Dia de poesia – Alberto Caeiro – Quando vier a primavera

Quando vier a Primavera,

Se eu já estiver morto,

As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.

A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria

E a Primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.

Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?

Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.

Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.

Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.

Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Joaquim Pessoa – Tu sabes onde estou…

Sabes como me chamo.    
Estarei presente quando já mais ninguém estiver contigo, quando chegar a hora decisiva 
e não encontrares mais esperança, 
quando a tua antiga coragem vacilar. 
Caminharei a teu lado. 
Haverá, decerto, algumas flores derrubadas, 
mas haverá igualmente um sol limpo 
que interrogará as tuas mãos 
e que te ajudará a encontrar, 
entre as respostas possíveis, 
as mais humildes, 
quero eu dizer, 
as mais sábias e as mais livres. 
Conta comigo. 
Sempre