Poesia da casa – Eu, deserto, você, oásis

❁[Ane of The Wild Hunt]❁ | Fotografie natuur, Landschappen ...
Neste deserto em que sozinha eu caminhava
A areia queimava meus pés cansados
Enquanto o vento cortava minha face
O sol inclemente me causticava pele
Mas eu precisava seguir, sempre adiante
Ainda que a sede me tirasse as forças
E a tristeza dominasse minha alma

Quando acreditei não mais poder prosseguir
eu encontrei você – feito de verde paz
Era água, era sombra, era aconchego
E você me abriu os braços como um oásis
Deixei-me assim acolher, sedenta e carente
Fora longa a caminhada pelas quentes areias
Em você eu fiquei, recostei, descansei

Sua sombra acalmou o calor da minha pele
Sua água matou a sede de tanto tempo
Seu abraço apagou o cansaço do caminho
Ali ficamos, eu deserto abrigada em seu frescor
Você oásis se alimentando de meu deserto

Mas um dia foi preciso partir – é a vida
Eu, nômade, sempre a partir e a buscar
Você oásis, sempre a ficar e a abrigar
Deixei seu aconchego, seu seguro abrigo
E em lágrimas parti em busca de mim
Você, imóvel, chorando a minha partida

Assim nos separamos. Trouxe sua água em mim
Deixei minha areia para sempre em você
Eu não podia ficar e nunca voltaria
Você não podia partir e me disse adeus
Para sempre viveríamos dessa doce lembrança:
Você, o oásis no deserto de minha vida
Eu, deserto e vida, em você, oásis


(Imagem: banco de imagens Google)

Memória do blog – Cacos

Vidrio Roto Shattered Cristal - Foto gratis en Pixabay

Não ouviu o ruído do cristal se partindo.

Sentiu o coração apertado ao constatar a perda

Mesmo sendo antigo, mesmo desgastado pelo tempo

Era algo que trazia consigo há algumas décadas,

E não desejava ver tudo destruído tão de repente.

Olhou os pedaços espalhados brilhando sobre o tapete

Abaixou-se e começou a recolher cada brilho, cada fagulha

Alguns, mesmo lindos, mesmo pequenos, feriam seus dedos

Fazendo sangrar as lembranças de tempos idos, distantes

Tantos caquinhos que juntos tinham formado esse todo

Que agora chegava ao fim. Como a própria vida,

Tudo encontra seu fim, de alguma maneira, anunciada

Ou inesperada, mas há um momento em que se acaba.

Tentou, ainda, colocar cada pedacinho em seu lugar

Na frágil esperança que tudo poderia ser reconstruído.

Viu que era irrecuperável. Acabou de ajuntar

Todos os cacos ali espalhados, como lágrimas caídas

Colocou com carinho em um mesmo potinho

E, sentindo os olhos se umedecerem,

Jogou fora o que sobrara daquilo que um dia

Até mesmo chamara de amor. Mas acabou.

(Imagem: banco de imagens Google)

Sem fim

Não querer sentir  pode ser amar
Desistir pode ser continuar
a vida é feita de enigmas
de jogos e muito sofrimento.
A maior de todas as derrotas
não é perder a luta ou batalha
mas a maior derrota é desistir.
O destino põe todos à prova:
passa rasteira, dá golpe baixo,
para testar a capacidade
da resistência de cada um.
Por isso, não desista de nada - 
Nem da vida, de mim, nem de você, 
insista, persista, permaneça
que só vale a pena viver a dois. 
Tenha sempre sua alma aquecida. 
Nunca deixe seu coração esfriar. 
Ou o amor morrerá de frio.
Venha, segure sempre a minha mão.
Sua asa solitária nunca o
levará ao alto ou longe que
sonhou. Use a minha. Vamos juntos.
Vamos voar além da realidade
Vamos voar todos nossos sonhos...
    
(Imagem: banco de imagens Google)












Reticências…

Visualização da imagem
Adoro reticências...
Aqueles três pontos intermitentes
que insistem em dizer que nada
está fechado, que nada acabou,
que algo sempre está por vir!
A vida se faz assim!
Nada pronto, nada definido.
Tudo sempre em construção.
Tudo ainda por se dizer...
Nascendo...
Brotando...
Sublimando...
Vivo assim...
Numa eterna reticência...
Para que continuar ponto final! 
O que seria de nós sem a 
expectativa de continuação...
(autoria desconhecida)

(Imagem: foto de Maria Alice)