E vem, aí, mais um dia 19 de outubro – Para Vinicius de Moraes

Todos os anos, inevitavelmente, temos um dia 19 de outubro no calendário.

Para se lembrar e relembrar, para se comemorar o aniversário natalício de um dos maiores poetas do século XX.

O nosso grande Poetinha, Vinicius de Moraes.

O homem que viveu sob o signo da paixão.

Fez do amor sua razão de viver.

E do encanto a sua musa.

Insuperável em seu romantismo, foi também compositor, cronista, dramaturgo e, até mesmo, por profissão, embaixador.

Sua arte é atemporal.

Ele é eterno, não apenas imortal. Ele foi intenso. Infinito.

Por isso, a partir de amanhã, no decorrer dessa semana, todos os posts serão em sua homenagem.

Meu ídolo maior.

Com ele aprendi a morrer de amor e viver de paixão.

(Imagem: banco de imagens Google)

À morte que nos espreita, a cada dia mais perto…

S’il faut mourir un jour
Je veux que tu sois là
Car c’est ton amour
Qui m’aidera à m’en aller vers l’au-delà

Alors je partirai,
Sans peur et sans regret
Et dans mon délire, je revivrai toute une vie de souvenirs

Pour traverser le miroir,
Je ne veux que ton regard
Pour mon voyage sans retour
Mourir auprès de mon amour
Et m’endormir sur ton sourire

Le temps qui nous poursuit
Ne peut nous séparer
Même après la vie
Nos joies passées vont nous unir à l’infini
Pour m’enfoncer dans la nuit
Et renoncer à la vie
Je veux dans tes bras qui m’entourent
Mourir auprès de mon amour
Et m’endormir sur ton sourire

Pour traverser le miroir
Je ne veux que ton regard
Pour mon voyage sans retour
Mourir auprès de mon amour
Et m’endormir sur ton sourire.

(Se é preciso morrer um dia  / Eu quero
que você esteja ali
Porque é o teu amor / Que me ajudará a ir para o outro lado

Então eu partirei / Sem medo e sem lamentos,
E no meu delírio, eu reviverei um vida inteira nas lembranças

Para atravessar o espelho  / Eu quero
apenas o seu olhar
Para minha viagem sem volta / morrer perto do meu amor
E adormecer no seu sorriso

O tempo que nos persegue / não nos pode separar
Mesmo depois da vida / nossas alegrias passados nos unirão no infinito
Para mergulhar na noite / e desistir da vida
Eu quero que seja dentro de seus braços me cercando / morrer ao lado do meu amor
E adormecer no seu sorriso

Para atravessar o espelho / eu quero apenas o seu olhar
Para minha viagem sem volta /  morrer ao
lado do meu amor
E adormecer no seu sorriso)

Luta cotidiana

Não importava a vontade.

Era preciso se levantar.

Não apenas se levantar, mas enfrentar mais um dia.

Teve uma crise de choro. Mais uma. Era recorrente. Era rotineiro no último ano.

Mas se levantou.

Sentiu que o corpo se levantava. Mas continuava ali deitada.

Olhou-se na cama, entrou no banho e decidiu enfrentar o dia e a vida.

Já arrumada, pronta para sair, foi até o armário, pegou uma caixinha e ali guardou a dor, o pranto e o amor ferido.

Olhou-se novamente na cama.

Foi até ali e pegou a alma sangrando, com todo cuidado e a colocou em outra caixinha dentro do armário.

Deu uma última conferida no espelho, para ver se no corpo estéril e desprezado estava tudo em ordem.

Ensaiou um sorriso para si mesma, treinando para enfrentar a humanidade diária.

E foi…

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Soneto da Quarta-feira de cinzas

Por seres quem me foste, grave e pura 
Em tão doce surpresa conquistada 
Por seres uma branca criatura 
De uma brancura de manhã raiada 

Por seres de uma rara formosura 
Malgrado a vida dura e atormentada 
Por seres mais que a simples aventura 
E menos que a constante namorada 

Porque te vi nascer de mim sozinha 
Como a noturna flor desabrochada 
A uma fala de amor, talvez perjura 

Por não te possuir, tendo-te minha 
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada 
Hei de lembrar-te sempre com ternura.

- Rio, 1941 -

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Ana Acto

Bebe comigo um trago quente
Maduro, frutado
De um corpo deitado
Sedento de loucura
Sente...
As notas apimentadas 
E o odor almíscarado
Que o compõem 
Bebe comigo, em mim...
Degusta cada gole
Desta casta delicada
Numa prova singular
Ah...meu poeta
Sacia em meu corpo tua sede
De prazer e inspiração 
E eu, deleitada
Entre homem e palavra 
Me deixo seduzir
Entre carícias e letras
Numa entrega rival 
E despida
Me rendo a votos suados 
Sussurrados em desejo
Declamados pelo chão 

(Imagem: foto de Maria Alice)