Memória do blog – O traste da paixão

Não te espero, só porque te quero.Te quero, como sei que eu nunca quis alguém assim. Não te espero, só porque te quero.É porque te quero só pra mim…Te quero na minha vida, na minha paixão.Te espero, em todos os momentos e não só na solidão.(Celi Luzzi)

Ah, a paixão… a velha e boa paixão…

Chega de repente, nem se sonhava que estava a caminho. Pega de surpresa e se espalha. A paixão toma todo o corpo, ocupa todos os espaços. Torna-se obsessão, ideia fixa. Já não se sente mais necessidade q comer, de dormir, de conviver. Basta a existência, a atenção e a companhia do ser que despertou toda essa torrente de emoções.

Segue-se como encantado, com o sonho invencível de consumar a paixão, a necessidade de saber onde o outro está, o que faz, o que pensa…

De vez em quando a paixão é recíproca – aí é a pura maravilha, porque quando correspondida, a vida se torna colorida, sinos tocam sem cessar, anjos cantam dia e noite, tudo é encantamento.

Geralmente, no entanto, a paixão não é via de duas mãos – enquanto um está intensamente apaixonado, o outro só está passando o tempo, esperando que alguém mais conveniente apareça. E finge paixão.

E promete, e faz sonhar, deixa o apaixonado nas nuvens. Até o dia em que aparece o que esperava – mesmo que seja um traste imprestável – e deixa o apaixonado falando sozinho, até este perceber que a paixão era via de uma só mão.

E, pelo traste pelo qual foi substituído, o apaixonado acaba se dando conta do traste imprestável pelo qual se apaixonara…

Poesia da casa – De um passado

Quando pele contra pele em perfeita concha adormecemos,

Almas felizes, paixão satisfeita, tudo mais que perfeito;

A Terra girava em seu exato eixo, o mundo se acalmou,

A mansa chuva lavava os céus, o ar, nossas almas sedentas,

Tudo, todos e cada um ocuparam seu devido lugar,

A felicidade se fez e inundou a noite com sua paz.

O tempo, passou, cruel, separando quem se queria junto,

A vida, implacável, seguiu seu curso de angústias e dores

Como um rio cujas águas não podem ser contidas nem represadas,

E consigo tudo arrasta, separa, esparrama e desfaz…

Pouco a pouco apenas recordações se fazem presente

Nessa vida de repente tão sem brilho, tão vazia de você,

Meus braços, agora, só encontram o vazio para enlaçar.

Somente as lembranças hoje se deitam a meu lado

E tenho, por única companhia, apenas a sua ausência.

Poesia da casa – Ausência

Sentir nas mãos o perfume de outras mãos

Manter na pele o toque de outra pele

Trazer no corpo o relevo de outro corpo

Ouvir com a mente a voz que já se calou

 

Andar de mãos dadas com mãos ausentes

Dormir nos braços que já se foram

Ter vivos os carinhos encerrados

Esse é o retrato da saudade

 

A saudade que restou de uma ausência

Que já impede de contar estrelas

Apagou dos olhos o brilho do olhar

E tirou da alma a vontade de viver

 

Ausência – a falta absoluta

De quem não poderia ter partido

Quem se foi, mas deixou na outra alma

Toda a ternura que havia em tanto sonho

Dia de Poesia – Pablo Neruda – Pido Silencio

Ahora me dejen tranquilo.
Ahora se acostumbren sin mí.

Yo voy a cerrar los ojos

Y sólo quiero cinco cosas,
cinco raices preferidas.

Una es el amor sin fin.

Lo segundo es ver el otoño.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.

Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que amé, la caricia
del fuego en el frío silvestre.

En cuarto lugar el verano
redondo como una sandía.

La quinta cosa son tus ojos,
Matilde mía, bienamada,
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tú me sigas mirando
.

Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo.

Ahora si quieren se vayan.

He vivido tanto que un día

tendrán que olvidarme por fuerza,
borrándome de la pizarra:

mi corazón fue interminable.

Pero porque pido silencio
no crean que voy a morirme:
me pasa todo lo contrario:
sucede que voy a vivirme.

Sucede que soy y que sigo.

No será, pues, sino que adentro
de mí crecerán cereales,

primero los granos que rompen
la tierra para ver la luz,

pero la madre tierra es oscura:
y dentro de mí soy oscuro:
soy como un pozo en cuyas aguas
la noche deja sus estrellas
y sigue sola por el campo.

Se trata de que tanto he vivido
que quiero vivir otro tanto.

Nunca me sentí tan sonoro,
nunca he tenido tantos besos.

Ahora, como siempre, es temprano.
Vuela la luz con sus abejas.

Déjenme solo con el día.
Pido permiso para nacer.