Foi um vendaval – um forte e quente vento de verão Que se aproveitou de uma janela esquecida aberta E subitamente adentrou neste velho coração E trouxe dúvidas para a essa vida que estava certa Não consegui contê-lo, e assim também não me contive E se anoiteci na rotina de tantas tristezas antigas Amanheci renovada, na paixão incontida Reavivada no calor dessas lembranças amigas Tsunami, temporal, sensações passadas Desejo, saudade, palavras esquecidas Torvelinho fatal do que estava resolvido Fecho hoje com cuidado as janelas – agora já cerradas E as cinzas, que esvoaçaram doidas, voltam, entristecidas A cobrir de novo as brasas de um coração adormecido.
Mês: novembro 2021
Dia de poesia – Cecília Meireles – Canção
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo…
Poesia cantada…
Poesia da casa – Anoitece

Quando o dia se esvai, tudo é silêncio,
e a noite, suave, traz a lua e seu encanto,
na hora em que nada mais se espera,
penso em tudo enquanto penso em nada;
eu me recolho no vazio de minha alma,
para deixar fluir toda essa ternura
e sonhar que não há tristezas na vida
e ter a certeza de que estamos juntos.
Que vontade eu sinto de você,
que saudade eu sinto de nós dois;
venha me tocar do jeito que só você me tocou,
venha me falar as palavras que só você já falou,
venha, meu amor, ser meu ninho e serei seu aconchego,
Venha me amar da forma que nunca ninguém me amou.
(Imagem: Banco de imagens Google)
Dia de Poesia – Soninha Porto – Canção

traga-me você em canção
dance comigo
alivie-me do peso do mundo
embale e desabroche meus sentidos
cale sinuoso o grito do meu corpo
ocupe este coração sofrido
pegue-me em seus braços
– não, não, sem sufocar-me
leve-me ao som da branda melodia
e viaje inteiro dentro de mim
(Imagem: Banco de imagens Pixabay)
Haicais – Poesia da natureza

Cintila na noite
Riscando a escuridão
– Lindo vagalume

Caiu uma gota
com força outras vieram
começa a chover

São fortes as cores
das asas das borboletas
– flores a voar