Le vent, le cris

Hoje foi um dia um pouco triste. Notícias tristes.

Não vou escrever.

Mas vou postar um vídeo com maravilhosa composição de Ennio Morricone e imagens deslumbrantes.

Para ser visto no modo tela cheia.

Desligue-se da realidade e ligue-se, por alguns minutos, no sonho.

Às vezes precisamos desse momento de repouso…

Dia de poesia – Annibal Augusto Gama – Gerânios no vaso

As coisas que me acontecem
por acaso
são gerânios no vaso
que alguém cultiva
sem mim. São flores de espanto
num jardim por onde passo
alheio de onde vim
e sem saber para onde vai
o meu passo, que passa
ao compasso dos astros.

Brotam rosas no canteiro
e um deus jardineiro
abre um girassol no espaço.





(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)

Voo de alma

Ter penas não é ser livre / Nem nos pode libertar
Um par de asas apenas / Se falta o céu pra voar

(João Chagas Leite)

Voar… nada mais livre do que voar.

Símbolo maior da liberdade é o voo – talvez os pássaros sejam os animais mais livres da face da Terra.

Voar é contar consigo mesmo e acreditar. É confiar em si mesmo e na própria capacidade de ir além, quebrar fronteiras, ultrapassar limites. Ninguém pode voar pelo outro.

Assim, a primeira condição para voar é a auto confiança.

Mas também depende da sensação de liberdade. Não adianta ter asas nem ter o céu para voar, se a alma não for livre o suficiente para alçar o voo.

Há quem seja livre de alma e não pode voar por não possuir asas.

Há quem as tem mas não possui a alma livre para voar. A alma livre é a coragem.

Se o pássaro não tiver coragem de voar, ficará eternamente cativo, ainda que tenha asas e as portas da gaiola permaneçam abertas.

Quantos são prisioneiros vivendo em liberdade, quantos continuam livres, ainda que encarcerados?

Aqueles que têm alma de prisioneiro se resignam e aceitam qualquer limitação, qualquer prisão, mas quem tem a alma livre acaba por encontrar a liberdade.

Ainda que prisioneiro da Ilha do Diabo, ou de Alcatraz, ou da Torre de Londres.

Seja René Belbenoît, sejam Frank Morris e seus dois companheiros, seja o padre John Gerard. Ou, na literatura, Jean Valjean ou Edmond Dantès, dentre outros.

A lição que todos nos deixam é que a alma livre faz o homem livre.

O voo do pássaro simboliza o sonho de liberdade do homem.

Pássaro cativo não voa.

E voar é a imagem da liberdade.

(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)

Pranto por São Paulo

Depois de radiante manhã ensolarada, São Paulo chega ao final do dia sob chuva fria.

Era mais uma sexta-feira.

Havia uma leve esperança de vida no ar.

Mas, no meio do dia, sem a presença do governador que tem medo dos próprios eleitores, um segundo-escalão noticiou a intensificação desse estado de sítio informal que atravessamos.

Informal. Ilegal. Inconstitucional. Imoral.

Cancelo todos meus compromissos e me preparo para voltar para a casa no interior.

Não sei se nem quando voltarei.

Vi uma cidade mais abandonada. Mais vazia. Mais sem sentido.

Vi mais moradores de rua, mais miséria, mais fome.

Só me resta perguntar aos céus: “Até quando, Senhor, até quando?”

Gotas começam escorrer no vidro da janela.

Chuva?

Não. Ao fim de um dia tão ensolarado, não é chuva.

Não são gotas de chuvas que vejo escorrer em minha janela.

São lágrimas.

É São Paulo que chora a tristeza de ver o horror que seus filhos estão passando.

(Imagem: foto de Maria Alice)

Escola

As escolas começaram com um homem embaixo de uma árvore, que não sabia que era professor, discutindo suas percepções com uns poucos que não sabiam que eram alunos.(Louis Kahn)

Interessante essa ideia da origem da escola – e do professor e do aluno.

Em que momento surgiu a escola, ou a ideia de escola, se, desde o primeiro momento da vida se começa a aprender – e há alguém a nos ensinar?

Ou escola é só aquela formal, quando o professor se propõe, como missão de vida, a ensinar a vários alunos?

Todos somos alunos e somos professores nessa vida.

A mãe é a primeira e grande mestra. Praticamente ensina ao filho, desde seu nascimento, tudo o que ele precisa saber para viver nesse mundo hostil fora de seu útero.

Então já nascemos alunos.

Mas ensinamos à mãe o que é o amor de um filho, o que é a alegria de um lar. Daí nos tornamos professores.

Os irmãos se ensinam. Tudo. Desde amizade, camaradagem, agressão e defesa pessoal, até as mais difíceis equações da matemática.

Entre irmãos somos professores e alunos.

A pessoa mais simples, com menos estudo possível, poderá ser sábia, e nos dar grandes lições de vida e resiliência. Mais sabedoria que muito professor titulado.

E tudo o que sabemos, ainda que pouquíssimo, poderemos ensinar àqueles que sabem ainda menos do que nós.

Às vezes um pequeno gesto ensina mais que muita profusão de estudos e palavras complicadas.

Aprendemos com as pessoas, na família, no trabalho, no ponto de ônibus, na praia…

Ensinamos por todos os lugares pelos quais passamos. Podemos até mesmo ensinar o quem nem sabíamos saber.

De que adianta aprender e saber se não for para ensinarmos?

Qual a finalidade de se guardar tudo o que se aprende?

E, quanto mais ensinamos, mais aprendemos.

Quanto mais dividimos o que sabemos, mais adquirimos saber.

Hoje não há mais escolas. Cada um pega seu computador e vai para um canto. Não sabemos se os denominados alunos estão aprendendo. Só avaliaremos essa situação daqui uma década ou duas, quando esses alunos forem os profissionais de amanhã.

Mas aquele homem, aquele primeiro homem que resolveu formalmente dividir suas dúvidas com seus amigos, estava personificando a mais nobre ação que um ser pode desenvolver: ensinar.