A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Já não há domingos
Todas as vidas gastei
para morrer contigo.
E agora
…esfumou-se o tempo
e perdi o teu passo
para além da curva do rio.
Rasguei as cartas.
Em vão: o papel restou intacto.
Só os meus dedos murcharam, decepados.
Queimei as fotos.
Em vão: as imagens restaram incólumes
e só os meus olhos se desfizeram, redondas cinzas.
Com que roupa
vestirei minha alma
agora que já não há domingos?
Quero morrer, não consigo.
Depois de te viver
não há poente
nem o enfim de um fim.
Todas as mortes gastei
para viver contigo.
Tu não estás longe de mim
nunca estiveste aliás.
Estás em mim.
Tu moras aqui
aqui dentro
És tu quem me acorda
e também quem me nina
Caminhas ao meu lado
de braços dados...
arrancas lágrimas dos meus olhos
arrancas sorrisos da minha boca
estás no meu pensamento
e nas minhas ações
és tu que controlas minhas mãos
nossas vidas se cruzaram naquele dia
ali eu nasci
tu entraste
nunca mais saíste
Tatuado em mim
tu estás
Não superficialmente na pele
mas internamente
na alma
Queria ser o bálsamo para curar suas dores,
Ser a canção mansa que acalma seu coração.
Queria, com suas lágrimas, umedecer meus lábios secos,
E que meus braços fossem para sempre seu repouso.
Queria dissipar seu cansaço da vida, sua tristeza,
Que em meu corpo você encontrasse seu ninho.
Queria que meu amor tivesse o poder da luz,
E a meu lado nenhum medo do futuro existisse.
Queria ser para sempre sua fonte de carinho,
E a ternura doce que você sonhava encontrar.
Queria, depois que eu partir, ser a lembrança alegre,
Ter feito a diferença da felicidade em sua vida.
Queria ter a certeza da eternidade do nosso amor
E que esta paixão, fosse, então, infinita...
Quando eu morrer,
Morrerei em paz,
Humildemente,
Longe de toda a gente,
Longe de tudo o mais.Me despedirei da vida
Como de um sonho que se esvai.
Não direi: Chorai.
Direi, apenas,
Não tenhas pena
De mim, minha mãe;
Não tenhas pena
De mim, meu pai.Morrerei, simplesmente,
Obscuramente
Sem adeus adrede
De quem se despede,
De quem se vai.
Como vivi, morrerei:
Pobremente,
Sem um ai.
Como uma flor que murcha,
Como uma gota que cai.
(Imagem: foto de stock no Vecteezy, banco de imagens Google)
As escolas começaram com um homem embaixo de uma árvore, que não sabia que era professor, discutindo suas percepções com uns poucos que não sabiam que eram alunos.(Louis Kahn)
Interessante essa ideia da origem da escola – e do professor e do aluno.
Em que momento surgiu a escola, ou a ideia de escola, se, desde o primeiro momento da vida se começa a aprender – e há alguém a nos ensinar?
Ou escola é só aquela formal, quando o professor se propõe, como missão de vida, a ensinar a vários alunos?
Todos somos alunos e somos professores nessa vida.
A mãe é a primeira e grande mestra. Praticamente ensina ao filho, desde seu nascimento, tudo o que ele precisa saber para viver nesse mundo hostil fora de seu útero.
Então já nascemos alunos.
Mas ensinamos à mãe o que é o amor de um filho, o que é a alegria de um lar. Daí nos tornamos professores.
Os irmãos se ensinam. Tudo. Desde amizade, camaradagem, agressão e defesa pessoal, até as mais difíceis equações da matemática.
Entre irmãos somos professores e alunos.
A pessoa mais simples, com menos estudo possível, poderá ser sábia, e nos dar grandes lições de vida e resiliência. Mais sabedoria que muito professor titulado.
E tudo o que sabemos, ainda que pouquíssimo, poderemos ensinar àqueles que sabem ainda menos do que nós.
Às vezes um pequeno gesto ensina mais que muita profusão de estudos e palavras complicadas.
Aprendemos com as pessoas, na família, no trabalho, no ponto de ônibus, na praia…
Ensinamos por todos os lugares pelos quais passamos. Podemos até mesmo ensinar o que nem sabíamos saber.
De que adianta aprender e saber se não for para ensinarmos?
Qual a finalidade de se guardar tudo o que se aprende?
E, quanto mais ensinamos, mais aprendemos.
Quanto mais dividimos o que sabemos, mais adquirimos saber.
Hoje não há mais escolas. Cada um pega seu computador e vai para um canto. Não sabemos se os denominados alunos estão aprendendo. Só avaliaremos essa situação daqui uma década ou duas, quando esses alunos forem os profissionais de amanhã.
Mas aquele homem, aquele primeiro homem que resolveu formalmente dividir suas dúvidas com seus amigos, estava personificando a mais nobre ação que um ser pode desenvolver: ensinar.