A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança…
Neste deserto em que sozinha eu caminhava
A areia queimava meus pés cansados
Enquanto o vento cortava minha face
O sol inclemente me causticava pele
Mas eu precisava seguir, sempre adiante
Ainda que a sede me tirasse as forças
E a tristeza dominasse minha alma
Quando acreditei não mais poder prosseguir
eu encontrei você – feito de verde paz
Era água, era sombra, era aconchego
E você me abriu os braços como um oásis
Deixei-me assim acolher, sedenta e carente
Fora longa a caminhada pelas quentes areias
Em você eu fiquei, recostei, descansei
Sua sombra acalmou o calor da minha pele
Sua água matou a sede de tanto tempo
Seu abraço apagou o cansaço do caminho
Ali ficamos, eu deserto abrigada em seu frescor
Você oásis se alimentando de meu deserto
Mas um dia foi preciso partir – é a vida
Eu, nômade, sempre a partir e a buscar
Você oásis, sempre a ficar e a abrigar
Deixei seu aconchego, seu seguro abrigo
E em lágrimas parti em busca de mim
Você, imóvel, chorando a minha partida
Assim nos separamos. Trouxe sua água em mim
Deixei minha areia para sempre em você
Eu não podia ficar e nunca voltaria
Você não podia partir e me disse adeus
Para sempre viveríamos dessa doce lembrança:
Você, o oásis no deserto de minha vida
Eu, deserto e vida, em você, oásis
(Imagem: banco de imagens Google)