Pétalas

Sou Serena como uma flor: Rosa Seca...

Penso em tantas flores que recebi

E outras tantas que ofertei

Quanta simbologia, quanto carinho

Flores deixadas durante a madrugada

No batente da janela, nas inúmeras serenatas

Buquês caprichados entregues por emissários

As orquídeas que floriam meses a fio

Cestas de flores, coloridas e alegres

Ou a singela rosa solitária, cumplicidade e convite…

De tantas flores, restaram algumas tristes pétalas

Prensadas entre as folhas de velhos livros

Sem viço, sem perfume, apenas lembrança

Da alegria do que um dia foi receber as flores

Assim como a saudade, tudo o que  resta,

Como velhas fotos desbotadas de pessoas que se foram

Amores que morreram, paixões que esfriaram

Tudo hoje são as pálidas e secas pétalas

Cuidadosamente esquecidas entre as pregas da memória

(Imagem: banco de imagens Google)

Memória do blog – Tempo bom

É verdade, houve um tempo em que éramos livres. Eu quase já me esqueci como era isso…

Viajávamos à vontade, carro, ônibus, avião, cruzeiros de navios…

Podíamos nos hospedar em hotéis em qualquer lugar do mundo. Íamos livremente às lojas, havia dinheiro girando pelo mundo, bastava trabalhar e já se ganhava o suficiente para viver e, muitas vezes, o bastante para esbanjar.

Esse tempo era tão bom…

Havia doenças, claro. Doenças dos mais variados graus. Desde simples resfriados e gripezinhas, até pneumonias duplas, tuberculose, pancreatite, vários tipos de câncer. E se morria, sim, de doenças, de reações adversas a medicamentos, de complicações em cirurgias.

Os hospitais estavam sempre superlotados. Principalmente hospitais públicos. Faltavam leitos em UTIs, cirurgias eram marcadas a longo prazo, muitas vezes a doença matava o paciente antes dos exames ou da cirurgia. Era um caos. Mas éramos livres.

Podíamos até mesmo optar entre a saúde e a doença.

E, se nos sentíamos saudáveis, podíamos ir à missa, ao culto, ao cinema, ao restaurante, ao parque, à praia.

Os amigos se encontravam, as famílias se reuniam, bares e restaurantes viviam lotados, conversas, risadas, cantorias, muita alegria. Podíamos sair à noite livremente.

Ah, como esse tempo era bom. Éramos livres. Éramos saudáveis. Éramos felizes.

Um dia inventaram que todos deveriam ficar doentes.

E todos deveriam empobrecer. Morrer de doença ou de fome. Montaram um grande circo.

E começaram a tocar pânico nas pessoas. Através de notícias dadas por repórteres histéricos.

Os mesmos que, a princípio, negaram a existência da doença e insistiram em fazer um carnaval mega-enorme, logo depois passaram a acusar o povo de espalhar a doença por ter participado do carnaval.

E aproveitaram a ocasião para cassar a liberdade de todos.

E vieram o isolamento compulsório, o toque de recolher e outras medidas restritivas do direito à liberdade.

O povo, acuado, e com medo, foi se acovardando.

Até isso acontecer, vivíamos um tempo bom.

Éramos livres. Éramos felizes. Éramos saudáveis. Não éramos covardes.

E, dia após dia, mês após mês, ano após ano, foram nos limitando. Destruíram os empregos, as empresas, as famílias, os afetos.

E o povo, com medo de morrer, se deixava matar.

Verdade, você agora me fez lembrar, houve um tempo em que éramos livres. Eu quase já me esqueci como era isso… 

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Florbela Espanca – A cor de teus olhos

Teus olhos têm uma cor
de uma expressão tão divina,
tão e misteriosa e triste.
Como foi a minha sina!!!

É uma expressão de saudade
vagando num mar incerto.
Parecem negros de longe...
Parecem azuis de perto...

Mas nem negros nem azuis
são teu olhos meu amor...
Seriam da cor da mágoa,
se a mágoa tivesse cor.

(Imagem: foto de Maria Alice)

Texto de Franciane Costa – Porta dos fundos

banco | Espaço Casa | Jardins pequenos, Passagens no jardim, Paisagismo

Não sei quando você vai chegar, nem mesmo sei se vai mesmo vir.

Mas quando resolveres que chegou a hora, te faço um pedido: entre pela porta dos fundos.

Achou estranho? Não, please, não ache que sou louca, (ou na verdade sou?!).

Quero que chegues no mais absoluto silêncio, que não chame atenção de ninguém, nem mesmo a minha.

Você chamaria muito a atenção se de repente entrasse pela porta da frente da minha vida, aliás, eu desconfio que há tempos ela está trancada…

Prefiro algo mais discreto, quero perceber sua presença somente quando estiveres aqui, e assim viveremos algo mais tranquilo, mais discreto.

Estou cansada dessas paixões avassaladoras, que quando vão embora levam todo resto consigo. Não quero mais isso na minha vida.

Por isso, te peço:

Entre pela porta dos fundos da minha vida, mas venha pra ficar.

(Imagem: banco de imagens Google)

Texto de Lia Luft

Stream Estamos todos na mesma fila - Episódio 328 – Fabio Flores by  Precisava Ouvir Isso | Listen online for free on SoundCloud

Estamos todos na fila…..
A cada minuto alguém deixa esse mundo pra trás. Não sabemos quantas pessoas estão na nossa frente.
Não dá pra voltar pro “fim da fila”. Não dá pra sair da fila. Nem evitar essa fila.
Então, enquanto esperamos a nossa vez:-
Faça valer a pena cada momento vivido aqui na Terra.
Tenha um propósito.
Motive pessoas !!
Elogie mais, critique menos.
Faça um “ninguém” se sentir um alguém do seu lado.
Faça alguém sorrir.
Faça a diferença.
Faça amor.
Faça as pazes.

Faça com que as pessoas se sintam amadas.
Tenha tempo pra você.
Faça pequenos momentos serem grandes.
Faça tudo que tiver que fazer e vá além.
Viva novas experiências.
Prove novos sabores.
Não tenha arrependimentos por ter tentado além do que devia, por ter valorizado alguém mais do que deveria, por ter feito mais ou menos do que podia.
Tudo está no lugar certo.

As coisas só acontecem quando têm quem acontecer.
Releve.
Não guarde mágoas.
Guarde apenas os aprendizados.
Liberte o rancor.
Transborde o amor.

Doe amor.
Ame, mesmo quem não merece.
Ame, sem querer receber nada em troca.
Ame, pelo simples fato de vc vibrar amor e ser amor.
Mas sempre, ame a si mesmo antes de qualquer coisa.” Esteja preparado para partir a qualquer momento. Vc não sabe seu lugar na Fila, então se prepare prá deixar aqui apenas boas lembranças.

Suas mãos vão embora vazias.
Não dá pra levar malas, nem bens…
Se prepare DIARIAMENTE prá levar consigo, somente aquilo que tens guardado no coração
.

Obs.: A escritora Lia Luft nos deixou no dia 30 de dezembro de 2021.

(Imagem: banco de imagens Google)