Viver

Caminante no hay camino, se hace camino al andar…

 

Viver intensamente, seguir adiante…

Mas como seguir se tantas coisas nos prendem e nos fazem permanecer no mesmo lugar na vida por tanto tempo, às vezes quase a vida inteira?

Esse é o truque de viver: seguir!

Não somos vegetais com raízes que têm que ficar sempre no mesmo lugar, nem grandes pedras ou montanhas que não se movem jamais.

Fomos feitos para seguir…

Romper com tudo que nos prende – e geralmente são fios mais finos que teias de aranha, mas nos acomodamos e nos deixamos prender pelo medo de enfrentar o que nos espera fora desse mundinho criado, conhecido e aparentemente inofensivo.

Depois que temos de coragem de ir, pela primeira vez, vemos que o mundo lá fora não é tão ameaçador assim, e – principalmente, oh felicidade! – que podemos ir.

A primeira vez é sempre marcante. Seja o primeiro dia de aula na nova escola, o primeiro dia de aula na faculdade, o primeiro dia do primeiro emprego, o primeiro dia no novo emprego, a primeira viagem sozinha de ônibus, de avião, de navio, mas primeira vez – e isso assusta.

Desde muito cedo temos que aprender a lidar com nossos medos. E vamos superando os mais óbvios – mas sempre ficam uns medinhos no fundo da alma que tanto atrapalham alguns quanto paralisam outros.

Não é fácil pela primeira vez sozinha pegar um avião e ir para longe, para estudar ou mesmo fazer turismo – mas sozinha mesmo, não é em grupo nem excursão, nem com desconhecidos. É totalmente só.

Depois que se vai a primeira vez parece que a cor da vida muda. Crescemos. E descobrimos que podemos tudo.

Vencer a primeira vez é a chave para realizar o truque de seguir.

Despir-se de preconceitos, idéias herdadas e tão arraigadas que fica difícil separar o que realmente pensamos ou o que os outros pensaram por nós.

Mudar de dentro para fora. Mudar por dentro tudo o que for preciso para assumirmos nossa vida, nosso querer, nossa personalidade. E daí que a família inteira joga tênis, se eu prefiro jogar futebol? Se a família inteira é católica se me encontro no seicho no ie; se todos estudaram medicina e eu prefiro arquitetura? Se todos se casam com pompa e circunstância e eu prefiro simplesmente viver junto com outra pessoa sem documentar o amor? Se minha bisavó fazia macarrão em casa e eu prefiro comer miojo?

Esses e outros fios das teias têm que ser rompidos, sem que isso implique em romper os laços familiares – esses, sim, são eternos e vigorosos. E mesmo quando eu marcho em outro passo porque escuto outro tambor eu mereço o respeito e apreço de todos. Respeitar as escolhas e as diferenças é tolerar, é amar incondicionalmente.

E muitas vezes exigimos esse respeito nas nossas escolhas mas não somos capazes de suportar a escolha do outro que o diferencia de nós, que o leva a dançar outra música porque não escuta a mesma que nós.

Então temos que primeiro nos reformular para aceitar os outros como são, e então exigirmos que nossas opções sejam respeitadas. E isso também é seguir, porque a partir desse momento poderemos viver plenamente nossa vida, sem interferência das imposições de terceiros.

Por que trilhar caminhos já tão batidos e desgastados, por tantos caminhado, se posso fazer meu próprio caminho, ao caminhar minha vida dia após dia?

Amar os outros? Sim, é preciso. Mas o mais importante na vida e SE amar.

E concluo: viver é maravilhoso. E pode ser melhor ainda. Depende de nós.

(05/02/09)

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