Dia de poesia – Roberto Ferrari – Razão e Loucura

Teu coração tem suas razões
Mas a minha alma chora
Por tua ausência
E fica a rimar o amor
Com as estrelas
Morrendo de saudades de ti.

Em cada canto uma tristeza
Um momento vivido
Um pranto esquecido
Talvez uma bossa nova
Para acalmar meu coração.

Sem ti minha querida
Perdi o rumo
Confundi loucura e razão
E jurei meu amor por ti
Olhando para o mar
E tendo em ti minha inspiração.

 

Ano novo, vida velha

Repetindo:

 

E no final das contas não são os anos em sua vida que contam. É a vida nos seus anos.(Abraham Lincoln)

 

De repente você preenche um cheque e descobre que é novo ano. Mais um ano (na verdade MENOS um ano, pois os anos vividos devem ser descontados, a cada ano faltam menos anos para vivermos). 

Na noite de réveillon há mil promessas, intenções – sempre boas, maravilhosas – planos de ano novo. 

E três ou quatro dias depois o ano já não é tão novo, os planos são abandonados, as promessas esquecidas e as boas intenções se desfazem no ar. 

E tudo continua igual sempre foi. A rotina, as tristezas, as perdas. 

A vida, olhando bem, é uma sucessão de perdas. 

Perdemos o encanto da infância, os sonhos da juventude, perdemos parentes e amigos, perdemos lugares que deixam de existir… 

Quanto mais vivemos mais perdemos. 

Só nos dedicamos aos ganhos materiais, que menos importam para uma vida que valha a pena ser vivida. 

E nos arrastamos do réveillon ao carnaval, deste à semana santa, todos os marcos que durante o ano ponteiam nosso tempo. E logo, muito logo, será novamente réveillon, e menos um ano na nossa vida.

Se…

Se você surgisse como o sol dos meus dias

Trazendo luz e calor para aquecer minha alma

Eu poderia enxergar então uma realidade melhor

Mas você não surge, ah, meu amor, você não surge

 

Se você voasse comigo para outros mundos

Juntos conheceríamos a verdadeira felicidade

E nunca mais ficaríamos separados,

Mas você não voa comigo, meu amor, não voa comigo

 

Se você quisesse ser para sempre meu amor

E andarmos todos nossos caminhos de mãos dadas

Eu te cobriria de beijos e carinhos sempre,

Mas você não quer, meu amor, você não quer

 

Se você chegasse na minha noite de insônia

E me desse todo carinho até me adormecer

Colocaria cores e alegrias nos meus sonhos,

Mas você não chega, meu amor, você não chega

 

Se você viesse navegar comigo no meu barco

Eu te contaria todas as histórias das sereias

E te falaria o nome de todas as estrelas nas noites,

Mas você não vem, meu amor, você não vem

Votos de Ano Novo

Todo dia 31 de dezembro há uma intensa troca de votos alvissareiros através das redes sociais. Tenho a maior preguiça do mundo em participar disso.

Entretanto, em nome da boa convivência, para que ninguém se sinta excluído do meu carinho, transcrevo um poema de Drummond, com os desejos mais simples, mas que reflete exatamente o que desejo a vocês, leitores desse blog:

Desejos
Desejo a vocês…
“Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu”

 

Dia de Poesia – Afonso Lopes Vieira – Saudades não as quero

Bateram fui abrir era a saudade

vinha para falar-me a teu respeito

entrou com um sorriso de maldade

depois sentou-se à beira do meu leito

e quis que eu lhe contasse só a metade

das dores que trago dentro do meu peito

Não mandes mais esta saudade

ouve os meus ais por caridade

ou eu então deixo esfriar esta paixão

amor podes mandar se for sincero

saudades isso não pois não as quero

Bateram novamente era o ciúme

e eu mal me apercebi de que batera

trazia o mesmo ódio do costume

e todas as intrigas que lhe deram

e vinha sem um pranto ou um queixume

saber o que as saudades me fizeram

Não mandes mais esta saudade,

ouve os meus ais por caridade,

ou eu então deixo esfriar esta paixão,

amor podes mandar se for sincero,

saudades isso não pois não as quero.

(in ‘Antologia Poética’)

O rio e a vida

Ao nascer, um pequeno olho d’água, não sabe o que o destino lhe reserva. Pode ficar ali, contido, secando ao sol do dia, pequena e insignificante nascente, esquecida da sorte.

Outros, entretanto, correm para longe, formando cursos d’água, córregos e rios. Pequenos e grandes, ignorados ou importantes.

Alguns enfrentam vários obstáculos – pedras pequenas e grandes, montanhas, rochas. Mas não desistem. Cobrem algumas, contornam outras, desviam ou cavam, mas seguem adiante.

Nada detém seu desejo de crescer e chegar até o mar, destino final de todos.

Mais cedo ou mais tarde, irá encontrar o oceano. Sem ter ideia do que se trata, de sua dimensão.

E, nesse encontro, sentirá pavor de sua imensidão. Mas é tarde demais, não tem volta.

Então, o rio se entrega ao mar, suas águas se fundem e se tornam apenas um.

A cada fonte, seu destino.

Assim é nossa vida – todos nascem iguais. Nem todos sobrevivem. Os mais fortes são aqueles que enfrentaram os maiores desafios. E, no momento derradeiro, encaramos a morte. Que nos leva, nos funde, apaga nossa existência nesse mundo.