Categoria: DeAlice
Dia de poesia – Emidio Lopes – Fantasia
Encantadora, divina…
Eu vi um sorriso lindo
Em tuda boca de menina
Ah… Querer não é poder
Não é um querer qualquer
Ah se eu pudesse beijar
Tua boca de mulher…
Memória do blog – O traste da paixão
Não te espero, só porque te quero.Te quero, como sei que eu nunca quis alguém assim. Não te espero, só porque te quero.É porque te quero só pra mim…Te quero na minha vida, na minha paixão.Te espero, em todos os momentos e não só na solidão.(Celi Luzzi)
Ah, a paixão… a velha e boa paixão…
Chega de repente, nem se sonhava que estava a caminho. Pega de surpresa e se espalha. A paixão toma todo o corpo, ocupa todos os espaços. Torna-se obsessão, ideia fixa. Já não se sente mais necessidade q comer, de dormir, de conviver. Basta a existência, a atenção e a companhia do ser que despertou toda essa torrente de emoções.
Segue-se como encantado, com o sonho invencível de consumar a paixão, a necessidade de saber onde o outro está, o que faz, o que pensa…
De vez em quando a paixão é recíproca – aí é a pura maravilha, porque quando correspondida, a vida se torna colorida, sinos tocam sem cessar, anjos cantam dia e noite, tudo é encantamento.
Geralmente, no entanto, a paixão não é via de duas mãos – enquanto um está intensamente apaixonado, o outro só está passando o tempo, esperando que alguém mais conveniente apareça. E finge paixão.
E promete, e faz sonhar, deixa o apaixonado nas nuvens. Até o dia em que aparece o que esperava – mesmo que seja um traste imprestável – e deixa o apaixonado falando sozinho, até este perceber que a paixão era via de uma só mão.
E, pelo traste pelo qual foi substituído, o apaixonado acaba se dando conta do traste imprestável pelo qual se apaixonara…
Poesia da casa – De um passado
Quando pele contra pele em perfeita concha adormecemos,
Almas felizes, paixão satisfeita, tudo mais que perfeito;
A Terra girava em seu exato eixo, o mundo se acalmou,
A mansa chuva lavava os céus, o ar, nossas almas sedentas,
Tudo, todos e cada um ocuparam seu devido lugar,
A felicidade se fez e inundou a noite com sua paz.
O tempo, passou, cruel, separando quem se queria junto,
A vida, implacável, seguiu seu curso de angústias e dores
Como um rio cujas águas não podem ser contidas nem represadas,
E consigo tudo arrasta, separa, esparrama e desfaz…
Pouco a pouco apenas recordações se fazem presente
Nessa vida de repente tão sem brilho, tão vazia de você,
Meus braços, agora, só encontram o vazio para enlaçar.
Somente as lembranças hoje se deitam a meu lado
E tenho, por única companhia, apenas a sua ausência.
Poesia da casa – Ausência
Sentir nas mãos o perfume de outras mãos
Manter na pele o toque de outra pele
Trazer no corpo o relevo de outro corpo
Ouvir com a mente a voz que já se calou
Andar de mãos dadas com mãos ausentes
Dormir nos braços que já se foram
Ter vivos os carinhos encerrados
Esse é o retrato da saudade
A saudade que restou de uma ausência
Que já impede de contar estrelas
Apagou dos olhos o brilho do olhar
E tirou da alma a vontade de viver
Ausência – a falta absoluta
De quem não poderia ter partido
Quem se foi, mas deixou na outra alma
Toda a ternura que havia em tanto sonho
Mais Cecilia
“Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente uma onda.
Sabendo bem que eras uma nuvem e depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso e dei-me ao teu destino frágil, fiquei sem poder chorar, quando caí.”
Cecilia Meireles