19 de outubro – o dia do amor e da paixão

Para Vinicius

19 de outubro. Mais um 19 de outubro a se somar a tantos outros já passados. Não um dia comum, igual aos outros 364 (algumas vezes 365) dias de cada ano. Mas o Dia 19 de outubro.

Dia de festa? Sim!

Dia de alegria? Sim!

Mas também dia de pranto. Dia de dor.

Mais um aniversário do querido Poeta (festa e alegria) que nos deixou há 40 anos (pranto e dor).

Comemoramos essa data – poetas, seresteiros, amantes da Poesia, fãs da arte maior que é escrever e se perpetuar pela palavra – quando festejamos a data do nascimento de Vinicius de Moraes.

No longínquo 19 de outubro de 1913 nascia, no Rio de Janeiro, Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, aquele que viria a ser talvez o maior poeta brasileiro do século XX.

Poeta, escritor, cantor, embaixador… mas o que mais encanta em sua profícua trajetória, sem qualquer sombra de dúvida, é sua poesia. Ou melhor, sua Poesia.

Cantou o amor, a paixão.

E nos tornou amantes e apaixonados.

Traduziu em palavras sentimentos indescritíveis. Transformou a mulher em imagem sublime, e a paixão no mais nobre dos sentimentos. Chamado carinhosamente de Poetinha pelo parceiro Tom Jobim, é nosso maior Poetinha. O grande Poetinha.

De impressionante lirismo, é impossível ficar indiferente à sua poesia, que toca a alma de quem a lê.

Como não se emocionar ao se ler: “… E se mais do que minha namorada você quer ser minha amada, minha amada, mas amada pra valer…”  ou “… Por não te possuir, tendo-te minha / Por só quereres tudo, e eu dar-te nada / Hei de lembrar-te sempre com ternura.” , e ainda “…Eu sei que vou sofrer / A eterna desventura de viver a espera / De viver ao lado teu  / Por Toda a minha vida.”

Tanto amor, tanto desamor, tanta solidão…

Vinicius partiu para a derradeira viagem. Mas, se não era eterno, certamente é imortal…

Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Soneto da Véspera

Quando chegares e eu te vir chorando 
De tanto te esperar, que te direi? 
E da angústia de amar-te, te esperando 
Reencontrada, como te amarei? 

Que beijo teu de lágrimas terei 
Para esquecer o que vivi lembrando 
E que farei da antiga mágoa quando 
Não puder te dizer por que chorei? 

Como ocultar a sombra em mim suspensa 
Pelo martírio da memória imensa 
Que a distância criou – fria de vida 

Imagem tua que eu compus serena 
Atenta ao meu apelo e à minha pena 
E que quisera nunca mais perdida…

Etéreo

Se um dia meus olhos se perderam nos seus

No momento exato do seu desejo infindo

Suas mãos se perderam em mim

E vi despertar a loucura da paixão

Nesse dia a canção do amor se fez ouvir,

num silêncio feito de sons do encanto

Estrelas desceram à Terra – únicas testemunhas

dessa entrega apaixonante e apaixonada

E o amor, finalmente, se fez

Seguimos apaixonados, paralelos,

nos tocando em todos eclipses

Até o dia fatal que vida a todos prepara  

E nos separamos, seguindo o destino traçado

Tanta paixão deu lugar à saudade

Que transformou em amargas lembranças

tantas horas de amor sublime, sempre tão

Intensas,  coloridas, risonhas, tão doces

Tentando apagar o que houve tão denso entre nós      

No dia em que seu corpo encontrou o meu

(Foto dicasbrasil.com.br)

Memória do blog – O traste da paixão

Não te espero, só porque te quero.Te quero, como sei que eu nunca quis alguém assim. Não te espero, só porque te quero.É porque te quero só pra mim…Te quero na minha vida, na minha paixão.Te espero, em todos os momentos e não só na solidão.(Celi Luzzi)

Ah, a paixão… a velha e boa paixão…

Chega de repente, nem se sonhava que estava a caminho. Pega de surpresa e se espalha. A paixão toma todo o corpo, ocupa todos os espaços. Torna-se obsessão, ideia fixa. Já não se sente mais necessidade q comer, de dormir, de conviver. Basta a existência, a atenção e a companhia do ser que despertou toda essa torrente de emoções.

Segue-se como encantado, com o sonho invencível de consumar a paixão, a necessidade de saber onde o outro está, o que faz, o que pensa…

De vez em quando a paixão é recíproca – aí é a pura maravilha, porque quando correspondida, a vida se torna colorida, sinos tocam sem cessar, anjos cantam dia e noite, tudo é encantamento.

Geralmente, no entanto, a paixão não é via de duas mãos – enquanto um está intensamente apaixonado, o outro só está passando o tempo, esperando que alguém mais conveniente apareça. E finge paixão.

E promete, e faz sonhar, deixa o apaixonado nas nuvens. Até o dia em que aparece o que esperava – mesmo que seja um traste imprestável – e deixa o apaixonado falando sozinho, até este perceber que a paixão era via de uma só mão.

E, pelo traste pelo qual foi substituído, o apaixonado acaba se dando conta do traste imprestável pelo qual se apaixonara…