avião, de navio, mas primeira vez – e isso assusta.

Desde muito cedo temos que aprender a lidar com nossos medos. E vamos superando os mais óbvios – mas sempre ficam uns medinhos no fundo da alma que tanto atrapalham alguns quanto paralisam outros.

Não é fácil pela primeira vez sozinha pegar um avião e ir para longe, para estudar ou mesmo fazer turismo – mas sozinha mesmo, não é em grupo nem excursão, nem com desconhecidos. É totalmente só.

Depois que se vai a primeira vez parece que a cor da vida muda. Crescemos. E descobrimos que podemos tudo.

Vencer a primeira vez é a chave para realizar o truque de seguir.

Despir-se de preconceitos, idéias herdadas e tão arraigadas que fica difícil separar o que realmente pensamos ou o que os outros pensaram por nós.

Mudar de dentro para fora. Mudar por dentro tudo o que for preciso para assumirmos nossa vida, nosso querer, nossa personalidade. E daí que a família inteira joga tênis, se eu prefiro jogar futebol? Se a família inteira é católica se me encontro no seicho no ie; se todos estudaram medicina e eu prefiro arquitetura? Se todos se casam com pompa e circunstância e eu prefiro simplesmente viver junto com outra pessoa sem documentar o amor? Se minha bisavó fazia macarrão em casa e eu prefiro comer miojo?

Esses e outros fios das teias têm que ser rompidos, sem que isso implique em romper os laços familiares – esses, sim, são eternos e vigorosos. E mesmo quando eu marcho em outro passo porque escuto outro tambor eu mereço o respeito e apreço de todos. Respeitar as escolhas e as diferenças é tolerar, é amar incondicionalmente.

E muitas vezes exigimos esse respeito nas nossas escolhas mas não somos capazes de suportar a escolha do outro que o diferencia de nós, que o leva a dançar outra música porque não escuta a mesma que nós.

Então temos que primeiro nos reformular para aceitar os outros como são, e então exigirmos que nossas opções sejam respeitadas. E isso também é seguir, porque a partir desse momento poderemos viver plenamente nossa vida, sem interferência das imposições de terceiros.

Por que trilhar caminhos já tão batidos e desgastados, por tantos caminhado, se posso fazer meu próprio caminho, ao caminhar minha vida dia após dia?

Amar os outros? Sim, é preciso. Mas o mais importante na vida e SE amar.

E concluo: viver é maravilhoso. E pode ser melhor ainda. Depende de nós.

(05/02/09)