A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Eu acreditava que distância era substantivo abstrato.
E que saudade também fosse algo abstrato.
Mas descobri que distância e saudade podem ser concretas.
Existem, machucam e causam dor.
Trópicos, rios, florestas e o tempo nos distanciaram,
mas nada disso conseguiu nos separar.
Deito agora nessa rede na varanda e olho para o céu:
o sol que me iluminou nesse dia é o mesmo que agora te aquece.
A lua que não vejo mas sei existir talvez esta noite brilhará para você.
As estrelas que aqui eu vejo serão as mesmas que você verá.
Respiramos o mesmo ar. O mesmo céu nos cobre.
Essa saudade que me sufoca e umedece os meus olhos
é a mesma que te traga e te incomoda.
É tão grande, tão intensa, que sinto poder tocá-la.
Ela existe, mora comigo, está em mim.
E toda essa distância, tão medida, tão concreta,
não nos pode separar nem trouxe esquecimento.
Nossos pensamentos nos levam um ao outro
e assim, juntos na distância, unidos na saudade,
esperamos pelo momento mágico de um reencontro.
Que virá. Que virá...
Tocar as estrelas, desejar a lua, alcançar o céu
Ter vontade de viver, com alegria e leveza
Amar, amar, sem medida, sem limites, sem temores
E se entregar à paixão plenamente para ser feliz
Sonhar, voar, flutuar, não estar e não precisar ser
Sem amarras, sem culpas, sem passado, só existindo
E assim, feliz, seguir em frente, simplesmente viver
Na estrada Não sei se passo eu por essa estrada
Ou se é essa estrada que por mim passa
No asfalto – tão cinza e tão feio
Correm brancos riscos a meu encontro
Nos dois lados troncos fazem cercas
Cruzam rápidos, levando esticados
Tantas linhas feitas de arame farpado
Só para mostrar existir um limite invisível
Poste e torres correm com seus fios
Levam luz, levam calor, levam progresso
E ainda levam as boas e as más notícias
Cruzando com esses riscos brancos
Passo eu por estrada que não tem fim
Ou é ela, a estrada, que passa por mim?
(Imagem: banco de imagens Google)
De regra, eu não gosto de postar sobre política. Mas hoje há um tema inevitável: a ofensiva militar da Russia contra a Ucrânia.
O que pode ser o estopim de novo conflito mundial.
E isso não é nada bom.
Preocupante.
Não interessam os motivos, é impossível acreditar que, em pleno século XXI, não haja uma saída diplomática, um caminho a ser tomado com responsabilidade depois de rodadas de conversação entre os dirigentes dos países envolvidos e autoridades internacionais na condição de conciliadores.
Realmente inacreditável que um impasse tenha de ser resolvido com mísseis, soldados e civis mortos.
Ainda que tudo termine breve, que o conflito não se globalize, os prejuízos causados já serão imensuráveis.
Na economia, ainda tão fragilizada pela pandemia, veremos naufragar as tentativas de recuperação de países e suas empresas. Perdas humanas – irrecuperáveis – já ocorreram.
E virão, ainda, novas neuroses, pânico e insegurança generalizada.
Porque sabemos quando e onde um problema começa, mas não temos controle nem podemos saber quando e onde acabará. E as nuvens no nosso horizonte, depois dessa triste madrugada, são ameaçadoras.
Proteger – ou ajudar – Donetsk e Lugansk significa sacrificar o povo da Ucrânia e a paz do mundo? Que justificativa é essa que não se enquadra em nenhuma equação lógica?
Que Donetsk e Lugansk se entendam com Kiev. Todos são irmãos, têm a mesma origem.
E por que outro país, uma potência militar, deveria atacar o país vizinho em nome da liberdade desses dois e condenar toda a população da Ucrânia e seus demais vizinhos?
Colocar em risco a paz mundial, tão arduamente conquistada, costurada a várias mãos por sucessivas gerações desde 1945? Não faz muito tempo que o mundo conseguiu esse arremedo de paz que tem dado relativa tranquilidade aos povos que querem apenas viver em seus países.
Nada, realmente nada justifica o que está acontecendo. Usar a máxima “si vis pace, para bellum” para mostrar poderio bélico, à custa de vidas humanas só mostra a sanha beligerante de um agressor que se coloca acima da paz mundial, tão duramente construída depois da Segunda Guerra, e mantida a duras penas.
Queremos paz. Paz e liberdade – o anseio de todos nós e não demos a ninguém o poder de abalar o mundo. Que tudo se resolva o mais breve possível, sem mais perdas humanas. Mas o mal que já foi causado não será recuperado.