Deborah – uma das canções mais lindas que já ouvi – sua arte eterna o fez imortal…
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Dia de Poesia – Antonio Carlos Augusto Gama
És o meu livro.
E eu, o teu.
Leio-te, releio-te, tresleio-te.
E a mim te abro
As páginas em branco
Para que me inscrevas em ti.

(Quadro de Edward Hopper)
Dia de Poesia – Fernando Pessoa – Na véspera de nada

Na véspera de nada Ninguém me visitou. Olhei atento a estrada Durante todo o dia Mas ninguém vinha ou via, Ninguém aqui chegou. Mas talvez não chegar Queira dizer que há Outra estrada que achar, Certa estrada que está, Como quando da festa Se esquece quem lá está.
(Imagem: Ilustração de Ilustr. S. Hee – Correia do Sul, 1963)
Momento de poesia – Victor Hugo – Demain, dès l’aube
Quando um pai não supera a morte de uma filha…
Demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne, Je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends. J’irai par la forêt, j’irai par la montagne. Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps. Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées, Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit, Seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées, Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit. Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe, Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur, Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.
Memória – Poesia da casa – De passagem

Veio com brisa tão leve - Uma pluma a flutuar Não tinha nenhum destino Só um desejo: passar E como se fosse um beijo Roubado sem um abraço Deixou o rastro apertado De um nó onde fora laço Se não podia ficar Se era só de passagem Por que ficou tanto tempo Antes de seguir viagem? Não há antes nem depois Só o instante da magia Daquele beijo furtivo Mas dado com maestria Uma passagem tão breve Deixou a fieira de pena Que traz de volta a saudade Ao sentir a brisa serena Passou o tempo cruel E o trinco da madrugada, Chegado o fim do caminho Então não resta mais nada
(Imagem Wattpad)
Poesia da casa – O nada

Um turbilhão vindo de lugar desconhecido Turvou-me a alma, tirou-me o chão, fez o escuro. Tumulto no sentir, no pensar, sem ação. Uma vida esboçada que não aconteceu. Um botão de flor morto sem desabrochar. Eu fui nada, fui espera e fui amor. Agora novamente não sou nada. Nada sou, nada espero, nada amo. Sou a escuridão que precede a luz que não vem. Sou a eterna madrugada onde nunca amanhece.
(Imagem: banco de imagens Google)