Chuva no entardecer

Previsão do tempo é de chuva e frio para a região Centro-Oeste MG neste  final de semana

Chove.

Chove muito nesta sexta-feira que amanheceu ensolarada.

Desde sempre eu gosto de chuva, de andar na chuva, de ver a chuva.

Adoro dias chuvosos.

Num de repente o céu escureceu, no final da tarde, as nuvens pesaram e veio uma tempestade.

Raios, trovões e muita água. Como se estivesse lavando a terra toda.

Depois amainou. Ensaiou se acabar, parecia que ia sair, mas resolveu ficar. E continua chovendo mansa, suave e docemente.

Foi como uma paixão tardia, que não se esperava mais.

E, num de repente da vida, nuvens se juntam e a paixão, inesperada, explode.

Como uma tempestade, com vendavais, raios, faíscas e tudo o que se tem direito.

Quando se pensa que tudo vai acabar, a paixão está amainando, ela se fortalece e se recusa a nos deixar.

E com aconchego, ainda muitas trovoadas e ventos fortes, a paixão resolve ficar para sempre.

Isso chamamos de amor.

E ela continua, mansamente, a embalar nosso viver, como se fosse a chuva calma, que garante a noite tranquila.

Nada melhor que uma chuva no final do dia, uma paixão no final da vida e uma noite tranquila no final do dia. Sempre.


	

Até quando?

Site prevê datas para o fim da pandemia do coronavírus - TecMundo

Às vésperas de se completar um ano do início do isolamento social, uso de máscaras, alcoolgel, fique-em-casa, lave-as-mãos, hospitais de campanha fechados sem uso, bilhões de reais transferidos do governo federal aos Estados, estamos na estaca zero.

Hospitais lotados. Doentes à espera de leitos. Falta de respiradores.

Vemos o mesmo filme de oito meses atrás quando a epidemia chegou para valer – embora já estivéssemos meses antes em isolamento.

As falências continuam.

O desemprego só aumenta.

A miséria anda a passos largos.

Não é possível que em 2021 teremos a mesma realidade de 2020.

Pensei já ter esgotado o assunto. Que estávamos superando a doença.

Alardearam tanto a vacina e agora dizem que ela não protege de novas variantes que já atacam a população.

Não há o que se comentar. Só lamentar.

A Terra, doente, agoniza lentamente enquanto ainda respira.

E duas perguntas não se calam:

1 – onde é o circo? Porque há muitos palhaços por aí…

2 – quo usque tandem?

Memória – de um ano atrás – Para quem tem paixão (porque minha paixão nunca esmorece)

 
  ESTRELA DA TARDE
 (José Carlos Ary dos Santos)
  
 "Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
 Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
 Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
 Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

 Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
 E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
 Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
 Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

 Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde
 Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
 Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza
 Se tu és a alegria ou se és a tristeza

 Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

 Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
 Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
 Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
 E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

 Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
 Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
 Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
 E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

 Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
 É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
 Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
 Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

 Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!" 

Texto de Germana Facundo – Saudades do que nunca viveu

Que saudades
Como pode alguém sentir saudades do que nunca houve
Como pode alguém sentir saudades do que nem viveu
É como estou hoje
Com saudades
Morrendo de saudades dos sonhos que criei
Chorando de saudades das horas que imaginei
Das histórias que sonhei
Hoje estou assim
Querendo que o tempo vá para onde eu quero
Para onde ele nunca esteve
Mas a saudade é tanta que me paralisa
É muita saudade
E nem aconteceu
E nada eu vivi
Como se pode sentir saudades de uma época que não existiu
De fantasias e de promessas que nunca se concretizaram
Por que sentir saudades de um futuro inventado
Quando há um presente imenso para se viver
Mas não se manda no coração
O coração é pretensioso e quase sempre faz o que quer
A razão até tenta dominar
Mas raramente consegue
E por causa do coração a gente faz um monte de besteira
E fica esperando, esperando
Esperando que tudo volte a ser como antigamente
Ou pior
Que tudo seja como criamos em nossos sonhos mais recorrentes.

Dia de poesia – Alfred de Musset – Mars

Não quero ser pessimista.

Mas esse 1° de março não traz esperança – impossível não me lembrar de 1° de março de 2020, tantas alegrias, tantos planos, hotéis reservados, passagens compradas, e, como um inesperado soco na cara, o isolamento, a derrocada de tudo, um país de joelhos, um povo amordaçado e dominado pelo terror e pelo medo e tudo cancelado.

Tantos sonhos desfeitos, encontros adiados, emoções sufocadas.

Mesmo assim, nesse março cinzento que hoje se inicia, posto Alfred de Musset, para trazer um pouco de ternura ao coração.

Pode ser uma imagem de texto que diz "MARS Ah Que MARS est un joli mois! C'est le mois des surprises, Du matin au soir dans les bois Tout change avec les brises Le ruisseau n'est plus engourdi; La terre n'est plus dure le vent qui souffle du midi Prépare la verdure. Alfred de Musset Magie du Son et de I'Image"

Memórias – 27.02.2020

Há um ano postei essa publicação. Não imaginava que vinte dias depois estaria enfrentando essa situação bizarra, que estaria encerrada em uma casa, separada das pessoas que amo, amordaçada por uma focinheira que chamam máscara, e que viveria, a partir de 18.03 em um pesadelo de arbítrio e cretinice, a que quase todos cederam por medo. Medo do que? de morrer, a única certeza dessa vida. Por medo de morrer as pessoas se enterraram vivas. O medo de morrer é algo tão ridículo, tão sem sentido… todos morreremos. Essa é a verdade. Eu só queria viver.

Resultado de imagem para tocando as estrelas

                            VIVER

 Tocar as estrelas, desejar a lua, alcançar o céu
 Ter vontade de viver, com alegria e leveza
 Amar, amar, sem medida, sem limites, sem temores
 E se entregar à paixão plenamente para ser feliz
 Sonhar, voar, flutuar, não estar e não precisar ser
 Sem amarras, sem culpas, sem passado, só existindo
 E assim, feliz, seguir em frente, simplesmente viver