A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Blogueira, escritora, poeta... porque escrever é preciso
Quantas vezes tememos usar a pontuação adequada à nossa vida, e prorrogamos situações que se arrastam inutilmente.
A vida não volta.
Tudo o que aconteceu no passado, é lá que deve ser deixado: no passado.
O que foi nunca mais será.
O ontem é fato consumado.
Trazemos as mãos repletas de vírgulas e pontos de interrogação, mais alguns de exclamação e ainda alguns “dois pontos, travessão”…
Mas escondemos os pontos finais nos fundos dos bolsos para não os usarmos.
E assim vamos ora empurrando a vida, ora por ela sendo empurrados.
Precisamos de todos os sinais gráficos de pontuação para que a narrativa da vida tenha sentido.
A falta da pontuação é tão danosa quanto sua abundância desnecessária.
Por isso é de ser usada com cautela.
Timidamente colocamos um ou outro ponto final – geralmente lá em cima, em algo que há muito já ficou para trás. Sentimo-nos constrangidos em fazê-los nas situações presentes, por receio de causar mágoas e rupturas irrecuperáveis.
E não vemos quantos desses pontos são postos em nós, interrompendo sonhos, paixões, trajetórias de nossa vida.
Quantas vezes tentamos virar as páginas no existir, sem colocar um ponto final, porque temos a tênue esperança de que não houve um fim, mas mera pausa…
Difícil é chegar à conclusão e tomar a decisão, não apenas de colocar o ponto final e virar a página, mas de, definitivamente, fechar o livro que a releitura machuca mais que o esquecimento.
A facilidade da internet é inversamente proporcional à sua pressa e/ou à sua necessidade.
Há dias que só tenho problemas com toda essa – cara – porcariada que mantenho tentando conseguir acompanhar lives, seja aula, seja entrevista, seja lá o que for, entre outras coisas medonhas que esse isolamento desgraçado nos impõe.
Muitas vezes sequer conseguirmos ler um e-mail. E a explicação nunca é a falha do serviço porco que as operadoras nos entregam, mas sempre é culpa do consumidor: o chique da hora é alegar excesso de acesso.
Ou o computador não liga e o notebook trava.
Ou a bateria de um acaba ou o wi-fi desmaiou e não volta. Ou os milhares de programas que você ou seu técnico instala não funcionam mais.
Ou seja, você quer seguir uma aula, precisa entrar em contato com uma pessoa – a maioria agora só atende via whatsapp (o que, por si só, é o horror dos horrores) e tudo falha.
Você precisa dos resultados dos exames clínicos e o laboratório só fornece via internet – mas as senhas não funcionam ou o programa do laboratório requer um software diferenciado para fornecer o que você precisa.
E assim vai a vida, onde se perdem horas tentando fazer essas coisas funcionarem.
Ao longo de uns trinta anos de computação, pelo menos sei a diferença entre software e hardware: software é o que você xinga e hardware é o que você chuta.
Os programas hoje se assemelham aos médicos especialistas: enquanto estes sabem cada vez de cada vez menos, os softwares servem cada vez mais para cada vez menos.
Meu sonho de consumo hoje em dia não é um iPhone 12. Mas sim desconectar televisão e internet da minha casa e da minha vida.
Vou procurar um caverna para morar e tentar viver em paz.